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Crônica: Façam suas apostas

Matéria publicada em 18 de maio de 2015, 10:36 horas

 


Final de campeonato é sempre um momento difícil no Brasil, todos os que gostam ficam alvoroçados, se for o time do coração que estiver na final então, ai que o coração vai à loucura, mas mesmo não sendo têm-se sempre o motivo de secar o rival e quando ele perde dá o mesmo gosto de vitória como se fosse o próprio time ganhando.
Na semana que antecede a grande final, começam as especulações, quem será o grande jogar? Acho que ele vai ser o cara decisivo da partida. Que nada, aposto que vai ser aquele camisa 7, o cara tá jogando muito.
E a escalação do treinador todos os palpiteiros sugestionam o melhor esquema, os repórteres passam a semana no campo de treinamento tentando pegar alguma coisa, uma fala do treinador, do jogar, o modo como está sendo organizado o time.
Dificilmente ele consegue, é quase sempre a mesma história, a parte de treinamento é fechada e o suspense é levantado. Os jornais então pegam esse suspense e todos os dias falam sobre ele, mas é claro que de forma diferente.
Nas ruas a ansiedade para o grande dia é tanta que não se fala em outra coisa, como uniforme de trabalho as pessoas transitam nas ruas exibindo a camisa dos seus times, o problema é quando cruzam essas camisas de times diferentes no mesmo lugar, dependendo da rixa a coisa fica feia.
Enfim chega o grande dia, domingão de sol, 16 h da tarde, todos apostos seja nos estádios ou em casa. Latinha de cerveja na mão, churrasqueira acesa, bandeira pendurada, corneta na mão e fogos preparados.
Todos fizeram suas apostas, inclusive Deus, pois é.
O jogo tá lá quente, bola pro lado e para o outro, os jogadores se matando de correr, chutar ao gol, sofrer falta, obedecer as instruções do professor. Vem aquele jogar do banco de reserva, aos 30 min do segundo tempo e faz o gol decisivo da partida, ninguém dava nada pelo cara. Acaba o jogo, todos chorando, se abraçando, comovidos pela vitória e eis que entra o repórter em campo para falar com o treinador.
– Professor, hoje é um dia muito feliz para o senhor e sua equipe, mais um marco. Parabéns! Mas, a que o senhor atribui essa vitória?
– Olha, eu quero agradecer a Deus, porque foi por conta dele que ganhamos esse jogo, toda honra e glória é para ele. Eu to muito feliz, mais esse ano que Deus está abençoando.
-Professor e quanto a entrada desse jogador que é revelação de base, e que decidiu a partida?
-Todos nós fizemos nossas apostas no camisa 7, mas hoje ele não vinha jogando muito bem, então entrou esse menino que graças a Deus fez esse gol pra gente.
– E como vai ser agora para o próximo campeonato?
-Nós já começamos a discutir com Deus pra vê se ele aposta em nós de novo, até por que nesse outro campeonato paga mais e tal, sabe como é né! Mas nós estamos trabalhando para dar tudo certo, e vai ser o que Deus quiser.
-Estivemos aqui com ele esse treinador maravilhoso, é com você agora.
Então, já fizeram suas apostas para o próximo campeonato? Ainda não! Que comece então todo o desespero, eu só daria assim uma sugestão, seria menos aflitivo se os repórteres já perguntassem pra Deus, qual foi o time que ele apostou.

Geisler Vanil Alves da Silva
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