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Tragédia com a Chapecoense: Corpos de vítimas de acidente deixam a Colômbia

Matéria publicada em 2 de dezembro de 2016, 18:56 horas

 


Aviões da FAB fizeram o traslado com os cadáveres rumo a Manaus e depois seguiriam para Chapecó, em Santa Catarina

Com destino ao Brasil: Corpos dos mortos no acidente com o avião do Chapecoense são embarcados em avião da FAB (Foto: Fuerza Aerea Colombianaminutos)

Com destino ao Brasil: Corpos dos mortos no acidente com o avião do Chapecoense são embarcados em avião da FAB (Foto: Fuerza Aerea Colombianaminutos)

Medellín – Aviões cargueiros da Força Aérea Brasileira (FAB) fizeram nesta sexta-feira (2) o traslado dos corpos das vítimas do acidente com o avião da delegação da Chapecoense. As três aeronaves ficaram por cerca de duas horas na Base Aérea de Rionegro, perto de Medellín, na Colômbia, onde foi feito o embarque dos corpos.

Depois de deixar o solo colombiano os aviões seguiram para Manaus, aonde a previsão era chegar ainda nesta sexta-feira. A previsão é que as três aeronaves C-130 Hércules da FAB cheguem à cidade de Chapecó, em Santa Catarina, por volta das 8h deste sábado.

O acidente aéreo aconteceu na madrugada do dia 29 e matou 71 pessoas, entre as quais jogadores e dirigentes da Chapecoense, jornalistas e tripulantes. Seis sobreviventes continuam internados em hospitais da Colômbia.

O velório será neste sábado (3), na Arena Condá, estádio da Chapecoense.

Brasileiros vão para mesmo hospital em Medellín

O Ministério das Relações Exteriores informou que os quatro brasileiros que estão internados em Medellín, vítimas do acidente com o voo da Chapecoense, serão transferidos para o mesmo hospital, a clínica San Vicente. O estado de saúde dos jogadores Allan Ruschel, Jackson Follmann e Hélio Zampier Neto e do jornalista Rafael Henzel é crítico, mas estável. Nenhum paciente apresenta risco de morte.

Segundo a Chapecoense, o lateral Allan Ruschel foi submetido a uma cirurgia na coluna vertebral e inspira cuidados. Ele está com movimentos normais em membros superiores e inferiores e múltiplas escoriações. O zagueiro Neto, o último dos resgatados, também apresenta boas perspectivas de melhora.

O goleiro Follmann é o que se encontra em estado mais grave. Ele teve uma das pernas amputadas, está entubado e requer mais cuidados. O jornalista Rafael Henzel sofreu um trauma no tórax e uma fratura de perna, mas o pulmão já apresentou melhoras.

Mãe de Danilo passa dia em estádio

Na tarde de ontem, a mãe do goleiro Danilo – herói da Chapecoense -, Ilaíde Padilha, conhecida como dona Ilaíde, foi até o estádio do clube e fez questão de conversar com os jornalistas. Ela andou pelo gramado da Arena Condá acompanhada por uma psicóloga da prefeitura de Chapecó e pelas duas filhas. Após cada entrevista concedida, a mãe de Danilo fez questão de abraçar cada repórter com quem conversou.

– Estou vivendo um pesadelo, ainda. Eu acho que ele vai voltar da Colômbia, mas não dentro de um caixão. Eu acho que ele vai voltar com um bom resultado e que, na semana que vem, eu vou a Curitiba vê-lo jogar a final e aplaudi-lo. Por isso, estou em pé – disse dona Ilaíde, com delicadeza.

– O Danilo é o meu filho amado, é o meu anjo. Onde quer que ele esteja, está me abraçando e me segurando. É ele quem está me mantendo aqui. Meu anjo, meu ídolo e meu herói – desabafou.
Ao perceber que um dos jornalistas presentes era colombiano, a mãe do ídolo chapecoense revelou que o momento de maior angústia, no dia do acidente, foi quando recebeu um telefonema das autoridades do país vizinho.

– Foi quando me ligaram pedindo descrições do Danilo para identificar o meu filho e, depois, desligaram o telefone na minha cara, sem falar nada. Tudo bem, eu entendo que a pessoa provavelmente não tinha permissão para me falar se era ele, ou se não era. Mas foi o momento mais difícil – afirmou, sem demonstrar rancor.

Plano de voo previa saída de cidade
mais próxima a Medellín, diz coronel

O secretário de segurança aérea da Colômbia, o coronel Freddy Bonilla, afirmou que o plano de voo apresentado pela LaMia, companhia aérea que transportava a Chapecoense para Medellín, às autoridades colombianas era distinto do enviado à Agência Nacional de Aviação da Bolívia (Aasana).

Segundo Bonilla, a LaMia enviou uma autorização de embarque, chancelada pelos órgãos bolivianos, com saída em Cobija, cidade boliviana mais próxima de Medellín, destino final do voo, do que Santa Cruz de la Sierra, de onde o avião Avro Rj85 partiu de fato.

Cobija e Medellín são separadas por 2065km, distância que se adequaria à autonomia da aeronave, que era de cerca de 3000km. O voo, contudo, saiu de Santa Cruz de la Sierra, localizada a aproximadamente 3000km de Medellín.

– À Aerocivil, a companhia aérea deu uma autorização de saída, apoiada pelas autoridades bolivianas, a partir da cidade de Cobija com destino a Rionegro (Medellín). Descobrimos que, na realidade, (o voo) veio de Santa Cruz, que é muito mais ao sul, quando o avião estava no espaço aéreo colombiano – disse Bonilla ao jornal El Tiempo.

Enquanto esperava a descida de outro avião, que havia decretado emergência para pousar em Medellín, a aeronave da LaMia foi obrigada a planar e, na terceira volta, quando já não tinha combustível suficiente para seguir viagem, caiu, vitimando 71 pessoas, sendo 19 jogadores da Chapecoense.

Segundo a legislação boliviana, o avião tinha de ter combustível para mais 30 minutos de voo, o que lhe daria a possibilidade de chegar a um aeroporto de apoio, que seria o de Bogotá. Na última quinta-feira, a LaMia teve as atividades suspensas para o início das investigações.


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