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Crônica: Um homem e o violão

Matéria publicada em 13 de abril de 2015, 06:46 horas

 


Nessa tarde tinha na rodoviária daquela cidadezinha, um homem. Diferente de todos os que haviam ali, ele tinha na mão um violão e nada mais.

Ele era albino, estava calçando um sapato samello preto, a meia era marrom, vestia uma calça azul marinho e usava uma camisa social bege. Para fechar o figurino ainda tinha o boné vermelho; detalhe importante.

Estava ainda comprando minha passagem, quando de longe ouvi aquela voz doce e suave e aquelas dedilhadas no violão de forma tão delicada e harmônica. Me agilizei e logo me apressei a sentar ao lado daquele senhor.

Ele tão prontamente se animou, tratou de tirar uma música, e por incrível que pareça era uma das minhas preferidas. Eu fiquei ali, estático a observá-lo, a música e o som do violão estava em perfeita sintonia, a voz dele até me lembrou Noel Rosa, Vitorino Silva e alguns outros daquela época. Quando aquela música acabou, eu logo pedi para ele tocar outra, sem pestanejar atendeu ao meu pedido. As pessoas que passavam por ali, algumas ficavam admirando, outras riam. Ele por alguns momentos no meio das músicas levantava-se e olhava para a pista, não dava pra entender se ele estava esperando alguém ou algum ônibus. Logo ele sentava-se e puxava outra canção; para minha alegria.

Infelizmente meu ônibus chegou e tive que ir embora. Fiquei com a impressão que aquele senhor humilde, mas de um talento enorme ia naquele lugar todos os domingos. Aos amigos que quiserem conferir, sugiro ir à rodoviária daquela cidadezinha, só pra ouvir aquele homem tocar e cantar. Vai valer a pena e a alma agradece.

Geisler Vanil Alves da Silva/ [email protected]


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