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‘Corações de Ferro’ recria combates na Europa com todo o realismo

Matéria publicada em 9 de abril de 2015, 06:36 horas

 


Filme já começa em 1945, o último ano da guerra contra os nazistas na Europa, Brad Pitt é Don “Wardaddy” Collier, um sargento do exercito americano

Brad Pitt: A guerra dentro de um tanque (Foto: Divulgação)

Brad Pitt: A guerra dentro de um tanque (Foto: Divulgação)

A única estreia cinematográfica da semana é “Corações de Ferro”. Um filme de guerra, sobre a tripulação de um tanque Sherman na Segunda Guerra Mundial, estrelado pelo Brad Pitt e o Shia Labeouf. Pra variar esta passando no Gacemss, que não costuma exibir esse tipo de filme. Deve ser consequência da crise. O filme, do diretor David Ayer (Dia de treinamento) é um programa imperdível para quem se interessa por tecnologia militar e pela história da Segunda Guerra Mundial. A produção caprichou para conseguir o máximo de realismo e até conseguiu um tanque Tigre alemão, original, para a cena de batalha contra os Shermans do Brad Pitt.

Ir para a guerra dentro de um tanque pode parecer uma boa maneira de se garantir a sobrevivência. Os soldados que servem nos tanques ficam dentro de caixas de metal blindado e não correm o risco de morrer atingidos por um franco atirador ou por um ninho de metralhadoras do inimigo. Mas não estão completamente seguros. Como mostra o filme os tanques são vulneráveis a tiros de canhão, bazuca e aos foguetes disparados por aviões. E se a blindagem for perfurada aquele chassi de metal do tanque vira um forno crematório e morre todo mundo.

O filme já começa em 1945, o último ano da guerra contra os nazistas na Europa. Brad Pitt é Don “Wardaddy” Collier, um sargento do exercito americano que comanda um grupo de cinco soldados, tripulantes de um tanque Sherman. Ele está há anos na frente de batalha e se tornou um guerreiro cruel, implacável e cansado. As vésperas de uma batalha final contra os nazistas o grupo recebe um novo recruta. Um rapaz assustado que passou a vida como contador em um escritório até ser convocado para o exército. O sargento Brad Pitt tenta tranquiliza-lo dizendo: “Eu não pedirei a você nada que eu não pudesse fazer.” O que não são palavras muito tranquilizadoras.

“Corações de Ferro” é um filme de guerra no estilo moderno. Onde os “mocinhos” as vezes fazem coisas condenáveis, como executar um prisioneiro de guerra ou estuprar uma cidadã alemã. O que levou muita gente a criticar o filme nos Estados Unidos. Afinal, Hollywood condicionou as plateias, durante décadas, a acreditar que os malvados eram só os japoneses e os alemães, os soldados aliados eram incapazes de cometer atrocidades ou crimes de guerra.

O diretor David Ayer discorda e acha que soldados, de qualquer nacionalidade, insensibilizados pelos horrores da guerra são capazes de qualquer coisa.

Filmes de guerra sobre tanques são relativamente poucos e raramente mostram o equipamento real usado no conflito de 1939-1945. Na década de 1960, que foi o apogeu dos filmes de guerra, tivemos três superproduções sobre o assunto. “Uma Batalha no Inferno” com Henry Fonda e Tely Savallas, “Patton: Rebelde ou Herói” e a comédia de ação do Clint Eastwood “Os guerreiros pilantras. Nos dois primeiros foram usados tanques americanos, para simular os Tigres alemães pela impossibilidade de se encontrar blindados desse tipo ainda funcionando. “Nos guerreiros pilantras” foi usado um tanque russo, T-34, com uma carcaça de madeira em cima para simular um Tigre.

Os cineastas modernos não se contentam com esse tipo de imprecisão. Para “Corações de Ferro” o diretor retirou o último tanque Tigre ainda funcional de um museu em Bovington na Inglaterra. Ele é usado na cena em que toda uma coluna de tanques americanos enfrenta a fortaleza móvel dos nazistas. As armas usadas pelos atores também são genuínas, e Brad Pitt empunha um fuzil de assalto alemão, Sturmgewehr 44, que foi o antepassado dos fuzis automáticos usados atualmente.

As batalhas foram filmadas em Oxfordshire na Inglaterra e os atores se gabam de ter dormido na chuva e passado dias sem tomar banho, como soldados reais. O resultado é um filme bem interessante para os apreciadores desse gênero.

Jorge Luiz Calife/ [email protected]


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