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O cinema e a guerra no Pacífico

Matéria publicada em 2 de dezembro de 2019, 10:16 horas

 


‘Midway – Batalha em Alto Mar’ é o remake de uma produção rodada em 1976

A famosa batalha naval entre americanos e japoneses, tema do filme “Midway – Batalha em Alto Mar”, do diretor Roland Emmerich, já foi tema de outro filme semelhante. Em 1976 o cineasta Jack Smight reuniu um elenco de astros de Hollywood, liderado por Charlton Heston e Henry Fonda, e produziu “A Batalha de Midway”. Que conta a mesma história sem os efeitos especiais bombásticos dos dias de hoje.
Coisa parecida aconteceu com o ataque japonês contra a base de Pearl Harbor, no Havaí. Além da versão moderna, “Pearl Harbor”, dirigida pelo Michael Bay em 2001, temos a versão anos 70, “Tora! Tora! Tora!”, mais fiel aos fatos históricos e que teve dois diretores: Richard Fleischer do lado americano e Kinji Fukasaku do lado japonês.
Todos esses filmes estão disponíveis em DVD e blu-ray e mostram visões diferentes de uma mesma guerra. Em 1941 o império japonês tentava dominar todo o sudeste da Ásia. O que provocou um embargo econômico da parte dos americanos. A frota americana no Havaí era um obstáculo para o plano nipônico de estabelecer a Grande Esfera de Co-Prosperidade do Leste da Ásia. Nesse contexto o almirante Yosoruku Yamamoto e o chefe da aviação naval Minoru Genda, conceberam um ataque de surpresa para eliminar o poderio americano no Pacífico. A ordem de ataque seria as palavras “Tora Tora Tora” (Tigre, tigre, tigre em japonês).
Em 1970, quando “Tora! Tora! Tora!” foi filmado, não existiam efeitos de computador. Todo o ataque teve que ser encenado com aviões reais. Aviões americanos de treinamento, North American T-6 foram pintados para parecerem os zeros japoneses. Já os bombardeiros Val foram “interpretados” pelos Vultee BT-13, também de treinamento. Só os P-40 americanos e as fortalezas voadoras B-17 eram reais.
Com um custo de mais de 25 milhões de dólares, “Tora! Tora! Tora!” foi um fracasso de bilheteria nos Estados Unidos (devido à oposição a Guerra do Vietnã). Mas foi um tremendo sucesso no Japão, ao mostrar os japoneses derrotando os americanos pelo menos uma vez. Apesar da destruição mostrada na tela, o ataque japonês fracassou em seus objetivos. Ele só conseguiu afundar alguns velhos encouraçados, como o Arizona. Os porta-aviões americanos escaparam incólumes, porque estavam treinando em alto mar na hora do ataque.
Assim, Yamamoto bolou um novo plano. Que consistia em atrair os porta-aviões americanos para uma armadilha. E ocupar as ilhas Midway. Mas, ele não sabia que os americanos já tinham decifrado o código japonês e não seriam pegos de surpresa como em Pearl Harbor. Quando a frota japonesa se aproximou das ilhas Midway, foi recebida por uma esquadra formada pelos porta-aviões Enterprise, Hornet e Yorktown. Além dos bombardeiros B-26 baseados nas ilhas. E a vitória foi dos americanos.
Quando o diretor Jack Smight filmou “A Batalha de Midway”, em 1976, ele não tinha nem a metade dos recursos da equipe de “Tora! Tora! Tora!”. Para compensar, o filme usa cenas de produções mais antigas, como “30 Segundos Sobre Tóquio” e do épico japonês “Tempestade no Pacífico”, de 1960. Na época a Universal, distribuidora do filme, experimentava um novo sistema, o Sensurround, que usava enormes caixas de som para criar as vibrações das explosões dentro dos cinemas. Apesar da produção mais pobre, “A Batalha de Midway” foi um sucesso de bilheteria e acabou sendo exibida várias vezes na televisão.
Agora, 43 anos depois, o diretor Roland Emmerich pode mostrar a mesma guerra com todos os efeitos visuais que não eram possíveis na década de 1970. Curiosamente, um ano depois da exibição de “A Batalha de Midway”, em 1977, “Guerra nas Estrelas” iniciava a era moderna dos filmes baseados em trucagens com maquetes.

 

Jorge Luiz Calife


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