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Guia de Leitura: Uma tese, um livro polêmico

Matéria publicada em 29 de janeiro de 2021, 16:02 horas

 


Avi Loeb acha que Oumuamua é artefato criado por alienígenas

“Extraterrestre: O primeiro sinal de vida inteligente fora da Terra” é um livro que ficou famoso antes mesmo de chegar nas livrarias. Editado com versões em inglês, francês e alemão, a obra do astrofísico Avi Loeb, da universidade de Harvard, teve seu lançamento mundial no dia 26 último. Loeb escreveu o livro para defender sua tese de que o objeto extraterrestre Oumuamua, que cruzou o nosso sistema solar em 2017, era, na verdade, um artefato criado por uma civilização extraterrestre.

Oumuamua, que quer dizer “o mensageiro que veio de longe e chegou primeiro” em havaiano, foi detectado pelo telescópio Pan-STARS, que vigia o céu a procura de asteroides. Viajando em alta velocidade Oumuamua deu uma volta em torno do Sol e acelerou de volta para as estrelas distantes. Mesmo com os telescópios mais potentes ele não passou de um ponto de luz no espaço sideral. Mas analisando a luz emitida os astrônomos conseguiram determinar o tamanho e a forma do visitante. Uma coisa alongada, com um comprimento que pode chegar a um quilômetro.

A maioria dos observadores concluiu que Oumuamua era um cometa apagado, vindo de um sistema estelar distante. Mas Avi Loeb e sua equipe de Harvard discordam. No livro ele explica que Oumuamua não é um asteroide, e se move rápido demais e não deixa resíduos nem gases no seu rastro, como faria um cometa. Com base na curva de luminosidade captada pelos telescópios ele concluiu que não é um charuto rochoso como dizem seus colegas. Trata-se, diz ele, de um disco fino que atua como uma vela fotônica de algum tipo.

Poderia ser uma sonda enviada por uma civilização extraterrestre ou parte do sistema de propulsão descartado por uma nave interestelar. Loeb lembra que outro objeto interestelar, o cometa 21/Borisov, também atravessou o nosso sistema solar e exibiu características típicas de um cometa comum. Enquanto Oumuamua continua indefinido e não identificado.

A maioria dos cientistas não concorda com o autor. Mas o editor de ciência do New York Times Dennis Overbie acha que o livro é um apelo para mantermos a mente aberta. Não repetindo o erro dos religiosos que se recusaram a olhar pelo telescópio de Galileu Galilei.

O livro de Avi Loeb ainda não tem uma tradução para o português mas a edição americana pode ser encontrada nas principais livrarias da internet.

 

Jorge Luiz Calife

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