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Hollywood enfrenta a pandemia

Matéria publicada em 22 de junho de 2020, 14:53 horas

 


Prejuízo dos estúdios já chega a 17 bilhões de dólares só em bilheterias

A indústria cinematográfica nunca enfrentou uma ameaça igual a da Covid-19. Nem os grandes heróis do cinema resistiram ao ataque do coronavírus. “Sem tempo para morrer”, o novo filme do James Bond, com o Daniel Craig, teve sua estreia mundial adiada de abril para novembro. “Mulher Maravilha 1984”, com a Gail Godot, talvez chegue aos cinemas em outubro, se tudo correr bem. Só em perda de bilheterias, devido ao fechamento dos cinemas no mundo inteiro, a indústria já acumula um prejuízo de 17 bilhões de dólares.

Até a produção dos seriados de televisão foi afetada. Segundo dados da revista Variety o prejuízo com as produções interrompidas chega a 350 mil dólares por dia, só nos estúdios da Disney. E 120 mil trabalhadores dos estúdios já foram demitidos em Hollywood. Os dados são do Sindicato da Indústria do Entretenimento nos EUA.

Sem poder exibir os filmes que estão prontos os estúdios estão recorrendo a novas estratégias. Como disponibilizar lançamentos recentes como “Dois irmãos” e “O homem invisível” para exibição na internet, pelo streaming. Tradicionalmente existe um acordo entre os estúdios e as redes de cinemas, para que os filmes só fiquem disponíveis para baixar pelo streaming 90 dias depois da exibição nos cinemas. Mas, com a pandemia, esse acordo foi rompido. A Universal disponibilizou “Emma”, “A caçada” e “Homem Invisível” que foram exibidos no início do ano. A Warner fez o mesmo com o “Aves de Rapina” e a Pixar com o longa de animação “Dois Irmãos”.

Já os filmes que deviam ter sido lançados entre abril e as férias de junho continuam engavetados. Entre eles a versão com atores de “A pequena sereia”, “Matrix 4”, “Jurassic World 3”, e “The Batman” com o Robert Pattinson. Só quem escapou foi o fortão Dwayne Johnson. Seu novo filme, “Jungle Cruise”, com a Emily Blunt, está em pós-produção e tem sua estreia marcada para junho do ano que vem. E até lá a situação já deve ter se normalizado.

Enquanto isso, as perdas se acumulam. Não só a produção de filmes, mas os festivais de cinema tradicionais estão sendo cancelados ou adiados. Foi o que aconteceu com a mostra Tribeca de filmes independentes que não aconteceu este ano.

Na Europa, a direção do Festival de Cinema de Cannes cancelou sua Exposição Cinematográfica Anual que acontece entre os dias 12 e 23 de maio. O evento é um encontro mundial entre produtores, estúdios e distribuidores que se reúnem para divulgar e comercializar os novos lançamentos. Na China, país que tem a maior concentração de cinemas no mundo, as salas estão fechadas desde o início da epidemia em dezembro. E por isso os estúdios não puderam exibir seus lançamentos no tradicional feriado do Ano Novo Chinês, o que resultou num prejuízo de bilhões de dólares.

A ComicCom, o tradicional encontro de fãs de quadrinhos e filmes, vai ter uma edição virtual, ao contrário do que aconteceu em anos anteriores. A nova realidade exige que as pessoas assistam aos filmes em casa, nos computadores. E o resultado é que o valor de mercado da Netflix já superou o da Disney. Atores famosos como Tom Hanks e Idris Elba (o Hendahl dos Vingadores) contraíram o vírus e estão se recuperando. No Brasil a pandemia afetou também a dublagem dos seriados de televisão, já que os principais estúdios de dublagem ficam em São Paulo. Meu vizinho, que é fã da DC Comics, já notou a ausência do Guilherme Briggs, a voz brasileira do Super Homem no desenho mais recente da Liga da Justiça.

É a primeira vez na história que a indústria do entretenimento enfrenta uma crise semelhante. Mesmo na Segunda Guerra Mundial a produção de filmes em Hollywood foi mantida. A única pandemia semelhante foi a Gripe Espanhola, de 1918, e naquela época o cinema ainda não era a grande indústria de hoje. E o temor dos produtores é que a situação nunca mais volte ao normal. Eles temem que as pessoas mudem seus hábitos, se acostumando a ver os filmes pela internet, e nunca mais voltem a lotar os cinemas.

 

Jorge Luiz Calife

 


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