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Protesto à intolerância religiosa, livro é lançado em Volta Redonda

Matéria publicada em 20 de novembro de 2016, 08:00 horas

 


‘Terecô de Codó – uma religião a ser descoberta’ foi escrito por Cícero Centriny, após ouvir um discurso discriminatório

'Uma religião a ser descoberta': Na capa, uma homenagem à Mãe Maria do Sete, mãe biológica do autor (Foto: Reprodução)

‘Uma religião a ser descoberta’: Na capa, uma homenagem à Mãe Maria do Sete, mãe biológica do autor (Foto: Reprodução)

Volta Redonda – O Centro Cultural Fundação CSN recebe nesta segunda-feira, dia 21, às 17h30, o lançamento do livro ‘Terecô de Codó – uma religião a ser descoberta’. A obra conta um pouco sobre o Terecô, religião afro-brasileira costumeiramente associada à cidade de Codó, no Maranhão – a 290 quilômetros da capital São Luís. O objetivo do livro, de acordo com o autor, Cícero Centriny, é registrar a história da religião, que teve início com escravos.

Religião: Terecô é muito presente no Maranhão, especialmente na cidade Codó (Fotos: Divulgação/Márcio Vasconcelos)

Religião: Terecô é muito presente no Maranhão, especialmente na cidade Codó (Fotos: Divulgação/Márcio Vasconcelos)

Quem trouxe o autor para Volta Redonda, como sacerdote anfitrião, foi Hungbono Xe’gbo Agesi (Kláudio Rycardo) do culto Vodun na região. Cícero disse que começou a escrever depois que presenciou um discurso discriminatório no Rio de Janeiro, quando um pesquisador se referiu ao Terecô como “uma coisa sem pé, nem cabeça” e que nem mesmo seria uma religião séria e que se tratava apenas de um monte de negros dançando.

– Estava no Rio, onde haveria uma palestra sobre o Terecô, ministrada por mim, e quando era anunciado o evento um repórter perguntou a um pesquisador o que era o Terecô. Ele então respondeu que era “uma coisa que existia no Maranhão, em Codó, onde um monte de negros ficavam dançando, sem pé e nem cabeça. Eu estava no auditório mas ambos não sabiam que eu seria o palestrante, então com toda a minha indignação fiz a minha palestra, talvez tenha sido a minha melhor – lembrou Centriny, que acrescentou: “A partir daquele momento eu entendi porque era eu quem tinha de contar a minha história e dos meus antepassados, não os ditos pesquisadores sem a menor noção”.

Centriny contou que nasceu numa família tradicional de terecozeiras (mulheres que cultuam a religião do terecô) e mesmo tendo praticamente nascido dentro de um terreiro, fez questão abranger um trabalho de pesquisa e entrevistas além de sua visão.

– Contei com a minha vasta experiência e convivência dentro desse complexo culto, além de nove anos de extensas pesquisas – afirmou.

O Terecô é uma religião muito presente no Maranhão, especialmente na cidade Codó. Por isso o nome tão associado à cidade: “Terecô de Codó”.

Centriny disse que a obra faz uma reflexão sobre as práticas rituais que compõem essa religião de matriz africana, extremamente importante na história negra do Maranhão, contribuindo assim para a preservação da memória e cultura popular e religiosa maranhense.

Manifestação de fé: Praticantes mantêm tradições dos antepassados (Fotos: Divulgação/Márcio Vasconcelos)

Manifestação de fé: Praticantes mantêm tradições dos antepassados (Fotos: Divulgação/Márcio Vasconcelos)

Durante o evento desta segunda-feira, o escritor deve realizar uma roda de conversa sobre o tema e a intolerância religiosa, aproveitando-se da proximidade do Dia da Consciência Negra – comemorado neste domingo, dia 20.

Arlindo Novais
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