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Os espiões de hoje e de ontem

Matéria publicada em 19 de fevereiro de 2015, 16:28 horas

 


‘Kingsman: Serviço Secreto’ retoma a temática do agente adolescente; filme tem muita ação, humor e violência

Jorge Luiz Calife
jorge.calife@diariodovale.com.br

Já não se fazem mais espiões como antigamente. James Bond está desmoralizado e a última aposta do cinemão no gênero é um agente secreto adolescente. “Kingsman: Serviço Secreto” tem o novato Taron Egerton no papel de um delinquente juvenil, Gary Eggsy Unwin, recrutado pelo serviço de espionagem britânico. O filme do diretor  Matthew Vaughn (Kick Ass, X-Men: Primeira Classe) tem muita ação, um bocado de humor e muita violência. Mas não acrescenta nada de novo a um gênero que mostra sinais de esgotamento.
A ideia de juntar o filme para adolescente com o cinema de espionagem já foi tentada antes, com resultados melhores em 1991, no filme “Espião por Engano”. Richard Grieco era um jovem universitário arrastado para uma trama internacional que incluía carros de luxo, castelos na Europa e mulheres fatais. “Kingsman” tem os carros, as armas, o humor e bons atores. Mas a julgar pelo trailer as mulheres ficaram de fora. Pelo visto não é politicamente correto colocar um menor de idade seduzindo e sendo seduzido por damas mais velhas.
O gênero espião sedutor teve o seu auge na década de 1960. Começando com o “007 Contra o Satânico Dr. No” em 1962 e fechando a década com o “Dagger: O caçador de espiões”, de 1969. Dagger é o herói pendurado com a mocinha loira no cartaz aí ao lado. Ele tinha um relógio que disparava um raio laser e vivia cercado de loiras sedutoras. Incluindo suas ajudantes Harper e Erica. O vilão era um criminoso nazista que andava em uma cadeira de rodas cheia de armas. Como nos filmes do “007”, todo mundo era adulto e emancipado neste filme. A ideia de confiar segredos de estado a um adolescente preso por roubo seria impensável naquela época.
Ser um agente secreto mortal e sedutor já era parte das fantasias dos adolescentes em 1969. Eu estava no segundo grau e lembro que todos os meus colegas de turma foram ao cinema ver o filme do Dagger voltando entusiasmados. Eles tinham 14, 15 anos de idade e queriam ser espiões quando crescessem. Viajar pelo mundo, pilotar carros velozes e, claro, namorar todas aquelas loiras e morenas.
Depois, na década de 1970, os filmes do James Bond saíram de moda. Roger Moore transformou o herói em um palhaço, dizendo piadas e enfrentando vilões caricatos como o “dentes de aço” do Richard Kiel. Na última década tentaram transformar James Bond em um personagem sério e realista e acabaram com todo o charme do personagem. Além de incompetente, o James Bond do Daniel Craig é uma caricatura de si mesmo. Daí a tentativa de reinventar o gênero com esse “Kingsman: Serviço Secreto”. Mas a julgar pelo trailer que está na internet erraram feio na fórmula.
Depois de ser preso por roubo, Eggsy – o anti-herói adolescente -, tem sua fiança paga por um homem elegante de sotaque britânico. Ele é o agente Harry Hart (Colin Firth) que está recrutando talentos para uma agência de espionagem. O grupo Kingsman é tão secreto como a unidade de missões impossíveis do Tom Cruise. E para ser admitido, o recruta precisa sobreviver a um treinamento mortífero que soa ridículo de tão exagerado. Uma das provas exige que os candidatos saltem de um avião em voo, sabendo que o paraquedas de um deles não vai funcionar. Uma imitação daquela abertura do “007: Contra o foguete da morte” onde o James Bond é jogado de um avião e tem que tomar o paraquedas do “dentes de aço”. No James Bond a situação surge acidentalmente e não é forçada como neste filme.
O elenco inclui o Samuel L. Jackson como um vilão totalmente caricato e o Michael Caine que depois de interpretar o professor Brand em “Interestelar” faz uma participação de cinco minutos neste filme. Vilões caricatos são um clichê nesse tipo de filme. Desde que Donald Pleasence colocou um gato persa no colo e interpretou o Blofeld em “Só se vive duas vezes” (1966). Virou cult e serviu de inspiração para o doutor Evil do Austin Powers. Já o Samuel L. Jackson só consegue ser ridículo.


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