Caminhando no espaço - Diário do Vale
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Caminhando no espaço

Matéria publicada em 28 de outubro de 2019, 08:10 horas

 


Americanas consertam ISS e agora querem ser as primeiras na Lua

No dia 18 de outubro, sexta-feira passada, as americanas Christina Koch e Jessica Meir entraram para a história dos voos espaciais ao realizarem o primeiro passeio espacial feminino. Elas saíram da Estação Espacial Internacional, a mais de 400 quilômetros de altura e passaram sete horas e 17 minutos realizando um reparo no sistema elétrico da plataforma orbital. Em uma entrevista, transmitida do espaço, as duas astronautas contaram que seu objetivo agora é se tornarem as primeiras mulheres a caminharem na superfície lunar.
Essas atividades do lado de fora das naves são conhecidas, popularmente, como “caminhadas no espaço”. Mas, na verdade, ninguém caminha no vazio. As pessoas flutuam presas à nave por um cabo de segurança. A Nasa classifica esse tipo de atividade com a sigla E.V.A, de Extra Vehicular Activity (Atividade Extraveicular). A primeira pessoa a fazer isso foi o cosmonauta soviético Alexey Leonov, falecido recentemente. Ele saiu da Voskhod 2 e flutuou sem controle no espaço durante 12 minutos em março de 1965. Logo depois, em junho do mesmo ano, o astronauta Ed White passou 20 minutos flutuando do lado de fora de sua nave, a Gemini 4. Ao contrário de Leonov, White tinha uma pistola a jato que permitia que ele controlasse os seus movimentos. E sua roupa espacial era bem mais aperfeiçoada que a do russo.
As mulheres tiveram que esperar duas décadas para terem a mesma oportunidade. A primeira E.V.A feminina foi outra conquista soviética. No dia 25 de julho de 1984 a engenheira Svetlana Savitskaya saiu da estação orbital Salyut 7 testando uma ferramenta de soldagem do lado de fora do laboratório orbital. Ela foi acompanhada e assistida pelo seu colega Vladimir Dzhanibekov. Os russos programaram a missão quando souberam que uma americana, a astronauta Kathryn Sullivan, pretendia se tornar a primeira mulher a caminhar no espaço durante uma missão do ônibus espacial Challenger.
Nos últimos 35 anos 15 mulheres realizaram passeios no espaço. Sempre na companhia de um homem. Foi só este ano, com o lançamento do projeto Artemis, que a Nasa decidiu realizar uma caminhada espacial totalmente feminina. Ela deveria ter acontecido no dia 29 de março passado, quando a mesma Christina Koch deveria ter saído no espaço com sua colega Anne McClain. Mas McClain acabou ficando dentro da ISS porque na ocasião não havia uma roupa espacial adequada para o tamanho dela.
Em uma entrevista transmitida do espaço, Koch e Meir revelaram seus planos para o futuro. Christina se encontra na ISS desde o início do ano e pretende bater o recorde de outra americana, Peggy Whitson, que ficou 288 dias no espaço. Já Jessica Meir revelou que sonha em ser astronauta desde que era criança. Quando cursava o segundo grau ela escreveu em seu diário que “caminhar no espaço” era seu objetivo. Cumprida a tarefa elas agora sonham em andar na Lua, coisa que só os homens fizeram até hoje. Desde 1972 que os astronautas não visitam o satélite natural da Terra. Isso deve voltar a acontecer em 2024, de acordo com o cronograma do Projeto Artemis, lançado pelo governo Donald Trump.
A ideia é pousar um módulo, com um homem e uma mulher no polo sul da Lua. Local onde existem reservas de água que permitem a instalação de uma base. Uma nave tripulada por duas mulheres seria uma façanha ainda mais sensacional. Todavia o Artemis enfrenta o desafio de desenvolver um novo tipo de módulo lunar em apenas cinco anos. A empresa do bilionário Jeff Bezos já anunciou que aceita o desafio.

 

Jorge Luiz Calife


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