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O cachorro da rainha e o Bacurau

Matéria publicada em 9 de setembro de 2019, 16:06 horas

 


Desenho animado e filme brasileiro compõem as estreias da semana

Temos apenas duas estreias esta semana, o desenho animado belga ‘Corgi:Top Dog’ e o filme ‘Bacurau’, dos diretores Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. Bacurau traz de volta a veterana Sonia Braga, que andava sumida das telas e é um gênero de filme que não se fazia no Brasil há um bom tempo. O “filme cabeça” cheio de conotações políticas, que lembra aquelas produções do “cinema novo” dos anos de 1960. Detalhe, “Bacurau” é uma co-produção Brasil-França o que mostra que a rixa do Bolsonaro com o Macron não afetou os laços culturais entre os dois países.

Mas comecemos pelo cachorro. “Top Dog” conta a história de um cãozinho que vive feliz no palácio de Buckinghan, na Inglaterra, e é o cachorro favorito da rainha Elisabeth II. Até que um dia a monarca inglesa recebe a visita do presidente dos Estados Unidos. Ele mesmo, Donald Trump. Rex, o cachorrinho, não simpatiza com o visitante e acaba mordendo Trump nas partes mais delicadas. O que deixa o presidente sem um pedaço da calça e das cuecas. Chocada a rainha expulsa Rex do palácio e nosso herói canino precisa enfrentar uma série de aventuras até ser readmitido de novo em meio à realeza britânica.

Rex, o Top Dog lembra muito o “Bolt”, aquele cachorro super-herói que fez muito sucesso há dez anos. E o filme lembra também outras produções semelhantes sobre cachorros mimados que precisam enfrentar a vida dura das ruas. Como por exemplo, “Pets- a vida secreta dos bichos” e o clássico “A dama e o vagabundo”, que a Disney anda querendo refazer com bichos de computação gráfica. Aqui é tudo na base da animação convencional.

O trailer de Top Dog é muito divertido, principalmente nas caracterizações do Donald Trump e da rainha da Inglaterra. Nos Estados Unidos esta produção europeia dividiu as plateias, alguns pais e mães americanos acharam que o filme tem muitas piadas que só os adultos vão entender. E  inclui personagens como uma cadela ninfomaníaca e dançarinas de pole dance que não seriam adequadas para um filme infantil. Mas os brasileiros são muito mais liberais do que os norte-americanos e devem se divertir com a aventura do Rex pelas ruas de Londres.

Já o “Bacurau” chegou a ser indicado para representar o Brasil na 92ª Festa do Oscar, mas perdeu para “A vida invisível”. O filme é uma mistura de vários gêneros e fala da resistência do povo de uma cidade, no interior de Pernambuco, contra invasores estrangeiros. Tudo começa quando Teresa (Bárbara Colen) chega à cidadezinha do sertão para assistir ao enterro da matriarca dona Carmelita, falecida aos 94 anos. Logo depois do enterro da idosa, coisas estranhas começam a acontecer. Drones passam a sobrevoar a cidade e os moradores descobrem que Bacurau foi apagada de todos os mapas digitais. Logo depois pistoleiros americanos aparecem na cidade e pessoas são mortas por franco atiradores. Com isso os moradores precisam se unir para sobreviver a invasão.

Os críticos viram um monte de referências nesta produção brasileira. O filme começa com uma visão da Terra a partir do espaço sideral que lembra as aberturas de Guerra nas Estrelas. Depois cita os faroestes espaguete feitos na Itália, os filmes do Brian de Palma e o terror do John Carpenter. A história começa como um filme realista, retratando a vida dos moradores do sertão nordestino. Com suas figuras típicas, o professor, o padre, a prostituta, a médica, o político corrupto. Depois muda completamente de estilo e vira um filme trash daqueles bem absurdos, com direito até a aparição de um disco voador.

Para um público acostumado com as comédias pasteurizadas da Ingrid Guimarães e do Leandro Hassum, “Bacurau” pode ser um choque e vai agradar apenas a uma plateia mais intelectualizada.

por: Jorge Luiz Calife


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