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Governo argentino busca apoio político para aprovar orçamento

Matéria publicada em 18 de setembro de 2018, 07:34 horas

 


Governo argentino pede apoio para aprovar orçamento. (crédito AB)

Buenos Aires – O governo argentino está intensificando as articulações politicas para assegurar a aprovação, no Congresso, do projeto de Orçamento de 2019, que prevê cortes de gastos públicos num ano em que – segundo as previsões oficiais – a economia vai retroceder 0,5%. A proposta, apresentada pelo ministro da Economia, Nicolas Dujovne, começa a ser debatida quinta-feira (20).

Deputados da oposição reagiram à apresentação, afirmando que não iriam aprovar os ajustes às pressas – apesar da urgência do governo. “Sabemos que a Argentina esta vivendo uma crise econômica, mas isso não quer dizer que vamos aprovar propostas irrealistas”, disse o deputado Agustin Rossi, líder da bancada Frente para a Vitória (FPV), da senadora e ex-presidente Cristina Kirchner.

O orçamento prevê inflação anual de 23% em 2019 (cerca da metade do índice de 45% estimado para este ano) e um dólar de 40 pesos (valor que alcançou depois de duas corridas cambiais e que o Banco Central está tentando manter com a venda de reservas). O governo quer aprovar logo a proposta para dar um sinal ao Fundo Monetário Internacional (FMI) de que tem apoio politico para zerar o déficit no ano que vem, apesar de não ter maioria no Congresso.

Neste momento, a Argentina está renegociando com o FMI o acordo fechado em junho, que assegurou um empréstimo stand-by de US$ 50 bilhões. A entidade já liberou US$ 15 bilhões, para ajudar o país a enfrentar a crise cambial de maio. O resto do dinheiro seria entregue em parcelas, a cada três meses, sempre e quando fossem cumpridas determinadas metas. Mas, depois da segunda corrida cambial em agosto, o governo viu-se obrigado a pedir uma antecipação dos desembolsos, para recuperar a confianca dos mercados.

Ontem (17), o FMI divulgou comunicado sobre as reuniões que manteve com autoridades argentinas, em Buenos Aires, e “os avanços importantes” feitos para “concluir” a renegociação. O Banco Central tem vendido reservas para manter o dólar estável: elas caíram de US$ 63 bilhões, no fim de junho, para US$ 50 bilhões, na semana passada

Apoio

O governo vai precisar dos votos de 140 deputados e 50 senadores para aprovar o projeto de Orçamento – número que só pode conseguir com o apoio de partidos da oposição. Por isso tem mantido reuniões com os peronistas moderados, que governam várias províncias.

As articulações estão sendo feitas em um momento complicado. Em 2019 serão realizadas eleições gerais na Argentina e o presidente Mauricio Macri deve ser candidato a segundo mandato pela coligação governista Cambiemos (Mudemos). Ao assumir, em 2015, ele prometeu retomar o crescimento econômico. Mas, este ano, o Produto Interno Bruto (PIB) terá uma queda de 2,4% e em 2019 encolherá mais 0,5%.

Em compensação, a principal rival politica dele, a ex-presidente Cristina Kirchner, enfrenta seis processos na Justiça – a maioria por corrupção. O ultimo deles foi aberto nessa segunda-feira (17) – mesmo dia em que Dujovne apresentava o Orçamento. Ela foi acusada pelo juiz Claudio Bonadio de liderar uma “associação ilícita” para cobrar propinas de empreiteiras, em troca de obras públicas. Cristina governou a Argentina de 2007 a 2015, quando foi eleita senadora. Ela não pode ser presa, porque tem imunidade parlamentar.


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