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Helicóptero vai voar em Marte no domingo

Matéria publicada em 9 de abril de 2021, 15:27 horas

 


Será o primeiro voo de um mais pesado do que o ar no planeta vermelho

Pronto: O Ingenuity já liberou suas hélices

Um pequeno helicóptero drone, que chegou no planeta Marte no dia 18 de fevereiro, destravou suas hélices na última quarta-feira e esta pronto para voar. O Ingenuity, como é chamado pela agência espacial Nasa, é a primeira tentativa para se testar uma aeronave capaz de voar na atmosfera marciana. Ele viajou até Marte todo dobrado dentro de uma caixa, presa na parte inferior do carro robô Perseverance. Dentro dele foi colocado um pequeno fragmento do avião Flyer, que os irmãos Wright, os pioneiros da aviação nos Estados Unidos, construíram em 1903.

O Ingenuity é movido a eletricidade produzida por painéis solares. Algumas semanas depois do pouso do Perseverance a caixa se abriu e o drone estendeu suas pernas de pouso, posicionando-se sobre as areias do deserto marciano. Então ele se desligou do Perseverance que se afastou para uma distancia segura. Permitindo que os painéis solares do drone fossem ativados, para carregar suas baterias. Como outras sondas espaciais, o Perseverance desceu em Marte sustentado por paraquedas e foguetes. Já o Ingenuity vai tentar voar usando um conjunto de duas hélices contra-rotativas feitas de fibra de carbono.

Criar uma máquina capaz de voar na atmosfera marciana foi um grande desafio para os engenheiros do Laboratório de Propulsão a Jato de Pasadena, na Califórnia. A atmosfera marciana tem uma densidade 99% menor do que a do nosso planeta, a Terra. Aqui no nosso planeta, para encontrar condições semelhantes as da superfície marciana é preciso subir na estratosfera até uma altura de 30 quilômetros. Normalmente, aeronaves movidas à hélices não funcionam nessas altitudes, só os foguetes e os balões.

Para tentar um voo no ar super rarefeito de Marte as duas hélices do Perseverance terão que girar com uma velocidade de 2400 rotações por minuto. Muito mais rápidas do que qualquer helicóptero comercial ou militar existente no nosso planeta. Além disso, devido a distancia entre Marte e a Terra, o Ingenuity não pode ser controlado por um joystick, como acontece com os drones terrestres.

Os engenheiros do JPL enviarão as instruções, detalhando o que o drone deve fazer. Os sinais de rádio levam dez minutos para chegar em Marte e são armazenados no mini-computador do drone. Que então segue o programa recebido, realizando as manobras que foram programadas. Ele tem autonomia para evitar obstáculos, escolhando a melhor trajetória para chegar nos locais previstos e se mantendo sempre aquecido sob a luz do Sol. Durante as noites marcianas os dois robôs, o carro Perseverance e o helicóptero, enfrentaram temperaturas congelantes de menos 90 graus Celsius. Antes do voo previsto para o domingo, dia 11, o Ingenuity fará suas hélices girarem a baixa velocidade, num teste preliminar, antes de aciona-las com força total para decolar.

Antes de viajar para Marte, o helicóptero drone foi testado nas grandes câmaras de vácuo do laboratório JPL. Lá dentro é possível simular o vácuo do espaço sideral, ou a atmosfera rarefeita de um mundo como Marte. Aqui na Terra tudo funcionou bem durante os testes. E os engenheiros da Nasa esperam que o mesmo aconteça em Marte. O drone de 1,8 quilos de peso é um demonstrador de tecnologia. Se der certo será o primeiro de toda uma série de aeronaves projetadas para dominarem os céus alaranjados de Marte. A Nasa planeja até colocar grandes zepelins circulando pelas atmosferas de Marte e Vênus.

O voo será televisado pelas câmaras do Perseverance e transmitido para a Terra. Mas novamente será preciso esperar mais de dez minutos para receber as imagens e comprovar que tudo deu certo. O progresso da engenharia espacial é feito de tentativas e erros. Que o diga o bilionário Elon Musk, que tem visto suas naves Starship explodirem, uma atrás da outra, durante os testes. Os alunos da escola secundária Vaneeza Rupani, no Alabama, que venceram um concurso para dar nome ao drone, estarão de dedos cruzados no domingo.

 

Jorge Luiz Calife

 

 


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