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Guia de Leitura: Os perigos do turismo no espaço

Matéria publicada em 15 de outubro de 2021, 16:08 horas

 


Livro do Arthur C. Clarke torna-se cada vez mais atual no mundo de hoje

Selene: A capa da edição americana da aventura lunar pelo artista Dean Ellis

Há seis meses atrás, comentei aqui nesta coluna sobre a edição da Aleph, do livro “Poeira Lunar” do Arthur C.Clarke. Escrito em 1961 o livro é considerado uma obra menor do grande mestre da ficção científica. Mas com o avanço dos projetos turísticos espaciais ele fica cada vez mais atual. Esta semana assistimos ao voo espacial do ator William Shatner, o capitão Kirk da série “Jornada nas Estrelas”. Que se tornou o homem mais velho a ir ao espaço aos 90 anos de idade. Atores russos estão na Estação Espacial Internacional gravando cenas de um filme. E tudo isso me faz lembrar da ficção do Clarke, que advertia sobre os perigos de uma viagem de turismo no espaço, numa época em que os voos espaciais estavam apenas começando.
Ao contrário do Isaac Asimov, que sonhava com impérios galácticos totalmente impossíveis, Clarke imaginava suas aventuras espaciais com um pé na realidade. Em 1961 a agencia espacial americana, a Nasa, começava a fazer planos para a exploração da Lua. Só que ninguém sabia como seria a superfície lunar. Alguns cientistas temiam que a Lua estivesse coberta por uma camada de poeira fina como talco, com dezenas de metros de profundidade. Onde qualquer espaçonave, que tentasse pousar afundaria sem deixar vestígios. Numa verdadeira areia movediça cósmica.
Clarke transporta essas preocupações para o futuro. Para uma época em que a Lua já teria sido conquistada e colonizada pelo homem. Em “Poeira lunar” um grupo de turistas espaciais embarca em uma excursão pelo mar da Sede. Um mar de poeira que se formou dentro de uma depressão entre as montanhas da lua. A nave é o Selene, uma espécie de aerobarco projetado para navegar no pó. Tudo vai bem até que um súbito abalo sísmico faz esse Titanic do espaço afundar na poeira, sumindo sem deixar vestígios.
Como a nave é lacrada e pressurizada, passageiros e tripulantes ficam vivos, presos dentro dela. E o suspense da história decorre dos esforços das equipes de salvamento em encontrar e resgatar esses náufragos da poeira. A editora Aleph bem que podia fazer uma nova edição deste livro com uma capa mais realista e mais bonita. Como a da edição americana aí embaixo.

 

Jorge Luiz Calife


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