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Os musicais de ontem e de hoje

Matéria publicada em 14 de setembro de 2015, 07:00 horas

 


Clássicos e produções recentes podem ser vistos em DVD e Blu-ray

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‘Burlesque’: Cher e Christina Aguilera em um mundo de cores (Foto: Divulgação)

O musical é um dos gêneros mais bonitos do cinema. Mesmo aquelas produções que já faziam sucesso no teatro ganham mais recursos e um visual mais elaborado quando são filmadas. A tecnologia moderna, dos discos Blu-ray e das TVs digitais, permite assistir a esses filmes em casa, com uma qualidade igual ou superior a do cinema. Tanto os clássicos do gênero, como “A Roda da Fortuna”, quanto as produções mais recentes, tipo “Burlesque” estão disponíveis em Blu-ray, para alegria dos apreciadores deste cinema cheio de dança, música e cor.
No cinema americano os musicais começaram bem cedo, nas décadas de 1930 e 1940. Mas a era de ouro do musical americano foi nos anos de 1950, quando atores dançarinos como Gene Kelly e Fred Astaire atraíam multidões aos cinemas. Desses filmes dos anos de 1950, todos muito coloridos e em cinemascope, há quatro que não podem faltar em nenhuma discoteca de respeito. “Cantando na Chuva”, “A Roda da Fortuna”, “Meias de Seda” e “Cinderela em Paris”. Os três primeiros contam com a beleza e o talento da melhor bailarina de Hollywood. A lendária Cyd Charisse.
Na década de 1960 o musical quase morreu. Produções como “Hello Dolly” deram prejuízo aos estúdios e Hollywood só queria saber de épicos históricos, tipo “Cleópatra” e “El Cid”, ou dramas realistas. Só nos anos 70 que o musical ressurgiu brevemente devido ao sucesso do filme “No Tempo da Brilhantina”, com John Travolta e Olivia Newton John. “Grease” tinha sido um musical de sucesso da Broadway quando foi adaptado para o cinema, com atores diferentes. Com o sucesso do Travolta ele teve que dançar em mais dois filmes. Incluindo “Os Embalos de Sábado Continuam”, dirigido por ninguém menos do que o Sylvester Stallone.
Imaginar Stallone as voltas com bailarinas e dançarinos é quase uma ficção científica. O filme fracassou nas bilheterias, mas é bem interessante. Travolta, o Tony Manero de “Os Embalos de Sábado a Noite” resolve se profissionalizar e consegue ser escalado para um musical da Broadway. Uma versão pop do Inferno de Dante. Destaque para a loira Cynthia Rhodes que podia ter sido a Cyd Charisse dos anos 80 se os estúdios tivessem investido nela.

No topo

O ápice do gênero na década de 1980 foi “O Show Deve Continuar” (All That Jazz) com Bob Fosse (Do Cabaré) dirigindo Roy Scheider no papel de um coreógrafo a beira da morte. As sequências de música e dança são espetaculares e ficam ótimas em uma TV de alta definição. Infelizmente é bem difícil achar esse filme em DVD aqui no Brasil. É preciso garimpar na internet e recorrer as lojas americanas.
Nos últimos anos o musical voltou com força e foram produzidos vários filmes bons. Com o destaque para o “Moulin Rouge” da Nicole Kidman, e o “Nine” do diretor Rob Marshall. O filme é uma homenagem ao cinema italiano, de diretores como Frederico Feline. É praticamente uma versão do “Oito e Meio”, do Fellini, com música e dança. E tem a Nicole Kidman como uma das musas do diretor italiano interpretado pelo Daniel Day-Lewis.
“Nine” passou nos cinemas em 2009 e foi seguido, um ano depois pelo “Burlesque” com a Cher (musa dos anos 70) e a Christina Aguilera. O filme é sobre um cabaré decadente, que ganha vida nova graças aos esforços de uma garçonete, que vira cantora e dançarina assim em um passe de mágica. Destaque para o uso da cor que rende umas sequências belíssimas.
O mundo mudou e com ele o gênero do filme musical. Uma coisa interessante, que se destaca, quando vemos hoje os musicais dos anos 50, é o papel das mulheres. Nos musicais clássicos, como “Cantando na Chuva” e a “Roda da Fortuna” a história gira em torno dos personagens masculinos. As mulheres estão lá para ajudar ou atrapalhar, mas não são as protagonistas da história.
Hoje em dia é diferente. Em “Nine” o diretor de cinema não é nada sem suas musas. As mulheres que povoam seus sonhos. E em “Burlesque” a trama está centrada em duas protagonistas.

Por Jorge Luiz Calife
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