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O futuro retrô de “Os Incríveis”

Matéria publicada em 25 de junho de 2018, 09:07 horas

 


Desenhos relembram sonhos tecnológicos dos anos de 1960

Velocipod: Aeronave disco lembra o Avrocar

O novo filme dos Incríveis chega aos cinemas na próxima quinta feira (28), retomando a aventura que foi interrompida em 2004. O mundo dos Incríveis é caracterizado pelo visual futuro-retrô, que retoma as concepções futuristas que estavam em moda em meados do século 20. Aí por volta de 1955, 1966. Temos robôs, discos voadores, monotrilhos, veículos subterrâneos e aeronaves que viram submarinos. Tecnologias que estavam sendo pesquisadas há 60 anos atrás e que acabaram se tornando inviáveis, com exceção dos monotrilhos e dos robôs. É por isso que esse tipo de tecnologias é chamado de futuro-retrô.

O novo longa gira em torno do vilão Underminer, que vive embaixo da Terra em um veículo que parece uma enorme perfuratriz. Esse tipo de engenho era comum em filmes e seriados de TV dos anos de 1960. Os famosos Thunderbirds tinham uma, chamada de Toupeira, usada em resgates de pessoas presas em minas e desabamentos. Em outro filme da época, “No coração da Terra” Peter Cushing é um cientista que constrói uma máquina assim para visitar o mundo de Pelucidar, no interior do nosso planeta.

Avrocar: Projeto foi abandonado nos anos 60

Outra ideia que não deu certo é a aeronave que vira submarino, no filme de 2004, quando o senhor Incrível visita a ilha secreta do vilão, ele viaja num avião que parece uma arraia manta. Ao se aproximar da ilha ele mergulha no mar e entra por uma passagem submarina. O avião submarino, ou submarino voador é outra tecnologia praticamente impossível. Os submarinos precisam ser feitos de aço para resistirem à pressão do fundo do mar. Já os aviões usam ligas leves de alumínio, para poderem voar. Um avião capaz de mergulhar no mar teria que ser feito de aço e ficaria pesado demais para voar.

Na década de 1960 os heróis do seriado “Viagem ao fundo do mar” usavam um submarino voador supersônico para se deslocarem para qualquer lugar do mundo. Para construir algo assim, na vida real, será preciso desenvolver novos materiais, que sejam ao mesmo tempo leves como o alumínio e resistentes como o aço. Talvez no futuro, com ligas de carbono. Por enquanto só nos desenhos e filmes antigos é que podemos ver algo assim.

Os discos voadores também aparecem no filme original dos “Incríveis”. São os velocipods, que os asseclas do vilão Sindrome usam para patrulhar a ilha secreta, com quatro laminas giratórias esses veículos circulares podem pairar no ar ou se mover em alta velocidade. Na década de 1960 a empresa canadense Avro, gastou uma fortuna tentando criar uma aeronave assim para o exército norte-americano. Era o Avrocar, um veículo em forma de disco que pairava no ar sustentado pelo sopro potente de uma turbina. O projeto acabou sendo abandonado porque o Avrocar só levava um tripulante e era muito difícil de ser controlado.

No final do primeiro filme, os Incríveis se unem para derrotar um robô gigante que ameaça destruir sua cidade. Robôs gigantes, de forma humanoide, foram uma mania do cinema japonês durante décadas e deram origem aos filmes da serie “Círculo de Fogo” exibidos atualmente.

Na vida real os robôs tornaram-se ferramentas essenciais, tanto na indústria quanto na exploração espacial. Mas são pequenos e não tem forma humanoide. Recentemente o empresário americano Elon Musk, dono da empresa aeroespacial Space X, manifestou sua preocupação quanto ao uso militar de robôs. Drones terrestres que poderiam ser programados para matar tudo o que encontram. Como o robô do Sindrome.

Submarino voador: E a versão da Viagem ao fundo do mar

E por último temos o monotrilho que serve de meio de transporte na ilha do vilão. O diretor Brad Bird copiou o design de um filme do James Bond, “Só se vive duas vezes”, de 1967. Onde o vilão Blofeld também tem uma base dentro de um vulcão. Os monotrilhos já funcionam em várias cidades do primeiro mundo e não são mais novidade.

Por: Jorge Luiz Calife – jorge.calife@diariodovale.com.br


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