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O novo olho da humanidade no espaço

Matéria publicada em 6 de abril de 2017, 11:59 horas

 


Super telescópio James Webb passa pelos testes finais na Nasa

O telescópio espacial Hubble já tem seu sucessor. Na semana passada o novo telescópio James Webb passou pelos testes de vibração no Centro Espacial Goddard da Nasa. O teste verifica se o telescópio está preparado para suportar as sacudidas durante o lançamento do foguete. Com o James Webb os astrônomos poderão observar o universo até uma distância de 13 bilhões de anos luz. O que significa observar o universo na época em que as galáxias estavam se formando. Também será possível penetrar nas nuvens de gás onde as estrelas nascem.

Se tudo correr bem o James Webb será levado até o seu posto de observação no espaço por um foguete europeu Ariane 5 em outubro do ano que vem. O Ariane foi escolhido devido a sua potência e confiabilidade. Afinal, trata-se de um instrumento que custou oito bilhões de dólares e não pode ser colocado em um foguete qualquer. O lançamento será da base de Kourou, na Guiana Francesa, bem perto do Brasil.

O espelho principal do James Webb tem seis metros e meio de abertura contra dois metros e quarenta do Hubble. Nos telescópios grandes, como o Hubble e o James Webb, a ampliação das imagens é feita por espelhos côncavos, no lugar das lentes das lunetas comuns. Com os espelhos é possível obter imagens mais nítidas e sem as aberrações cromáticas. A Nasa e a Agência Espacial Europeia aprenderam muito com a operação do Hubble e não querem repetir os mesmos erros.

Quando foi lançado pelo ônibus espacial, em 1991, o Hubble tinha um defeito no espelho que precisou ser corrigido no espaço, pelos astronautas. Com o James Webb isso não será possível já que ele vai ficar em uma órbita que os astronautas não podem alcançar. Daí que qualquer defeito tem que ser corrigido agora, antes do lançamento. Apesar dos defeitos o Hubble produziu imagens maravilhosas e revolucionou a astronomia. Que pode ser dividida entre antes e depois do telescópio espacial.

Isso acontece porque a Terra é um péssimo lugar para se observar as estrelas. A atmosfera, que nos protege do frio e da radiação do espaço, encontra-se em constante turbulência. Isso deixa as imagens das estrelas desfocadas e sem nitidez. Todo mundo sabe que as estrelas parecem piscar e tremeluzir no céu durante a noite. O que é produzido pela turbulência e as diferenças de temperaturas entre as camadas de ar da atmosfera. Para obter imagens com nitidez é preciso subir até o espaço, deixando para trás o véu da atmosfera.

A astronomia espacial começou com pequenos telescópios pendurados embaixo de enormes balões de gás hélio. Eles subiam até 20, 30 quilômetros de altura, acima das camadas mais turbulentas da atmosfera. Com o lançamento dos primeiros foguetes e satélites, na década de 1960, foi possível colocar instrumentos fora da atmosfera. No vácuo do espaço. Onde as estrelas não piscam e as imagens adquirem uma nitidez cristalina.

Sem telescópios no espaço a ciência não teria descoberto os novos mundos que existem na órbita de outros sóis. Como o sistema de planetas da estrela Trappist 1, que contém três planetas semelhantes a Terra. O sistema solar da Trappist 1 será um dos primeiros alvos das observações do James Webb. Com ele saberemos se esses mundos têm uma atmosfera semelhante a do nosso planeta. Será possível até obter um espectro da luz desses mundos, verificando se eles contêm clorofila e outras substâncias associadas com a vida.

O estudo do Universo é importante, porque estamos ligados a ele. Todos os átomos que formam nossos corpos foram criados dentro de estrelas, há bilhões de anos atrás. De certa forma somos feitos da poeira de estrelas que já se apagaram há muito tempo. Olhando para o espaço reencontramos nossas origens e podemos vislumbrar o futuro de nossa espécie. Que não ficará presa a Terra eternamente.

Lançamento: O Ariane 5 vai decolar da Guiana Francesa

Lançamento: O Ariane 5 vai decolar da Guiana Francesa

Pronto: O espelho de 6,5 metros

Pronto: O espelho de 6,5 metros

Tamanho: O espelho do Hubble e do James Webb

Tamanho: O espelho do Hubble e do James Webb

 

Por Jorge Luiz Calife

jorge.calife@diariodovale.com.br


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2 comentários

  1. Avatar

    Agora é só aguardar as imagens.
    Ansiosamente.

  2. Avatar

    Ansioso pelo lançamento do James Webb. O Hubble realmente já está marcado na história da ciência, um dos maiores feitos da humanidade junto com as sondas Voyager e os pousos na Lua das missões Apollo. Estou torcendo muito para tudo dar certo e que venham muitas outras descobertas que nos ajudarão a desvendar muitas coisas sobre este universo fascinante. Obrigado Calife mais uma vez por compartilhar estas informações conosco, muito interessante o artigo!

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