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O cinema e a mitologia das mulheres guerreiras

Matéria publicada em 19 de outubro de 2015, 10:00 horas

 


Antes da Cleo Pires teve a Jane Fonda e as amazonas; Angelina Jolie também já foi uma pistoleira bem eficiente

Fantasia: As amazonas no pôster do Boris Valejo (Foto: Divulgação)

Fantasia: As amazonas no pôster do Boris Valejo (Foto: Divulgação)

Cleo Pires é a mais nova mulher guerreira do cinema. Ela está em cartaz, distribuindo bordoadas e tiros em cinemas de todo o país no filme “Operações Especiais”. O fascínio por mulheres guerreiras e poderosas vem da mitologia grega e sempre foi explorado com maior ou menor sucesso pelo cinema. Até Jane Fonda, que era pacifista pegou em armas e andou dando tiro no passado e no futuro cinematográfico. Mas na vida real existem mulheres muito mais poderosas.
As primeiras mulheres guerreiras foram as amazonas da mitologia grega. Ser mulher e guerreira naqueles tempos não era nada fácil. As espadas e lanças eram muito pesadas e as meninas tinham que malhar muito só para conseguir levantar uma delas (como bem mostrou o Arnold Schwarzenegger em uma cena do “Conan – O destruidor”). Segundo a mitologia Hipólita, a rainha das amazonas, morreu em uma luta com o super machão Hércules. No que foi o combate mais desigual de todos os tempos.
Curiosamente, as amazonas gregas renderam poucos filmes. Um deles foi “Fúria das Amazonas” rodado na Argentina, em 1986, por um ex assistente do diretor Roger Corman. O filme é mais conhecido pelo pôster aí ao lado, pintado pelo famoso ilustrador chileno Boris Valejo. Que sempre foi um mestre na arte de retratar mulheres bonitas. Como podemos ver pela ilustração elas têm o rosto e o corpo quase todo descoberto o que contraria a mitologia. Hipólita, por exemplo, usava uma máscara e Hércules só viu o rosto dela depois de matá-la.
Derrotadas, as mulheres guerreiras sumiram da face da Terra durante mil anos e só reapareceram no oeste americano. A tecnologia tinha melhorado muito e agora não era mais preciso empunhar uma espada de dez quilos. Um Colt 45 pesava muito menos. Uma das pistoleiras mais famosas do faroeste foi a Jane Calamidade, que namorou o não menos famoso Búfalo Bill e acabou dona de um saloon. Hollywood fez um filme musical sobre ela, com a cantora Doris Day em 1953, “Ardida como pimenta”.
Mas a pistoleira mais famosa do cinema americano foi a Jane Fonda, que pegou nas pistolas em “Dívida de Sangue”. Ela é a professora Cat Ballou, que vira pistoleira depois que seu pai é assassinado por jagunços enviados por uma ferrovia. Como usar armas é bem diferente de dar aulas nossa heroína pede a ajuda de um pistoleiro famoso, interpretado pelo Lee Marvin. O problema é que ele virou alcóolatra e anda tão bêbado que quase não consegue ficar em cima do cavalo.
O filme do diretor Elliot Silverstein é muito divertido e começa com aquela moça da tocha, símbolo da Colúmbia Pictures, virando a Jane Fonda e dando tiros para todos os lados. “Dívida de Sangue” passou nos cinemas em 1965 e é meio difícil de encontrar em DVD. Três anos depois a mesma Jane Fonda foi para o futuro, e interpretou outra guerreira no clássico “Barbarella”, de 1968. Em “Barbarella” Jane é uma astronavegadora do ano 3000 que recebe a missão de encontrar o astronauta perdido Duran Duran (foi daí que veio o conjunto musical) no sistema da estrela Tau Ceti. No começo do filme ela está nua em sua nave e recebe uma porção de armas, seu comentário é: “Pareço uma selvagem, nua e armada!”.
Quando os vilões atacam, ela se revela uma ótima guerreira, usando um mini lançador de mísseis para derrubar várias naves da perversa Rainha Negra. Depois da Jane Fonda, Demi Moore foi uma soldada das forças especiais Seal em “Até o Limite da Honra” e Angelina Jolie foi uma pistoleira bem eficiente em “Senhor e Senhora Smith” e “Lara Croft – Tomb Raider”.
Lara Croft é o símbolo da guerreira moderna, fazendo coisas incríveis com suas pistolas Colt 45. Mas na vida real existem guerreiras muito mais poderosas do que essas pistoleiras do cinema. São as oficiais da Força Aérea americana que servem nos silos de mísseis nucleares Minuteman. Com um toque de suas mãos delicadas elas podem desencadear a fúria de centenas de megatons. Mas só se o presidente der a ordem.

Por Jorge Luiz Calife
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