quinta-feira, 4 de junho de 2020

TEMPO REAL

 

Capa / Lazer / Músicos da região sofrem com bares, restaurantes e casas noturnas fechadas

Músicos da região sofrem com bares, restaurantes e casas noturnas fechadas

Matéria publicada em 10 de abril de 2020, 09:05 horas

 


Artistas contam como estão se reinventando neste momento de pandemia e o que esperam para o futuro

Volta Redonda – Em tempos de pandemia os músicos da região se viram sem palcos para se apresentarem. Com bares, restaurantes e casas noturnas fechadas, e com a proibição de festas onde tenham aglomeração de pessoas, uma das opções que encontraram para manter o contato com o público foi através das lives, shows ao vivo através de suas redes sociais (Instagram, Facebook e YouTube). Mas, nem só de likes vivem os artistas. Muitos deles vivem exclusivamente de música e estão precisando encontrar formas para driblarem o momento de crise.

A dupla Noelle e Júnior, de Volta Redonda, conta que está trabalhando com divulgações dos serviços de seus patrocinadores, que não pararam. “Vários deles optaram por delivery ou atendimento exclusivo”.

– O momento não é fácil para ninguém, principalmente para os que trabalham com produção e diretamente com aglomeração de pessoas. Optamos por trabalhar online, produzir e buscar aprendizado para agregar em nosso conhecimento – contam.

A dupla também está utilizando as lives para manter o contato com o público. “A gente sempre utilizou a live para aproximação do público. Já fizemos live de casa, na roça, com banda, em rádio. Quem segue Noelle e Júnior já pode acompanhar várias lives com banda completa em vários lugares diferentes. Elas ainda estão disponíveis na página do Facebook se alguém quiser conferir”.

Segundo eles, essa sempre foi uma maneira de levar para as pessoas que ainda não tinham ido ao show, um pouco do trabalho, tanto na região, quanto em outros lugares. “Nossas lives já atingiram lugares como Pernambuco, São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais, Brasília, Manaus e até outros países como Inglaterra, Estados Unidos, Portugal”, acrescentam, afirmando que o retorno dos fãs tem sido bem satisfatório.

– Esperamos que tudo volte ao normal para todos. E que as pessoas vejam essa situação como um aprendizado para a vida – afirmam.

Outra artista que também está se reinventando é a Mari Fracornel, de Volta Redonda. Ela afirma que pensa muito na saúde da população, mas que não está sendo fácil ficar longe dos palcos.

– Mas, por um bem maior, tenho tentado manter a calma e focar no que virá daqui para frente. Sempre nos momentos ruins há um aprendizado e nesta situação do Covid-19 não está sendo nada diferente. Chego até a pensar mais pela situação, mas sigo com o pensamento de que estamos todos juntos e que iremos sair dessa, juntos! – afirma.

A cantora também tem feito lives e as usado para ajudar de alguma forma. “Esses dias fiz uma live em prol do GAPC (Grupo de Apoio a Pessoas com Câncer). Neste momento delicado, mais do que antes, temos que pensar no próximo”.

Mari Fracornel conta que tem aproveitado também para gravar vídeos com amigos da música, cada um em sua casa, mas fazendo som.

– Sons diferentes do que tenho costume de cantar e sons no qual tenho costume de cantar também, com músicas cheias de mensagens para o momento. Estou aproveitando ainda para terminar materiais do “Baile da Mari” e para fazer as produções de mais duas músicas autorais – diz, ressaltando que o retorno das pessoas tem sido bem legal. “Tenho muitos planos para quando voltarmos, já estou planejando muita coisa e sei que não será fácil o retorno, mas estou muito animada, acho que voltaremos mais fortes”.

Mari Fracornel: ‘Por um bem maior, tenho tentado manter a calma e focar no que virá daqui para frente’ (Fotos: Divulgação)

 

Situação

O cantor Waguinho Gorito, de Volta Redonda, já vive uma situação um pouco diferente. Além de músico, ele é professor/servidor público estadual do Rio de Janeiro, portanto, tem uma segunda fonte de renda.

