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Guia de Leitura: Uma injeção de otimismo na ficção científica

Matéria publicada em 22 de outubro de 2021, 15:47 horas

 


As Fontes do Paraíso foi a última obra prima de Arthur C.Clarke

“O futuro costumava ser uma esperança. Agora é uma ameaça”. A frase foi dita pela atriz Naomi Watts no filme Ellie Parker e simboliza muito bem esses tempos sombrios em que vivemos. Até a ficção científica, que costumava sonhar com utopias ficou sinistra. Os filmes só mostram um futuro de guerras e catástrofes. Mas nada como os clássicos do gênero para resgatar a esperança num mundo melhor. Escrito em 1977, “As fontes do paraíso” foi a última obra prima do escritor britânico Arthur Charles Clarke. Um livro premiado que se coloca ao lado das grandes obras do autor como “A cidade e as estrelas”, “Encontro com Rama” e “2001”.
“As fontes do paraíso” é uma viagem no tempo, que nos leva ao passado do Ceilão, a pátria adotiva do escritor, ao futuro próximo do século 22 e a um futuro distante. No eixo da trama esta o sonho do engenheiro Vannevar Morgan, o homem que construiu a “Ponte de Gibraltar” ligando a Europa à África. Morgan quer coroar sua carreira com uma obra ainda mais gigantesca. Uma torre ligando a Terra ao céu, o elevador espacial.
Clarke foi um escritor muito criativo, mas ele não inventou a ideia do elevador espacial. Ela é obra do engenheiro espacial russo Yuri Artsutanov que publicou a ideia no jornal Pravda, da antiga União Soviética nos anos de 1960. Basicamente consiste num feixe de cabos de monofilamento, unindo um satélite no espaço a superfície do nosso planeta. Ao longo do cabo sobem e descem elevadores, tornando obsoletos os estrondosos foguetes atuais. Para que a coisa funcione o satélite tem que ficar em uma órbita geoestacionária e a base do elevador precisa se situar num ponto ao longo do equador.
Clarke queria situar a história no Ceilão, o atual Sri Lanka, o país tropical onde ele escolheu viver a segunda metade de sua vida. O Sri Lanka fica na ponta sul do continente indiano, e não está exatamente no equador. Mas nada pode deter a imaginação do escritor. Clarke deslocou a ilha 800 quilômetros para o sul e a rebatizou com o nome de Tapobrane. E resolveu colocar a base do projeto na montanha sagrada de Sigirya. Onde existe um templo budista que não pode ser demolido.
O livro, que esta disponível no formato tradicional e como ebook é um passeio pelas paisagens idílicas da ilha do Clarke e por seus sonhos futuristas. Culminando, como não podia deixar de ser, com a chegada ao nosso planeta de um emissário. extraterrestre superinteligente que assombra os humanos com sua cultura. Uma viagem no tempo e no espaço.

 

Jorge Luiz Calife


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