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O cinema, o espaço e o tempo

Matéria publicada em 14 de outubro de 2019, 08:49 horas

 


Brad Pitt é o homem mais rápido do sistema solar; naves do cinema progrediram muito em apenas 70 anos

No filme “Ad Astra – Rumo às Estrelas” Brad Pitt interpreta o astronauta Roy McBride, que viaja da Terra até o planeta Netuno em apenas 84 dias. Na vida real a sonda espacial Voyager levou 12 anos para percorrer o mesmo trajeto. A distância média entre a Terra e o planeta azul do deus dos mares é de 4,5 bilhões de quilômetros. Para chegar lá em 84 dias o foguete do Brad Pitt teria que se mover a uma velocidade de mais de um milhão de quilômetros horários. O que faz do Roy um dos astronautas mais rápidos da ficção cinematográfica.
Antes que algum leitor nerd proteste, permitam-me explicar que não estou considerando neste artigo os filmes puramente fantasiosos de Jornada e Guerra nas Estrelas. Onde as espaçonaves contam com propulsores de dobra e saltos hiperespaciais que, simplesmente, não existem no universo real. “Ad Astra” pertence a outro gênero, da ficção científica hard, que se submete as leis da física e as limitações do universo em que vivemos. Onde a velocidade da luz é o limite máximo e ponto final.
Neste campo as naves do cinema progrediram muito em apenas 70 anos. Um dos primeiros filmes realistas sobre viagens espaciais foi “Conquista do Espaço”, dirigido por Byron Haskins, em 1954. Produzido por George Pall, o Steven Spielberg dos anos 50, o filme foi baseado nos projetos do engenheiro alemão Werner Von Braun, então radicado nos Estados Unidos. A nave do filme parece uma asa delta com um cacho de motores químicos na cauda. Viajando para Marte ela desenvolve a velocidade de 25 mil milhas por hora (cerca de 36 mil quilômetros horários). E leva mais de oito meses para atingir o planeta vermelho. Com os motores químicos da época não dava para ir mais rápido.
Dez anos depois, em 1964, o diretor Stanley Kubrick contou com a consultoria da Nasa para produzir seu “2001: Uma odisseia no espaço”. Na época a agência espacial americana estava desenvolvendo um foguete nuclear, o Nerva. Com motores atômicos os roteiristas de “2001” puderam mirar em um objetivo muito mais interessante do que Marte: os planetas gigantes Júpiter e Saturno. Júpiter fica a meio bilhão de quilômetros da Terra e a “Discovery” chega lá em um ano. Atingindo uma velocidade de 150 mil quilômetros horários graças aos seus motores nucleares.
Rápido, mas nem tanto. A Discovery parece um trem espacial, rebocando um comprido comboio de vagões contendo os suprimentos e o combustível necessários para uma viagem de dois anos, ida e volta. Esse é um problema que todo engenheiro espacial tem que enfrentar. Quanto mais longa for a viagem, maior é a carga de combustível, água e comida que os viajantes precisam levar. Com motores potentes, que reduzem radicalmente o tempo de viagem, tudo fica bem mais fácil.
É por isso que o personagem do Brad Pitt vai até Netuno em um foguete que parece um míssil Atlas do início da corrida espacial. A Cepheus chega em Marte em três semanas de voo. E alcança Netuno em 84 dias. O que exige velocidades em torno de um a dois milhões de quilômetros horários. Na vida real uma nave assim precisaria usar motores fotônicos. Com antimatéria como combustível. O que é mencionado no filme. É uma pane no motor de antimatéria na nave do pai do herói que dá inicio a toda a trama do filme.
Assim Brad Pitt pode dizer que seu personagem é o homem mais rápido do universo cinematográfico. Mas perde para uma mulher ainda mais rápida. A personagem da Anne Hathaway no filme “Interestelar”. A nave dela, a Endurance, atinge 50% da velocidade da luz ao ser impulsionada por um buraco negro. O que deixaria o personagem do Brad Pitt comendo poeira. Mas como esse recorde é batido em outra galáxia ele não afeta a performance do nosso herói aqui, no nosso Sistema Solar. Sem falar que usar a gravidade de um buraco negro como propulsão pode ser considerado trapaça.

Por Jorge Luiz Calife


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Um comentário

  1. Avatar

    Muito bom essa discussão, filmes desse genero ajudam olhar com mais perspectiva o futuro.

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