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Conto: Nomes

Matéria publicada em 7 de abril de 2015, 06:40 horas

 


Estava lutando bravamente com uma azeitona rebelde que se recusava a deixar espetar-se, quando num breve olhar vi na TV a legenda com o nome do entrevistado: Epílogo Felizberto

Cheguei a pensar que fosse algum efeito alucinógeno da prima da azeitona indômita, consumida alguns minutos antes, mas acabei constatando que era mesmo o nome do entrevistado. E pra que ninguém duvide da veracidade deste relato, até tirei uma foto da tela.

Pra começo de conversa, o primeiro nome do rapaz é Epílogo. Mas como assim, se ‘epílogo’ designa justamente o fim?

Pra se redimir, o pai deve ter tentado corrigir a extravagância no último nome, lançando mão de um adjetivo disfarçado: Felizberto!

Epílogo Felizberto. Mas parece que o nome teve pouca influência no destino do rapaz, porque a matéria falava das enchentes que os moradores de Rio Branco no Acre vinham enfrentando. Um epílogo nada feliz, portanto.

Mal qual o limite para a criatividade dos pais na escolha dos nomes dos filhos?

Fucei na net e encontrei nomes ainda mais exóticos:

Arquiteclínio Petrocoquínio de Andrade (podia terminar com Andradínio para completar o raciocínio)

Antônio Morrendo das Dores (e morrendo de vergonha também)

Aldegunda Carames More (sem rimas, please)

Antonio Manso Pacífico de Oliveira Sossegado (tá tranquilo esse)

Chevrolet da Silva Ford (esse já nasceu fazendo merchan)

Colapso Cardíaco da Silva (será que o pai é hipocondríaco?)

Meus exemplos param por aqui, porque a lista é enorme como o nome do Dom Pedro I: Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon. Um grande Imperador, nem que seja no nome.

Mas vamos convir que não é mesmo fácil dar nome a um filho. Se o sujeito escolhe um nome comum vão dizer que não teve imaginação, se cria um mais exótico vão dizer que deveria ter colocado um nome “normal” na criança.

Descobri que nome também segue uma moda. Em 2015 estão na moda Sofia, Júlia, Valentina, Alice, Gabriel, Miguel, Yuri e Davi. Só que ao contrário das roupas, você não pode desvestir um nome no verão seguinte. Tem que desfilar com o nome boca de sino pelo resto da sua vida.

– Bom dia, meu nome é Boca de Sino da Gola Rolê de Souza Forever, tenho uma reserva pro voo das 18 horas…

Também são comuns as invencionices em que se mistura o nome da mãe com o do pai, e daí nasce a Robellen (filha do Roberto com a Suellen) e o Jumerson (filho da Júlia com o Émerson). Tá tudo certo. Gosto não se discute. Nome de filho alheio menos ainda.

Há casos ainda mais insólitos. Odvan, o ex-zagueiro do Vasco, recebeu esse nome em homenagem à música “O divã”, do Rei Roberto Carlos. Nem Freud explica tamanha criatividade. Baby Consuelo batizou as filhas de Nana Shara e Zabelê. Bizarro. Pior fez o cantor Prince, ídolo da música pop dos anos 80, que trocou seu nome por um símbolo impronunciável. Quando percebeu que as pessoas pararam de falar dele, voltou a usar seu nome de batismo.

Pra terminar a lista de esquisitices, veja só a grafia dessa localidade do País de Gales:

Llanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogogoch

Depois de ler tantos nomes exóticos passei a olhar com bons olhos o “Epílogo Felizberto”, um nome bem construído e bastante comportado, considerando o que achei por aí. Epílogo Felizberto! Até que soa bacana e simpático.

Pena que meus dois filhos pequenos já foram batizados.

Alexandre Correa Lima [email protected]


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