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Recomendação para fim dos treinos de cabeceio entre crianças divide opiniões

Matéria publicada em 29 de fevereiro de 2020, 10:59 horas

 


Sul Fluminense- O médico e neurocirurgião Jorge Pagura recomendou à CBF (Confederação Brasileira de Futebol) que times e escolinhas de futebol para crianças menores de 12 anos não treinem cabeceio na bola. Essa prática já é adotada em países como Estados Unidos e Escócia no trabalho da base. Por isso, o DIÁRIO DO VALE buscou a opinião de profissionais do esporte e da saúde para discutir sobre o assunto.

Por ser apenas uma recomendação, a CBF ainda não se posicionou de quando ela será aplicada ou mesmo se será aplicada. A entidade ainda não tem um protocolo pronto de como isso deve acontecer, mas a iniciativa está em fase de desenvolvimento.

O ortopedista e especialista em Medicina Esportiva, Leandro Gregorut Lima, comentou que a decisão da CBF seria muito acerta.

– Todas as decisões que têm o intuito de proibir lesões nos nossos atletas, independente se são crianças ou adultos são bem vindas para a melhora do esporte. A formação do sistema cognitivo se dá principalmente na infância até o início da adolescência, então se você evitar pequenos traumas repetitivos na cabeça vai evitar possíveis lesões no tecido cerebral e problemas na formação cognitiva da criança – disse o médico, acrescentando treinar a cabeçada com uma bola de borracha poderia ser menos nocivo para a saúde mental de crianças e adolescentes.

Já o preparador físico da base do Barra Mansa FC, Leonardo Knupp, destacou que o futebol é um esporte completo.

– Não tem como remover o cabeceio de uma criança. Acho que a prevenção ou ensinamento deveria ser mais aprofundado nas bases, pois no Sub-7 e Sub-9 e por aí, deve se aprender fundamentos sobre futebol, futsal ou qualquer que seja o esporte. Seria o mesmo que você fazer uma luta, que é completo, e retirar um golpe exemplo: um chute. Não tem fundamento isso – opinou o preparador físico.

O professor Alessandro Diniz Zola, profissional de Educação Física com 30 anos de experiência na área de treinamento para categorias de base de futsal e futebol de campo, falou um pouco sobre a proibição da prática na Escócia e nos Estados Unidos.

– Na Escócia já é regra e nos Estados Unidos já tem essa proibição no futebol americano. A CBF fez uma pesquisa que nos últimos três anos, o trauma de cabeça é o segundo trauma mais comum de lesão entre os jogadores, logo depois o trauma muscular. Essa prática pode atrapalhar o desenvolvimento neurológico da criança.

Cuidados

A psicóloga Priscilla Alexandre Rodrigues defendeu sobre o fim da cabeçada para crianças, pois ela pode combater a concussão no futebol.

– O cérebro humano flutua como um balão dentro do crânio, quando a pessoa cabeceia a bola. Nessa ocasião que ocorrem as lesões cerebrais que em constância e a longo prazo, podem acarretar demência e ETC (Encefalopatia Traumática Crônica). Estudos de imagem mostram que o lobo frontal, logo atrás da testa, e na região temporo-occipital, na parte inferior traseira do cérebro, foram as áreas de exibição com os danos entre os que cabeceavam com alta frequência – explicou a psicóloga.

– Recomenda-se que crianças até 12 anos jamais utilizem essa técnica em treinos, já os adolescentes de 12 a 18 devem evitar a mesma. A melhor recuperação vem de muito repouso físico e menta, podendo variar de uma semana a um mês – disse Priscilla Rodrigues.

Ainda sobre as consequências, o ortopedista e especialista em Medicina Esportiva, Leandro Gregorut Lima, comparou as lesões cerebrais que ocorrem entre um acidente e entre a uma prática esportiva.

– Toda vez que você sofre um pancada na cabeçada, que chamamos de Trauma Crânio Encefálico (TCE), dependendo dessa pancada você pode não sofrer uma lesão tão grave, por exemplo: um acidente de moto em que a pessoa bate a cabeça e ela tem um TCE. Já no caso do boxe, o atleta sofre lesões na face e no crânio constantemente. Nesse caso, você acaba tendo pequenas lesões no tecido cerebral, que nós sabemos que em adultos, a longo prazo, acabam acarretando problemas cognitivos interpretação, falta de memória, lentidão do raciocínio e sua percepção do mundo ao redor – esclareceu o médico.

*Por Miguel da Silveira


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