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Guia de leitura: A história do último escravo norte-americano

Matéria publicada em 7 de outubro de 2021, 15:41 horas

 


Olualê Kossola relembra como foi capturado na África e levado para os EUA

Testemunho: A escravidão aos olhos de um ex-escravo

A escravidão tem sido uma mancha na história de humanidade. Os antigos gregos, com toda a sua cultura e filosofia mantinham escravos em suas residências. E acabaram virando escravos dos romanos. E em pleno século 21 o Estado Islâmico mantinha pessoas escravizadas em seus territórios. Mas quando se fala em escravidão o que vem na memória da maioria das pessoas são os milhões de negros capturados nos países africanos e trazidos para a América. Para trabalhar nas plantações de algodão nos Estados Unidos e do ciclo do café no Brasil. Nos Estados Unidos a abolição da escravidão provocou uma guerra civil e o assassinato de um presidente.

Existem poucos sobreviventes dessa época terrível, mas a escritora americana Zora Hurston conseguiu falar com um deles, que ainda vivia no sul dos Estados Unidos no final da década de 1920. Em 1927 Zora Neale Hurston foi até a comunidade de Plateau no Alabama para entrevistar Cudjo Lewis, então com 86 anos. Cudjo ou Olualê Kossola, como era chamado na África era a única pessoa ainda viva capaz de contar sobre o ataque dos traficantes de escravos, que o levou para a escravidão na América 50 anos depois da proibição do tráfico de pessoas nos Estados Unidos.

Depois daquela primeira entrevista a autora retornaria para passar três meses na comunidade que Kossola fundou, e daí surgiu o livro Olulalê Kossola – as palavras do último homem negro escravizado que se tornou um dos livros mais vendidos na lista do jornal “The New York Times”. A autora reproduz as entrevistas com a linguagem típica do ex-escravo e acrescenta o seu estilo claro e repleto de compaixão.

O resultado é um retrato dos horrores da escravidão nos Estados Unidos, que eram então uma das nações mais desenvolvidas do ocidente. E que ainda hoje, no século 21, exerce um legado pernicioso sobre a sociedade americana, como vimos nas manifestações dos supremacistas brancos durante o governo do Donald Trump. O livro esta saindo pela editora Record e com prefácio de Alice Walker

 

Jorge Luiz Calife

 


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