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O pequeno satélite que abalou o mundo

Matéria publicada em 30 de setembro de 2017, 09:00 horas

 


Há 60 anos a conquista do Espaço começava com o lançamento do Sputnik 1

Semana que vem o mundo comemora os 60 anos do início da conquista do Espaço. Foi em 4 de outubro de 1957 que a União Soviética assombrou o mundo com o lançamento do Sputnik 1. Um engenho do tamanho de uma bola de futebol que transmitia um sinal de rádio ouvido em todo o planeta. Nesses 60 anos a tecnologia espacial nos deu coisas como a televisão via satélite, previsões do tempo mais confiáveis, e sistemas de orientação via satélite GPS. E a aventura espacial da humanidade está apenas começando.

Em 60 anos progredimos de um satélite do tamanho de uma bola para uma estação espacial do tamanho de um campo de futebol. No dia 12 de setembro, uma nave Soyuz decolou da base de Baikonur, no Cazaquistão, levando uma nova tripulação para a estação espacial internacional. Além dos três cosmonautas, a nave Soyuz MS06 levou uma pequena réplica do Sputnik, que flutuou dentro da cabine assim que a nave entrou em órbita. Até os correios dos Estados Unidos lançaram um selo comemorando a data.

O Sputnik marcou o início de uma nova era. Antes de ele viajar pelo Espaço Sideral era uma fantasia dos filmes e das histórias em quadrinhos. O Sputnik mostrou que a fantasia podia virar realidade. Um mês depois os soviéticos lançaram o Sputnik 2, tripulado pela cadela Laika. O primeiro ser vivo a penetrar no mundo das estrelas. Os americanos responderam ao avanço soviético com uma série de satélites e sondas. E começaram a sonhar com uma viagem à Lua.

Os dois rivais da corrida espacial tinham posturas totalmente diferentes. Os soviéticos faziam tudo em segredo e só anunciavam depois do sucesso. Os americanos convocavam a imprensa para sua base em Cabo Canaveral e o mundo assistia ao vivo seus sucessos e fracassos. Como a explosão do satélite Vanguard, em 1958. A abertura americana deu vantagem aos soviéticos. A nave espacial Soyuz, por exemplo, que os russos usam até hoje, copiou o desenho da Apollo GE americana, que foi capa de revista em 1961.

Com sua vantagem inicial os soviéticos enviaram o primeiro homem ao espaço no dia 12 de abril de 1961. Yuri Gagarin se tornou um ídolo mundial. Em 1963, Valentina Tereskhova, uma paraquedista russa, foi a primeira mulher a orbitar a Terra a bordo da nave Vostok 6. Os primeiros astronautas viajavam em cápsulas pequenas e apertadas, mas sua coragem inspirou artistas e ofereceu uma alternativa pacífica para as disputas militares do nosso planeta. Com sua nave Apollo os americanos conquistaram a Lua em 1969. Os soviéticos se especializaram na construção de pequenas estações espaciais na órbita da Terra.

Paz e cooperação

A corrida espacial terminou em 1975, quando uma nave americana Apollo se uniu a uma nave soviética Soyuz, iniciando uma era de paz e cooperação no Espaço. Um momento histórico que foi relembrado na abertura do filme “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”, exibido recentemente nos cinemas. A cooperação entre russos e americanos continuou com as visitas do ônibus espacial da Nasa a estação orbital russa Mir nos anos de 1990. Hoje os antigos rivais da Guerra Fria fazem parte de um projeto de 12 nações que mantém a enorme ISS em funcionamento no espaço.

O futuro, nesses 60 anos do Sputnik, está repleto de promessas. Empresas comerciais como a Space X já desenvolveram foguetes que retornam à Terra intactos. E sonham com uma missão ao planeta Marte na próxima década. Chineses e europeus fazem planos para uma colônia na Lua. No futuro enormes instalações em órbita poderão suprir nosso planeta com produtos e energia barata.

A sobrevivência da humanidade a longo prazo depende da conquista do Espaço. Cooperando para sobreviver em um universo imenso e hostil, a humanidade poderá esquecer antigas rivalidades e nacionalismos, e superar os desafios do novo milê

 

Por Jorge Luiz Calife

jorge.calife@diariodovale.com.br


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