segunda-feira, 25 de outubro de 2021 - 07:45 h

TEMPO REAL

 

Capa / Lazer / David A. Hardy, o decano da arte espacial

David A. Hardy, o decano da arte espacial

Matéria publicada em 26 de junho de 2017, 07:00 horas

 


Britânico é o mais antigo artista espacial ainda vivo

Com oitenta e um anos de idade, o inglês David A. Hardy é o mais antigo expoente da arte espacial ainda vivo e ativo. Sua arte tem ilustrado livros de astronomia e ficção científica desde a década de 1950. No Brasil a arte de David A. Hardy já foi reproduzida em revistas sem menção do nome do autor. Mas quem se interessa pelo assunto conhece bem o estilo desse inglês perfeccionista e bem humorado. E seus livros de arte espacial podem ser adquiridos nas boas livrarias da internet.
A arte espacial surgiu da necessidade de ilustrar livros de astronomia numa época em que não existiam as naves e os telescópios espaciais. Pintores talentosos como os americanos Chesley Bonestell e Robert McCall (Já falecidos), os europeus David A. Hardy e Ludek Pesek e o russo Andrey Sokolov tentavam imaginar como seria a paisagem num planeta com dois sóis, ou a visão de Saturno de uma de suas luas. Com o início da corrida espacial a ideia de viajar até esses mundos exóticos deixou de ser uma fantasia e tornou-se uma possibilidade.
E as pinturas astronômicas passaram a incluir naves futuristas e astronautas explorando luas e mundos distantes. O que abriu um novo mercado para esses ilustradores, o das capas das revistas de ficção científica.
David A.Hardy nasceu em Birmighan, na Inglaterra, no dia 10 de abril de 1936. Desde pequeno demonstrou interesse pela arte e pela ciência. Como gostava mais de arte cursou o Margaret Street College of Art em sua cidade Natal. E entrou para a Sociedade Interplanetária Britânica, um grupo de entusiastas dos voos espaciais que incluía a famoso escritor Arthur C.Clarke. Em 1954 David Hardy foi chamado para ilustrar um livro do astrônomo Patrick Moore o que deu início a uma longa colaboração entre os dois.
Em 1972 surgiu o belo “Challenge of the Stars” (O desafio das estrelas) com texto de Patrick Moore e 36 pinturas do artista. Um passeio pelo universo das galáxias, estrelas múltiplas e seus planetas. O livro se tornou um marco no gênero e ganhou uma edição atualizada em 1978, “The New Challenge of the Stars” (O novo desafio das estrelas). Na época o filme “Guerra nas estrelas” fazia sucesso no mundo inteiro e a capa do livro mostra naves triangulares atacando um satélite esférico, muito semelhante a Estrela da Morte do filme de George Lucas.
Na década de 1970 as imagens enviadas pelas sondas espaciais da Nasa começaram a rivalizar com o trabalho de artistas como Hardy. Mesmo assim a arte conseguia se manter a frente da ciência. Uma pintura de Hardy antecipou o aspecto que teria o planeta Plutão, que só seria visitado por uma nave espacial em 2015. Dave Hardy também ilustrou o projeto real da nave interestelar Dedalus, desenhada pela Sociedade Interplanetária Britânica. A Dedalus não passou de um estudo teórico, mas voou nas pinturas do artista inglês.
Em 1989 David Hardy editou o livro Visions of Space (Visões do Espaço) que incluía alguns dos melhores trabalhos de artistas de ambos os lados do oceano Atlântico. Como os americanos Ron Miller e Don Dixon, o russo Sokolov e os colegas europeus de Hardy. Por desconhecimento o livro ignorou o único brasileiro que se destacou nesse tipo de arte. Rubens Azevedo, que por morar aqui, ao sul do equador, nunca teve seu trabalho reconhecido.
Apesar de todos os avanços da astronomia e da astronáutica, o trabalho dos artistas espaciais não foi superado. Afinal ainda vai levar muito tempo para que possamos viajar pela galáxia, como nas pinturas do David Hardy.

Por Jorge Luiz Calife
[email protected] 

"Mining Operations on Titan" by David Hardy (1972)

Futuro: Explorando uma lua de Saturno
(Fotos: Divulgação)

 

Guerra: A capa do Desafio das Estrelas

Guerra: A capa do Desafio das Estrelas

 

Paisagem: O mundo de um sol duplo

Paisagem: O mundo de um sol duplo

 

Chegada: A nave se aproxima de um mundo distante

Chegada: A nave se aproxima de um mundo distante


Comente com Facebook
(O Diário do Vale não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)

2 comentários

  1. الفتح - الوغد

    Não se perca enveredando por assuntos políticos, Calife. Teu forte é esse: falar do espaço sideral e de loiras reluzentes do cinema. Isso sim notabiliza tua coluna nas páginas do DV…

    A propósito do tema, não se faz mais artistas como antes, seja em qualquer área. O ser humano perdeu a criatividade em pintar com o advento da fotografia; de escrever, com o surgimento do cinema e posteriormente de outras mídias de massa; de desenhar, após a disseminação do uso dos softwares. Nem música boa tem sido composta mais… Estamos na era das banalidades sensoriais…

  2. Muito bom este artista! Será que George Lucas se inspirou nele também? São muito legais estes desenhos de uma época em que ainda não havia todos os retoques digitais de hoje e o artista tinha que fazer tudo à mão e na tinta.

Untitled Document