– Dessa forma não consigo mensurar o quão difícil está sendo para os meus colegas que têm nas apresentações musicais, sua única fonte de renda. Para mim, está sendo muito difícil segurar a barra sem deixar de pagar as contas, para eles, pior ainda. Estamos sofrendo muito pela dificuldade financeira e por precisarmos ficar longe do nosso público e do que amamos tanto fazer. A vida do músico e/ou artista, quase que completamente, resume-se em levar emoção e alegria para as pessoas. E ficarmos impossibilitados de fazer isso, é como uma tortura – diz.

Segundo Waguinho, o projeto musical que tem tido a maior dedicação, onde canta junto com seu amigo Jéferson Nigéria (Waguinho e Nigéria), tem como norte ritmos musicais que exigem, na maioria das vezes, uma banda grande, bem percussiva e alegre.

– Temos como característica principal muita interação entre nós e os músicos. Mas, por conta da necessidade do distanciamento buscando a prevenção, e por todos convivermos com muitas pessoas que são do grupo de risco, optamos por aguardar um pouco para fazer as lives. Falta para nós espaço suficiente e estrutura para uma live bacana – explica, salientando que como opção, aumentaram a quantidade de vídeos postados, tocando e cantando cada um em suas redes sociais, mantendo uma aproximação com o público.

Realidade difícil

De acordo com Waguinho, os músicos, que focam em shows, foram os primeiros a pararem de trabalhar e, provavelmente, serão os últimos a voltarem. “O nosso rendimento na música depende diretamente da audiência/aglomeração de pessoas que geram receita para os contratantes. Partindo desse princípio, imagino que vai ser muito duro e lento o retorno às atividades. Acredito que seremos uma das classes que mais terá de se acostumar com o racionamento e uma redução no patamar de vida que fará parte de nossa rotina por um bom tempo, mesmo depois do fim da pandemia”.

– Os profissionais da nossa classe, como os de diversas outras de autônomos, recebem por trabalho cumprido e não um salário fixo por mês. Não têm férias e nem benefícios. Por essa razão o apoio, das diversas pessoas que têm apreço pelos músicos (através de doações, caixinhas e antecipação de cachês de eventos futuros) e também dos governos federias, estaduais e prefeituras (através de benefícios e iniciativas momentâneas), será essencial para que os músicos e suas famílias sobrevivam, mesmo com o básico, a esse momento e até o retorno dos trabalhos. Aproveito para fazer um apelo para todos os donos de grandes casas de shows, grandes empresas de festas/eventos, de bebidas e sonorização. Peço que os grandes, ajudem os pequenos, pois todos precisam coexistir. É hora de união e quem sabe em breve, com a liberação para eventos, não possamos realizar vários eventos de grande porte para arrecadar fundos para os pequenos empresários, músicos regionais e pessoal de apoio (garçons, atendentes, seguranças, faxineiras), que mais sofreram na crise – afirma.

 

Músicos participam de projeto cantando a canção ‘A vida é um rio’, de Raffa Torres

Quem navega pelas redes sociais, provavelmente já recebeu de algum amigo o vídeo de artistas da região cantando a música “A vida é um rio”, do cantor Raffa Torres. A canção, com uma mensagem linda de motivação, ganhou um tom muito especial na voz e na interpretação de vários músicos.

Waguinho Gorito, um dos participantes, contou que tudo começou com a ideia do amigo Mário Jorge, o Pessinha, junto com o cantor Victor Yuri.

– Vieram até mim falando sobre criar um grupo de cantores e pessoas bem intencionadas para produzirem um vídeo com a música “A vida é um rio”, do cantor Raffa Torres. A intenção do vídeo seria a de levar às pessoas um sentimento de calmaria, união e esperança de dias melhores diante da atual situação e ao mesmo tempo fazer com que nós nos sentíssemos úteis e ativos fazendo música – explica.

