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Crônica: A Morte do Ideal

Matéria publicada em 30 de março de 2015, 06:41 horas

 


Sonhei que o mundo estava acabando.

Todos aflitos e desesperados tentando fazer tudo aquilo que quiseram em toda a vida e nunca fizeram.

Queixaram-se todos por não terem sidos avisados, pediram mais um tempo porque a lista de afazeres era grande e ainda não tinham vivido nada.

Pedidos negados chegou o dia do julgamento.

– Que fizeste com a vida que recebeste?

– Estudei, trabalhei, servi o exército, fui à igreja, casei, tive filhos, comprei um carro, fiz umas viagens eventuais e pontuais, fiquei velho. Aí já não tinha mais muita saúde para fazer algumas coisas diferentes.

– Pois bem, pela vida que viveste declaro-te escravo eterno.

– Mas por quê? Sempre disseram que quando eu aqui chegaste a vida seria melhor.

– E estavam certos, entretanto eu sempre quis e desejei que fosse livre e gozasse a vida na suprema liberdade.

– A esses, aqui nada mais é do que a continuação do seu paraíso particular.

– Aos outros que se ausentaram da sua liberdade viveram um inferno e uma vida sem o total sentido. Quanto a esse grupo, sinto, mas o inferno lhes seguirá.

– Ora, então era isso?

– Sim, simples assim.

Fizeram-te acreditar que a liberdade era um erro, justamente para não te deixarem viver num paraíso.

E para isso disseram em todos os momentos que não fosses dono de si.

Desculpe, mas deixei o vento, a borboleta e os passarinhos; para lhes servirem de amostra quanto a ser livre.

– Tudo bem, se é assim.

– A que horas começo?

Geisler Vanil Alves da Silva | [email protected]


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