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As heroínas do espaço

Matéria publicada em 2 de janeiro de 2017, 13:26 horas

 


Filmes futuristas refletem a evolução das mulheres na sociedade

Pelo menos nos filmes de Star Wars as mulheres já conquistaram seu espaço. E põe espaço nisso. Uma galáxia inteira no caso da Guerra nas Estrelas. No começo a princesa Leia era uma figura solitária em um universo só de homens, depois surgiu a Mon Mothma, a líder dos rebeldes no “Retorno do Jedi”. Com a franquia nas mãos da Disney o comando das aventuras ficou por conta de personagens femininas. Da Rey da Daisy Ridley em “O despertar da força”, a Jyn Erso da Felicity Jones em “Rogue One”. O que levou alguns fãs a reclamarem que já tem meninas superpoderosas demais nessa galáxia muito, muito distante.

Na verdade o papel das mulheres nos filmes de fantasias espaciais reflete as conquistas femininas na sociedade em geral. Todos esses filmes modernos, de aventuras nas estrelas, são descendentes diretos do seriado do Flash Gordon, que Frederick Stephani dirigiu em 1936. Naqueles filmes a heroína Dale Arden, interpretada pela atriz Jean Rogers, era a típica mulher indefesa que precisava ser salva, o tempo todo, pelo herói machão. Teoricamente ela era a namorada do Flash, mas ele se envolvia com tantas mulheres que as vezes a plateia se esquecia da pobre Dale.

Dale Arden não tinha nem uma profissão definida. Era uma passageira de um avião que fora salva pelo herói. E o acompanhava em suas aventuras pelo espaço. Quando Dan Barry modernizou a versão em quadrinhos, nos anos de 1960, ele fez da senhorita Arden uma repórter fotográfica que tinha um motivo para viajar pelo universo com seu amigo. Ela documentava suas aventuras para uma agência de notícias. E no lugar de ficar indefesa, esperando pelo salvamento, Dale acabou salvando a vida do herói várias vezes.

Na mesma época surgiu a Barbarella do francês Jean Claude Forrest. Que supostamente devia representar a mulher independente e emancipada dos tempos modernos. Astronavegadora no século 33, Barbarella viajava sozinha pelo espaço e realmente tinha certa independência. Se compararmos com a Dale dos anos de 1930. Mas quando a história foi adaptada para o cinema, em 1967, o diretor Roger Vadin transformou a personagem, interpretada pela Jane Fonda, em uma beldade tão indefesa quanto a Dale Arden da Jean Rogers. Sem a ajuda dos homens, Barbarella morreria logo nos primeiros quinze minutos do filme. E no resto da película ela é torturada, explorada e dominada por vários personagens masculinos e femininos. Um verdadeiro retrocesso.

No mesmo ano passou nos cinemas o “2001: Uma odisseia no espaço” do diretor Stanley Kubrick. Que relegou a mulher do futuro ao papel de comissária de bordo, servindo comida em pasta e refrigerantes a bordo das naves espaciais. As coisas só começaram a mudar em 1979, com o terror galáctico do “Alien: O oitavo passageiro”. A tenente Ripley, da Sigourney Weaver não precisava de ninguém para salvá-la e acaba derrotando o monstro que dizimou a tripulação da nave cargueira Nostromo.

Ripley serviu de modelo para a nova mulher dos filmes espaciais. Com personagens de ficção que refletiam o que acontecia no mundo real. Como a capitã Tania Kirbuk, comandante da espaçonave Leonov em “2010: O ano em que faremos contato”, de 1984. Na época em que o diretor Peter Hyams dirigiu o filme ainda não existiam mulheres no comando de naves espaciais reais. A realidade só alcançou a ficção nos anos de 1990, quando a americana Pamela Melroy se tornou piloto e comandante dos ônibus espaciais da Nasa.

Na década seguinte foi construída a Estação Espacial Internacional, ISS, que já teve várias mulheres no comando. Como a americana Peggy Whitson, que comandou a ISS em 2008. É por isso que filmes modernos, como “Perdido em Marte”, têm mulheres pilotando naves espaciais. O que inspirou também todas essas heroínas modernas de Star Wars.

 

 

Por Jorge Luiz Calife

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