Segundo ele, o processo durou doze dias. Cada um dos cantores gravou a sua parte do vídeo, de forma simples, em suas respectivas residências, para passar a mensagem de que mesmo separados e isolados por conta do coronavírus, estão todos unidos, remando juntos e mantendo a fé de que tudo em breve ficará bem.

– Pelo contexto que vivemos no momento e também da música em si, o nome do grupo que envolve tanto os cantores, quanto a produção, foi denominado “Remaremos Juntos”. Uma coincidência muito bem vinda e que trouxe mais sentido para a mensagem, foi que há poucos dias de lançarmos o vídeo, no dia 27 de março desse ano, o Papa Francisco em uma de suas orações ao povo, disse exatamente o que diz a música “A vida é um rio”, inclusive usando algumas das palavras que estão na música. Era mais um sinal de que estávamos fazendo algo que seria muito bom para as pessoas. Algo maior que nós – salienta.

A dupla Noelle e Junior afirma que a música é uma arte fundamental e serve para contagiar as pessoas de diversas formas. “Essa foi uma união de músicos para levar uma mensagem para as pessoas, de esperança, fé e união. Foi muito bom poder fazer parte desse trabalho”.

Mari Fracornel também participou do trabalho e já adiantou que vem mais coisa boa por aí.

– Fui convidada para participar do projeto e quando ouvi a música, simplesmente desabei a chorar. Foi tocante para mim, pelo momento, pela letra e energia que a música me trouxe. Fiquei muito feliz em ter sido convidada – diz.

Para quem quiser conhecer mais sobre o trabalho de cada um, mandar mensagens e ideias, é só entrar nos perfis do Instagram de cada um dos que fazem parte do grupo “Remaremos Juntos” (@victoryuri.oficial / @waguinhogorito / @vitorandradecantor / @rafaelarodriguesreal / @marifracornel / @oficialandremoraes / @noellejunioroficial / @arnaldojroficial / @fabiolemosf / @johnjohnoriginal_).

 

 

Julinho Marassi e Gutemberg realizaram ‘live solidária’

No último dia 4, a quarentena foi animada pela música da dupla Julinho Marassi e Gutemberg, que matou a saudade de muitas pessoas que passaram pelas redes sociais dos artistas. Ao todo a live teve um alcance de 50 mil pessoas, somando todas as plataformas: Facebook, Instagram e YouTube.

Os músicos doaram a voz em prol do Grupo Acolher que arrecadou em doações durante o “show live” quase R$ 4 mil através de uma vaquinha online, sendo mil reais doados anonimamente por apenas um único empresário de Barra Mansa.

– Para quem vive exclusivamente da música, hoje em dia o momento é de muita apreensão. Fomos os primeiros profissionais a parar e, provavelmente, seremos os últimos a retornar, pois mesmo ao final da pandemia, as pessoas poderão ainda ter uma certa resistência a aglomerações. Imagina você ter 11 shows desmarcados no mês de março, além do cancelamento de todas as datas de abril?! – indaga Julinho, ressaltando que a palavra solidariedade entrou na vida de muitas pessoas.

O músico afirma que já estava nos planos da dupla começar a fazer shows pelas redes sociais, para comemorar os 29 anos de carreira, já que muitos dos primeiros fãs se dispersaram pelo mundo. “Resolvemos colocar em prática o projeto futuro. E o envolvimento foi surpreendente! Agora, estamos pensando em uma maneira de tocar isso para frente, até mesmo como alternativa de trabalho. Aproveitamos essa live também para reativar nosso canal no YouTube: Julinho Marassi e Gutemberg, que andava abandonado. Com essa ativação, e com a produção de vários vídeos novos alimentando o canal, pode ser que, a médio/longo prazo, possamos colher alguns frutos através da monetização do canal”.

Solidariedade: Dupla Julinho Marassi e Gutemberg arrecadou doações para o Grupo Acolher

 

Roberta Caulo


Comente com Facebook
(O Diário do Vale não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)

Um comentário

  1. Avatar
    Cidadão de Volta Redonda

    A grande maioria está sofrendo !!!!!

Untitled Document