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Projeto de defesa pessoal ‘Mulheres de Aço’ completa seis meses em Volta Redonda

Matéria publicada em 20 de janeiro de 2022, 13:55 horas

 


Programa da Smel, em parceria com o Governo Federal, auxilia no combate à violência e na valorização do protagonismo feminino

Foto: Secom PMVR
Projeto ensina técnicas de defesa pessoal a mulheres

Volta Redonda – O programa “Mulheres de Aço”, promovido pela Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (Smel), em parceria com o Governo Federal, completou seis meses em Volta Redonda. O projeto, que oferece de graça aulas de defesa pessoal, visa incentivar o protagonismo feminino através de técnicas de artes marciais, como o jiu-jitsu e kickboxing, por exemplo. As alunas são preparadas para saber lidar com situações de abuso, a fim de prevenir que cheguem à violência, mas também são estimuladas para que não se sintam inferiorizadas.

Ao todo, são 120 mulheres que além das técnicas de artes marciais, são orientadas sobre seus direitos dentro da Lei Maria da Penha.

Uma das alunas do projeto é Janaína Oliveira Santos, 36 anos. Moradora do bairro Coqueiros, ela está no projeto desde o seu lançamento. Ela conta que mais jovem, passou por assédios no transporte público e até no local de trabalho, mas que pela falta de conhecimento da gravidade dos fatos não falava sobre o assunto com ninguém, mas se sentia desconfortável. Hoje, integrando o time do “Mulheres de Aço”, passou a se sentir mais segura e ajuda outras mulheres.

“Quando fiquei sabendo do projeto logo me inscrevi e pude ver as coisas de uma outra maneira. Aprendi e entendi que qualquer tipo de importunação sexual é crime. Fui muito bem acolhida pelas meninas do projeto, me senti segura. Percebi também que outras mulheres tinham passado por coisas iguais a mim e que não estávamos sozinhas. O projeto mudou a minha vida e a vida de mulheres ao meu redor, pois tudo o que eu aprendo lá passo para outras”, disse Janaína.

A moradora disse que depois que passou a participar do programa, passou por mais uma situação de importunação sexual dentro do ônibus, mas que por estar preparada soube lidar.

“Um ônibus que não estava nem tão cheio. Um homem passou e parou atrás de mim encostando as partes íntimas em mim. Na mesma hora, eu falei alto e ele aproveitou as portas abertas e desceu. São coisas rotineiras na vida das mulheres, mas que com projetos como esses nos fazem ter outra visão e de quebrar esse ciclo. Tenho filhas e não quero nunca que elas passem o que já passei, inclusive por agressão psicológica”, disse Janaína.

A modelo, miss e empresária Marina de Sousa, de 30 anos, também é aluna do “Mulheres de Aço”. Ela contou que está no projeto há aproximadamente dois meses e como trabalha como influenciadora digital, espera poder inspirar outras mulheres a aprenderem a se defender.

“O projeto tem um cunho social muito importante para todas nós, pois ajuda as mulheres em seu empoderamento e também a se protegerem, ou evitarem situações, que, infelizmente, ainda hoje, são muito corriqueiras. A importância de apoiar um projeto desses foi uma das coisas que mais me chamou atenção”, disse ela, relatando que já sofreu com relacionamentos abusivos que a impediam de praticar artes marciais, por exemplo.

A moradora do Volta Grande III, Michelly Tavares de Andrade, de 41 anos, é mais uma aluna do projeto. Ela faz kickboxing, jiu-jitsu e enfrentamento à violência, mas garante que nunca foi preciso utilizar nenhuma técnica que aprendeu em aula.

“Espero não precisar usar algum dia, mas se for necessário estarei pronta. Acho que todas as mulheres deveriam participar do projeto. É maravilhoso, faz bem para o corpo e para a alma”, afirmou.

Valorização do protagonismo feminino

A professora responsável pelo programa, Perla Moura, explicou que o foco das aulas não é o enfrentamento de homens, mas sim a valorização do protagonismo feminino.

“Ensinamos elas a serem inteligentes para sair de uma situação que possa levar ao feminicídio. As aulas visam o esporte e, através das lutas e artes marciais, usamos essas ferramentas como auxílio na defesa da violência contra mulheres cis, trans e meninas a partir de 12 anos de idade. Qualquer mulher pode se inscrever, mesmo que ela nunca tenha passado por algum tipo de violência, importunação ou assédio, o que é quase impossível”, opinou.

Aulas e horários

Entre as modalidades aprendidas como defesa está o boxe, kickboxing, metodologia da KMRED e jiu-jitsu. Além das lutas são trabalhadas também com treinamento psicológico, simulando situações reais de agressão. As aulas acontecem três vezes na semana – segunda, quarta e sexta-feira, na Arena Esportiva do bairro Voldac, em três períodos: às 7h e 9h; às 16h e às 18h.

Inscrições

Para participar do programa as mulheres devem comparecer à sede da Smel, que fica na Arena Esportiva da Voldac, portando cópia do RG, CPF, comprovante de residência, uma foto 3×4 e preencher a ficha de inscrição nos horários das aulas.

Rede de atendimento

Além das aulas de defesa pessoal, Volta Redonda conta com uma rede completa de assistência à mulher vítima de violência, como o CEAM (Centro Especializado de Atendimento à Mulher); a Patrulha Maria da Penha; a Casa Abrigo para mulheres em risco de vida; e a DEAM (Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher).


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