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Guia de Leitura: Nélida Piñon e a versão feminista das Mil e Uma Noites

Matéria publicada em 25 de novembro de 2021, 15:32 horas

 


Livro ganha um novo projeto gráfico e é relançado pela Record

Milenar: A nova versão da heroína das Mil e uma noites

Os contos das Mil e Uma Noites são um clássico da literatura mundial, cuja origem se perde “na noite dos tempos” (Outra expressão muito antiga). A história quase todo mundo conhece, ou deveria conhecer. Scherezade (O nome em árabe quer dizer  “de origem nobre”) é uma moça muito culta e inteligente, que teve a infelicidade de nascer na época e no lugar errados. Ela vive em Bagdá no início da Idade Média. Quando as mulheres eram objetos de posse e simples brinquedos sexuais dos poderosos da Arábia. O poderoso rei da cidade descobre que sua esposa é infiel e manda decapitá-la. Decidido a não ser mais traído ele ordena ao vizir que escolha uma série de virgens para serem suas esposas. Todas elas lhe proporcionarão uma noite de prazeres e serão decapitadas na manhã seguinte.

Logo o estoque de jovens virgens da cidade acaba e o grão vizir tem que oferecer ao rei a sua própria filha, a culta Scherezade. Decidida a não perder a cabeça, como as outras moças do reino, Scherezade bola uma estratégia. Depois da relação sexual ela começa a contar uma história envolvente para o monarca. É uma história longa, cheia de detalhes. O rei feminicida fica com sono e resolve poupar a moça para que continue a história na noite seguinte. E Scherezade consegue arrastar sua narrativa por mil e uma noites seguidas (ela tinha muita imaginação). No final o monarca decide poupa-la do cruel destino. Afinal ela era a última disponível.

A escritora Nélida Piñon, resolveu contar essa história sob uma ótica feminista. Afinal o original árabe já é uma exaltação a criatividade das mulheres. O livro “Vozes do deserto” ganhou o prêmio Jabuti em 2005 e esta sendo reeditado pela Record com um novo projeto gráfico. Para a autora a história de Scherezade mostra a heroína como uma transgressora em uma sociedade patriarcal. Scherezade representa a força mágica da narrativa, enfrentando a morte e a opressão. “O sexo sem amor, obscenamente mecânico, imposto à jovem esposa (possuída mas não amada), não consegue satisfazer ao monarca entediado., mas a sede da palavra é insaciável e o desejo de ouvir o conto inacabado o domina”. O livro foi um sucesso e a primeira edição já se esgotou.

 

Jorge Luiz Calife

 


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Um comentário

  1. Não conhecia a narrativa desse livro , agora sabendo, vou ver se leio a antiga versão e a nova.

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