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As origens esquecidas de Guerra nas Estrelas

Matéria publicada em 29 de junho de 2015, 08:10 horas

 


Saga de George Lucas mantem a criação coletiva da cultura pop moderna; duas obras, entretanto serviram de alicerce para a criação de Star Wars e aquela galáxia muito distante não existiria sem elas

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Início: ‘Fim do Mundo’ inspirou Flash Gordon em 1933
(Foto: Divulgação)

“Há muito tempo atrás, em uma galáxia muito, muito distante”. Foi assim que começou a saga de Guerra nas Estrelas com o primeiro filme, “Uma Nova Esperança” em 1977. Agora, no final de 2015, veremos o episódio sete de uma história que ainda vai continuar por muito tempo. George Lucas, o criador do universo dos cavaleiros jedis, se inspirou em obras anteriores. Filmes de guerra, romances de ficção científica, aventuras de cowboys e samurais. Duas obras, entretanto serviram de alicerce para a criação de Star Wars. E aquela galáxia muito distante não existiria sem elas.
Tudo começou em 1933, com o sucesso de um romance apocalíptico chamado “Quando os Mundos Colidem”. Escrito pela dupla Philip Wylie e Edwin Balmer o livro narra a destruição do mundo por um planeta errante, Bronson Alfa. Enquanto a população entra em pânico um grupo de cientistas constrói uma arca espacial. Um foguete atômico capaz de levar pessoas e animais para começarem uma vida nova em outro planeta. O sucesso do livro levou o produtor de cinema Cecil B. DeMille a planejar uma adaptação. Mas o filme, chamado no Brasil de “O Fim do Mundo” acabou sendo produzido em 1951 por George Pall. E ganhou o Oscar de melhores efeitos especiais.
Aparentemente este precursor do “2012” não tem nada a ver com Star Wars. Mas em Hollywood uma coisa leva a outra. Em 1934, quando o livro de Wylie e Balmer virou best –seller a King Features Syndicate, do poderoso magnata da imprensa  Randolph Hearst, andava preocupada com o sucesso de um herói espacial dos quadrinhos. “Buck Rogers no século XXV” história publicada no jornal rival “Chicago Tribune”. A empresa decidiu que precisava de um herói espacial urgente e tentou comprar os direitos do “John Carter de Marte” do Edgar Rice Burroughs. Mas o autor não concordou com a soma oferecida.
A empresa então incumbiu o desenhista Alex Raymond com a tarefa de criar um rival para o Buck Rogers. Raymond pegou “Quando os Mundos Colidem” como ponto de partida para seu Flash Gordon. No início da trama a população do mundo está em pânico com a aproximação de um planeta em curso de colisão. Flash Gordon é um atleta famoso, jogador de polo, que embarca num avião ao lado da bela Dale Arden. O avião tem uma das asas arrancadas por um meteorito e nosso herói salta de paraquedas com a mocinha. Os dois vão cair no laboratório do cientista Hans Zarkov. Que construiu um foguete para ir até o planeta errante e impedir a colisão. Com um revólver ele força o casal a segui-lo na aventura.
“Flash Gordon” chegou aos cinemas bem antes de “Quando os Mundos Colidem”. Virou seriado em preto e branco já na década de 1930. George Lucas era apaixonado pelas aventuras do herói e tentou transforma-las em um filme colorido, com efeitos especiais modernos. Mas a King Features não quis entregar os direitos do seu herói para um cineasta principiante. Lucas então fez a mesma coisa que Alex Reymond tinha feito em 1933. Criou o seu próprio herói espacial, Luke Skywalker. Do Flash Gordon ele tirou a ideia das batalhas espaciais, do imperador malvado e dos mundos de gelo e de florestas. Mas acrescentou as batalhas aéreas da Segunda Guerra Mundial e as lutas de espada dos samurais japoneses.
Se prestarem atenção vocês vão ver que muitos dos movimentos dos jedis são tirados do Kendo, a arte marcial dos espadachins nipônicos. Isso não tira o mérito de George Lucas. Ele teve sucesso em criar uma mitologia moderna, que os jovens adoram. Tanto que a Disney comprou os direitos de Star Wars e vai produzir os próximos filmes.
“Flash Gordon” o precursor, acabou virando um filme colorido em 1980. Mas o produtor Dino de Laurentis errou ao adotar um estilo de farsa, inspirado no seriado do Batman dos anos 60. E o filme só fez sucesso na Inglaterra. Para quem quiser conferir, “When the Worlds Colide” e “Flash Gordon” estão disponíveis em DVD de região 1.


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