Colônia em Marte ainda é pura ficção

Por Diário do Vale
Missão: Nasa desistiu da viagem no governo Obama (Foto: Divulgação)

Missão: Nasa desistiu da viagem no governo Obama (Foto: Divulgação)

Jorge Luiz Calife

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O projeto de colonização de Marte, da fundação holandesa Mars One, continua a receber destaque na imprensa. Semana passada uma brasileira, que se candidatou para ir a Marte, em uma viagem sem volta, apareceu em telejornais e no Fantástico. A Fundação pretende selecionar os voluntários através de um reality show e manda-los para Marte em cápsulas espaciais Dragon, da Space X. Essas pessoas terão que viver em Marte em cubículos de 23 metros cúbicos até que seja possível construir uma base maior no planeta. Mas nas condições propostas é pouco provável que cheguem lá.

A Dragon V2 é uma pequena cápsula espacial criada para levar astronautas para a estação espacial internacional. Ela é lançada por um foguete químico do tipo Falcon. Uma viagem a Marte com um veículo de propulsão química levaria seis meses. Seis meses durante os quais a tripulação ficaria sujeita aos efeitos da radiação solar e cósmica. Mesmo que as naves fossem equipadas com um cofre de chumbo, para as pessoas se esconderem durante as erupções solares, é provável que as mulheres chegassem a Marte completamente estéreis. E com mulheres estéreis a colônia marciana não teria condições de se expandir.

Além disso, o projeto todo está orçado em 6 bilhões de dólares. Dinheiro que o empresário Bas Lansdorp pretende arrecadar através de um reality show. Mostrando ao vivo o treinamento dos candidatos. É muito dinheiro para ser arrecadado com um simples programa de TV. E a ideia nem é original. Foi tirada do seriado de ficção científica Virtuality. Que fracassou e não passou do filme piloto.

Em 1989 o presidente americano George Bush pediu a agência espacial Nasa que estudasse a viabilidade de uma missão tripulada ao planeta Marte. Os engenheiros americanos projetaram espaçonaves enormes, blindadas contra radiação e movidas a energia atômica. Para chegar a Marte no menor tempo possível. O custo do projeto foi estimado em 400 bilhões de dólares, o que levou a Casa Branca a desistir da ideia. Na década de 1990 o engenheiro espacial Robert Zubrin bolou uma missão alternativa. A Mars Direct que custaria “apenas” 55 bilhões. E usaria três naves lançadas da Terra pelo foguete Ares. Bem mais arriscada do que o projeto da Nasa, a Mars Direct foi incorporada ao projeto Constellation, cancelado pelo presidente Barack Obama.

É por isso que a maioria dos especialistas em astronáutica duvida das propostas de fundação holandesa. Além disso, embora afirmem que vão usar a cápsula Dragon e os foguetes Falcon X, para lançar os primeiros colonizadores em 2025, até hoje não foi feito nenhum contato com a Space X, a empresa que fabrica esses engenhos. É bom lembrar que nos anos de 1960, a Nasa levou dez anos para desenvolver as naves Apollo, que levaram os astronautas a Lua. E uma viagem a Lua leva só três dias e não seis meses como uma expedição a Marte.

Tudo isso faz com que o projeto Mars One lembre mais uma jogada de marketing, um golpe publicitário do que uma proposta séria de colonização espacial. Nos vídeos da Mars One o campo base, da colônia marciana, aparece formado por dezenas de cápsulas Dragon, interligadas por tubos flexíveis. É nessas cápsulas, de 23 metros cúbicos de espaço interno, que os candidatos pretendem passar o resto de suas vidas. Uma proposta não muito agradável. Para sair lá fora, no ambiente marciano, eles terão que usar escafandros pressurizados. Marte não tem água, nem vegetação, é um deserto gelado onde a temperatura cai a oitenta graus negativos durante a noite. Tempestades de poeira fazem o dia se transformar em crepúsculo e duram semanas. Não existe nenhum estudo psicológico que garanta que as pessoas conseguiriam sobreviver nessas condições. E existem meios mais simples de cometer o suicídio.

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