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‘Estante urbana’ desembarca em Portugal

Matéria publicada em 13 de março de 2020, 08:55 horas

 


Anderson de Souza pintará em galeria a céu aberto na Europa; artista foi um dos oito selecionados para residência artística

O artista visual Anderson de Souza, de Volta Redonda, desembarca em Portugal neste domingo, dia 15, para a sua primeira residência artística internacional. O artista leva em sua bagagem toda a experiência de graffiti produzida nas ruas da região com os seus personagens icônicos – de um olho só – que observam atentamente dos muros a sociedade contemporânea. Agora, o trabalho do artista alcança voos fora do Brasil e estará em uma galeria a céu aberto na cidade de Fafe, em Portugal, na região do Porto.
Anderson foi um dos oito classificados através de um edital para o projeto Café Cultural / Residências Artísticas. A seleção aconteceu levando em conta os quesitos currículo e proposta artística. Na galeria onde todos têm acesso, a exemplo de Wynwood em Miami, Anderson de Souza vai expor um projeto educativo e cultural chamado “Estante urbana”, que integra livros, pessoas e ideias. A proposta principal é de incentivo à leitura com o bom e tradicional livro físico em mãos.

Anderson de Souza: ‘Fico muito feliz de poder fazer parte deste projeto e deixar minha arte no continente europeu’ (Fotos: Divulgação)

– Creio que a arte deve deixar um legado e trazer uma reflexão social. E nos dias de hoje, onde somos controlados pela tecnologia e nos informamos em grande parte através das redes sociais, sinto que as relações pessoais e o hábito pela leitura estão sendo deixados de lado. Dentro deste contexto, meu painel vai discutir essa temática, onde os personagens ao invés de navegarem nas ondas da internet, lançam-se no mar do conhecimento – disse, acrescentando que esta é a primeira residência artística, fora do Brasil. “Vou ficar por 20 dias estudando, pintando e tendo contato com outra cultura e conto com o apoio do Gacemss e do UGB/FERP”.
Anderson de Souza destaca que a arte urbana é uma expressão desenvolvida nas ruas que transmite uma mensagem e interfere no cenário das cidades e grandes metrópoles dando cor e representatividade.
– A arte urbana, hoje, vem sendo utilizada pelas cidades mundo afora como uma ferramenta de fomento à cultura, renda e turismo. Irei pintar em Fafe, uma cidade portuguesa que respira cultura e construiu uma galeria de arte a céu aberto, que através de editais e curadoria, recebe grandes artistas de diversas partes do mundo. Fico muito feliz de poder fazer parte deste projeto e deixar minha arte no continente europeu – falou.
Desde 2013 o artista se dedica à pintura e intervenções urbanas tendo como discurso o controle social sob a vigilância de câmeras de segurança, tendo como base Gilles Deleuze e Michel Foucault, ambos filósofos exercem influência na atualidade.
– A base dos meus trabalhos são as teorias da sociedade disciplinar e a sociedade do controle de Gilles Deleuze e Michel Foucault: um trabalho de pesquisa que começou em 2013 quando fiz artes visuais na Unicamp. Já que o sistema pode te observar e controlar, através da instalação de câmeras por toda parte; a arte também pode confrontar o sistema através dos grandes olhos pintados nos muros. Foi assim que esses “olhos de câmeras” viraram minha marca registrada – explicou.
O graffiti é um dos pilares do trabalho de Anderson de Souza e essa técnica, que teve início na década de 70 em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Tem como influência Jean-Michel Basquiat na nova geração de grafiteiros, além disso, o graffiti vem conquistando cada vez mais o público nas ruas.
– Geralmente nós artistas visuais trabalhamos sozinhos e em silêncio dentro dos nossos ateliês, no entanto, quando pintamos na rua, sentimos ao vivo as manifestações das pessoas que passam a pé, de carro ou ônibus. As reações são diversas. Alguns perguntam o significado da arte que estamos fazendo, outros apenas tiram fotos e muitos olham em silêncio, mas, com certeza, são afetados pela mensagem. A energia da rua é mágica – comentou.
Anderson de Souza enfatizou que a arte é o seu lugar na existência.
– A arte é o meu lugar de existir. É através dela que me expresso e me comunico com o mundo! – disse.

‘Estante urbana’: Proposta principal é de incentivo à leitura com o bom e tradicional livro físico em mãos


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