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Ciência: A nova corrida lunar em fase decisiva

Matéria publicada em 12 de setembro de 2019, 08:00 horas

 


Sonda chinesa descobre um gel misterioso em cratera do lado oculto da Lua

A nova corrida lunar está revelando aspectos desconhecidos da nossa Lua. Na semana passada a agência espacial chinesa revelou que seu robô, o Yutu 2, descobriu um material estranho na superfície lunar. Os chineses descreveram a substância como uma espécie de “gel” colorido, mas não deram mais detalhes. O Yutu 2 ia se deslocar para oeste quando as câmeras revelaram o material desconhecido e o controle da missão resolveu investigar.

Cuidadosamente, usando seus sistemas de desvio de obstáculos, o robô se aproximou da cratera e sondou o material com seus Espectrômetros de Luz Visível e Infravermelho. O espectrômetro pode determinar a composição de uma substancia a partir da luz que ela emite. Mas os resultados ainda não foram compartilhados com o resto do mundo. Como a Lua não tem atmosfera e sua superfície encontra-se continuamente exposta ao vácuo do espaço qualquer substancia liquida ou gelatinosa secaria e evaporaria rapidamente. Sem maiores informações os cientistas da agência espacial americana NASA especulam que a substância pode ser vidro derretido, produzido pelo impacto de meteoritos.

A primeira corrida lunar aconteceu na década de 1960 e envolveu os Estados Unidos e a União Soviética. Os russos foram os primeiros a pousar um robô na superfície da Lua, mas os americanos venceram a corrida quando seus astronautas caminharam na Lua entre 1969 e 1972. A nova corrida lunar envolve Estados Unidos, China, Israel e Índia. Na sexta feira passada a agencia espacial indiana enfrentou problemas na sua tentativa de pousar um robô, semelhante ao Yutu 2, no polo sul lunar. Tudo correu bem até o momento em que a sonda Vikram 2 se encontrava a 400 metros da superfície lunar e a um quilômetro do local de pouso. Nesse momento todo o contato com a sonda foi perdido.

Foi uma grande decepção para os indianos. O primeiro ministro se encontrava no centro de controle da missão e havia um coral esperando para cantar o hino nacional indiano assim que recebessem a notícia de um pouso bem sucedido. O que não aconteceu. Tudo indica que a nave se espatifou no solo lunar, como aconteceu com a sonda israelense. Por enquanto só os chineses tiveram sucesso.

Mesmo assim a missão foi um sucesso parcial. A nave indiana é formada por dois módulos, um que ficou em órbita circulando em torno da Lua e o modulo que tentou pousar. O módulo orbital continua funcionando e enviando imagens para a Terra. Tanto israelenses quando indianos prometem fazer novas tentativas. Como era de se esperar os planos mais ambiciosos são dos Estados Unidos. Onde o projeto Artemis da NASA pretende colocar um homem e uma mulher no polo sul lunar em 2024.

Mas porque o interesse pelo polo sul? Porque nessa região existem crateras onde o Sol nunca brilha e podem existir depósitos de água congelada trazida por cometas que bombardearam a Lua há milhões de anos. A existência de água tornaria mais fácil os planos de construir uma pequena base lunar, onde cientistas poderiam viver e fazer pesquisas como acontece atualmente na Antártida.

Por ficar relativamente perto da Terra a Lua é o lugar ideal para testar as tecnologias que serão necessárias para futuras viagens a outros planetas.

Por: Jorge Luiz Calife


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