Mostra de Cinema de Paraty exibe filmes realizados na cidade nos anos 60 a 80

Festival acontece de 26 a 29 de outubro, no Cinema da Praça, no Centro Histórico

by Vivian Costa e Silva

Paraty – De 26 a 29 de outubro, a Casa da Cultura de Paraty promove uma Mostra de filmes feitos em Paraty nas décadas de 1960, 70 e 80, no Cinema da Praça, no Centro Histórico da cidade. O festival vai celebrar a época áurea da realização cinematográfica na cidade.

A Mostra vai exibir nove longas e quatro curtas, em sessões diárias. Estão confirmadas as presenças das atrizes Claudia Ohana e Laura Prado e dos cineastas Bruno Barreto e Walter Lima Jr. que, junto com Luiz Carlos Lacerda, serão protagonistas de um encontro histórico daqueles que filmaram em Paraty.

Das preciosidades dos anos 60, o público poderá conferir “Azyllo muito louco” (1969), que recebeu prêmio da Crítica em Cannes. Dos anos 80, a Mostra trará “A bela palomera” (1988, com Claudia Ohana, Tônia Carrero e Ney Latorraca), de Ruy Guerra, adaptação de um conto de Gabriel García Márquez, com colaboração no roteiro do próprio escritor, e “Ele, o boto” ( 1986, com Carlos Alberto Riccelli), de Walter Lima Jr.

Vocação Cinematográfica

Cenário de 26 filmes de longa-metragem, 9 curtas, além de 21 novelas, minisséries, e ainda videoclipes, incluindo o mais famoso deles, com Mick Jagger, Paraty celebra e reafirma sua vocação cinematográfica na exposição, em que o recorte temporal contempla dois marcos: 1945, ano em que a cidade tornou-se Monumento Estadual, e 2019, quando se tornou Patrimônio Mundial da Unesco. “A memória cinematográfica é um dos temas que surgiram, a partir da necessidade de se rever uma historiografia de Paraty”, diz Cristina Maseda, Diretora da Casa da Cultura.

Palco

O Cinema da Praça, restaurado em 2018, com apenas 80 lugares e projeção digital, será o palco da Mostra, que representa, na visão do Curador, um presente para os paratienses e a cidade, com quem mantém forte relação afetiva. “É um amor correspondido e muito feliz. Aqui, vivi os melhores anos da minha vida. Mais do que necessária para resgatar esse ciclo tão rico, a Mostra vai dar a chance de a população se ver e se reconhecer na tela”, diz Luiz Carlos Lacerda, o Bigode, curador da Mostra.

Abertura

Na noite de abertura (26), o cantor e violonista Raphael Moreira vai apresentar músicas das trilhas dos filmes e que marcaram a vida boêmia de Paraty, em um show seguido de degustação de cachaças locais. A Mostra terá também sessões diárias de “Cine papo”, ou bate-papos com convidados, após os filmes, em parceria com a revista Bravo!, e uma rodada de “Conversas de cinema” com os cineastas e atores/atrizes presentes, no domingo (29).

O filme “Como era gostoso meu francês”, de Nelson Pereira dos Santos, escolhido para a abertura da Mostra, é uma das produções que marcou essa fase, que se prolonga até 1990, incluindo produções internacionais. O longa representou o Brasil em Cannes, teve um grande sucesso de público e mobilizou a população de Paraty na procura de figurantes que aceitassem filmar despidos e ter o cabelo raspado no corte dos índios tupinambás.

História

A variedade de paisagens e cenários do patrimônio natural e edificado de Paraty, somada à sua atmosfera artística e boêmia, fizeram da cidade uma locação ideal para a realização de diversos filmes nas últimas décadas do século 20. Mas foi nos anos de 1960 a 1980 que a cidade se transformou em um “estúdio ao ar livre”, como diz Luiz Carlos Lacerda, o cineasta que mais filmou em Paraty.

Lacerda viveu intensamente essa fase fértil do cinema, participou de produções como “Azyllo muito louco” (1969) e Como era gostoso o meu francês (1970),  ambos de Nelson Pereira dos Santos, e dirigiu os longas “Mãos Vazias” (1970), “O princípio do prazer” (1979) e diversos curtas. “A população se comportava como se vivesse em um set de filmagem e muitos atuavam como figurantes”, lembra Bigode.

Bigode relembra que o primeiro filme feito em Paraty foi o longa “Estrela da manhã”, rodado em 1948 e lançado em 1950 e que, apesar da presença de Dorival Caymmi no elenco e na trilha sonora, não chegou a ser um sucesso de público ou crítica. Seria a partir de “Brasil ano 2000” (1968), de Walter Lima Jr., que se iniciaria um intenso ciclo de produções, contando com a atuação de figuras do Cinema Novo, como o próprio Walter, Nelson e Ruy Guerra, além da atriz Leila Diniz, e a participação de paratienses, como o poeta Zé Kleber à frente.

Além da beleza da arquitetura da cidade, o cineasta destaca que naquele contexto político do país, em tempos de ditadura militar, o isolamento foi uma das razões dessa efervescência cultural. “Paraty se tornou nosso ‘doce exílio’, um lugar onde a liberdade ainda era possível”, diz. Lembrando que, até 1970, Paraty esteve praticamente isolada do resto do país, sem ligação rodoviária com os grandes centros, acessível apenas por barcos ou uma péssima estrada na serra de Cunha.

 

Programação Mostra de Cinema de Paraty

26/10 (quinta-feira)

18h–  Solenidade de Abertura e exibição do filme VILA DE NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS DE PARATY, de Pedro Rovai (30 min.)

18h45  – Cine papo com convidados (10 min.)

19h – COMO ERA GOSTOSO O MEU FRANCÊS, de Nelson Pereira dos Santos (90 min.)

21h – APRESENTAÇÃO MUSICAL Raphael Moreira (40 min.) + DEGUSTAÇÃO DE CACHAÇAS

 

27/10 (sexta-feira)

17h–  BRASIL, ANO 2000, de Walter Lima Júnior  (90 min.)

18h35 – Cine papo com convidados (15 min.)

19h– A BELA PALOMERA, de Ruy Guerra (90 min.)

20h30 – Cine papo com convidados (25 min.)

21h – O PRINCÍPIO DO PRAZER, de Luiz Carlos Lacerda. (90 min.) – Classificação: Maiores de 18 anos

 

28/10  (sábado)

17h – ELE, O BOTO, de Walter Lima Júnior

18h35 – Cine papo com convidados (15 min.)

19h– AZYLLO MUITO LOUCO, de Nelson Pereira dos Santos. (90 min.)

20h30 Cine papo com convidados ( 25 min.)

21h – GABRIELA, de Bruno Barreto (100 min.)

Classificação: Maiores de 18 anos.

 

29/10 (domingo)

17 hs – Curtas: O SERENO DESESPERO (12 min.), O ACENDEDOR DE LAMPIÕES (15 min.), PARATY MISTÉRIOS (20 min.), todos de Luiz Carlos Lacerda

17h50 – Conversas de cinema – O Reencontro de Gerações  (60 min.)

19h – MÃOS VAZIAS, de Luiz Carlos Lacerda (90 min.) Classificação: Maiores de 18 anos.

Classificação: Maiores de 18 anos

20h40 – ERENDIRA, de Ruy Guerra (90 min.)

Classificação: Maiores de 18 anos

 

Serviço:

Mostra de Cinema de Paraty

De 26 a 29 de outubro

Cinema da Praça

  1. Mal. Deodoro, 3 – Centro Histórico

IG @cinemadapracaparaty

 

 

 

 

 

 

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