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As estrelas do verão

Matéria publicada em 4 de fevereiro de 2016, 07:00 horas

 


Pleiona, Betelgeuse e Rigel brilham como joias no céu estrelado

Betelgeusegas

Gigante: As conchas de gás que cercam Betelgeuse

O verão está “bombando” e o céu estrelado parece uma caixa de joias. Esta é a época do ano em que a noite exibe algumas das constelações mais famosas. Com estrelas que vão do azul de Sirius ao avermelhado de Betelgeuse, passando pela cor de tijolo de Aldebaram, na constelação do Touro. Perto do Cruzeiro do Sul fica um aglomerado de estrelas multicoloridas chamado, apropriadamente, de “caixa de joias”. Mas todo o céu nesta época do ano é uma verdadeira exibição de joias estelares que parecem safiras, rubis e águas marinhas colocadas lá no céu.

Por volta das oito horas da noite a constelação de Orion está bem perto do Zenith, o ponto logo acima de nossas cabeças. Parece um quadrilátero de estrelas com a azulada Rigel e a vermelha Betelgeuse brilhando em extremidades opostas. No meio fica um cordão de estrelas brancas, Alnitak, Alnilan e Mintaka, as Três Marias. Curiosamente as estrelas do Orion estão entre as mais distantes que podemos ver a olho nu, isto é, sem binóculos ou telescópios. Olhe bem para cima, em uma noite de verão, e suas retinas serão tocadas pela luz que viajou séculos até cair em seus olhos.
Betelgeuse, a gigante vermelha de Orion, fica a 643 anos-luz. Ou seja, sua luz, que toca nossos olhos, agora saiu de lá antes da descoberta da América! Rigel, a estrela azul na outra extremidade do quadrado de Orion fica a 860 anos-luz.

Mas as Três Marias estão mais longe ainda. Alnilan está a dois mil anos-luz de distância e Mintaka a 1200 anos-luz. O ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano, viajando com a velocidade de 300 mil quilômetros por segundo. Ele é usado para expressar as distâncias no universo estrelado porque nossas medidas terrestres, como o quilômetro e a milha, são muito insignificantes diante da grandeza do universo.

Tirando os olhos da constelação do Orion e olhando para oeste na direção onde o Sol se esconde, temos a constelação do Touro. Fácil de encontrar devido a brilhante estrela amarelada Aldebaran. Bem na frente do Touro ficam as Plêiades, um aglomerado de estrelinhas que formam uma figura parecida com uma colher. Olhar para as Plêiades serve como teste de acuidade visual. Pessoas com visão excepcional conseguem enxergar todas as sete estrelinhas, sem precisar de um binóculo. Quem tem visão normal pode ver umas quatro.

Estrelas

A estrela mais famosa das Plêiades é Pleiona, que fica a uns 390 anos-luz. Embora seja tão fraca que mal dá para ver, ela na verdade é 190 vezes mais brilhante do que o Sol. Só parece tão apagada devido a sua incrível distância. Pleiona gira tão rápido em torno de seu eixo que ficou achatada e parte de sua matéria escapou formando um disco incandescente.

Por sua forma de “disco voador” Pleiona foi retratada por vários artistas espaciais famosos, como Chesley Bonestell e Don Dixon, que usaram dados astronômicos para imaginar o que um viajante espacial veria se pudesse chegar perto deste sol distante.

Betelgeuse também não é uma estrela comportada como o Sol. Ela se encontra na fase terminal de sua existência, e virou uma bolha fervilhante de gases tão grande que engoliria os planetas Mercúrio, Vênus, Terra, Marte e Júpiter se fosse colocada no lugar do Sol. O diâmetro exato desta super gigante vermelha é difícil de calcular porque ela é uma estrela variável pulsante, que aumenta e diminui de tamanho. No Futuro Betelgeuse vai explodir como supernova.

Rigel não é tão grande quanto Betelgeuse, mas mesmo assim faz o nosso Sol parecer uma estrela anã. Ela tem 79 vezes o raio do Sol e faz parte de um sistema de três sóis unidos pela força da gravidade. O escritor de ficção científica Larry Niven imaginou turistas do futuro viajando em espaçonaves para contemplar essas estrelas de perto. Por enquanto só nos resta admirar o seu colorido de longe, aqui da Terra.

Por Jorge Luiz Calife
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Um comentário

  1. Parabéns ao Diário do Vale e pessoas como Jorge Calife por proporcionar matérias sobre astronomia em Jornais, pois ajudam a esclarecer quem gosta do assunto sobre as maravilhas do universo que ficam apenas em livros e muitas pessoas não tem acesso ou um interesse de descobrir…

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