quarta-feira, 16 de junho de 2021 - 14:45 h

TEMPO REAL

 

Capa / Lazer / NASA retoma projeto do supersônico americano

NASA retoma projeto do supersônico americano

Matéria publicada em 4 de junho de 2018, 07:27 horas

 


Avião será mais econômico, silencioso e rápido

Projeto: O maior e mais rápido avião do mundo

No mês passado, a agência espacial americana NASA assinou um contrato com a fabrica de
aviões Lockheed Martin para o desenvolvimento do protótipo de avião supersônico silencioso.
É a retomada de um projeto que quase levou a falência outra gigante do complexo
aeroespacial americano, a Boeing. Entre 1967 e 1971, a Boeing tentou construir um enorme
avião supersônico de passageiros, mas o projeto terminou quando o congresso dos Estados
Unidos cortou as verbas federais que custeavam o sonho supersônico norte-americano. Se
tudo correr bem, o novo supersônico deverá ser construído na próxima década, tornando as
viagens transoceânicas mais rápidas e confortáveis.

A saga do voo comercial supersônico começou em 1960, quando ingleses e franceses se
uniram para criar o Concorde, um jato comercial capaz de voar com a velocidade de Mach 2 –
duas vezes a velocidade do som, reduzindo pela metade o tempo de travessia do Atlântico.

Pesquisa: A aeronave experimental da Nasa

Para não ficar para trás, o governo americano anunciou que financiaria o projeto de um
supersônico americano, maior e mais rápido do que o Concorde europeu. Duas empresas
participaram da concorrência, a Lockheed Martin e a Boeing. Em 1967 o governo anunciou que
financiaria o projeto da Boeing, o B-2707.

Se fosse construído, o Boeing 2707 teria sido o maior e mais rápido avião do mundo. A
fuselagem em forma de dardo teria 93 metros de comprimento e poderia alojar 300
passageiros e tripulação. A velocidade máxima iria a Mach 2,7, quase três mil quilômetros por
hora. O Concorde europeu era bem mais modesto com 60 metros de comprimento, 125
passageiros e velocidade máxima de Mach 2,02 – uns 2200km/h.
Infelizmente o projeto da Boeing envolvia uma asa de geometria variável, que abria e fechava
durante pousos e decolagens. Os mecanismos desta asa acabaram ficando pesados demais e o
projeto passou por uma mudança radical em 1968. O avião foi reprojetado para levar só 234
passageiros e usar uma asa delta fixa, semelhante a do Concorde.

Relíquia: Maquete foi parar no museu

Preocupado com os custos, e possíveis danos ao meio ambiente, o governo cancelou o
financiamento em 1971. A Boeing só não foi à falência porque tinha desenvolvido uma
alternativa ao supersônico, um jato subsônico, capaz de levar 400 pessoas, o Jumbo 747. Mas
o que matou o sonho de voar mais rápido do que o som foi a crise do petróleo, na década de
1970. Os jatos supersônicos, com suas enormes turbinas, devoravam combustível em grande
quantidade. O Concorde europeu, e o TU-144 soviético, acabaram sendo usados apenas pelas
empresas estatais de seus países. Que podiam bancar o alto consumo de querosene. As
empresas comerciais preferiam aviões mais lentos, porém mais econômicos como o Airbus e o
Jumbo 747. Mesmo assim o Concorde ainda fez voos regulares, da Europa para a América
durante três décadas, até ser aposentado no ano 2001.

Frustrados os engenheiros aeronáuticos nunca deixaram de sonhar com a volta dos
supersônicos. A agência espacial americana NASA patrocinou vários estudos, ao longo dos
últimos vinte anos, tentando superar os problemas que inviabilizaram esse tipo de avião. O
ruído que eles provocam e o alto consumo de combustível. A tecnologia evoluiu muito nos
cinquenta anos que nos separam do projeto original da Boeing. Os novos motores serão mais
econômicos e só falta resolver o problema do estrondo sônico, produzido pela onda de choque
criada pelo avião. A NASA acha que pode evitar isso com uma fuselagem especialmente
desenhada.

Economia: Empresas preferiram o 747 subsônico

Recentemente uma maquete em tamanho real, do Boeing 2707, foi recuperada e colocada em
exposição no museu de Aviação de Seattle, a cidade que quase entrou em colapso quando o
projeto foi cancelado em 1971. Ela mostra que o sonho de voar mais rápido ainda esta vivo
neste século 21.

Por: Jorge Calife

[email protected]


Comente com Facebook
(O Diário do Vale não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)
Untitled Document