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Russos começam a gravar filme no espaço sideral

Matéria publicada em 6 de outubro de 2021, 17:28 horas

 


William Shatner, o capitão Kirk de Jornada nas Estrelas, decola de verdade no dia 12

Entrevista: Yulia (de vermelho) e os astronautas na ISS

Os russos chegaram primeiro. Na última terça feira, dia 5, a nave espacial Soyuz MS-19 acoplou com a Estação Espacial Internacional levando a atriz Yulia Peresild, o diretor Klim Shipenko e o cosmonauta Anton Sklaperov com a missão de gravar cenas de um filme no espaço. E assim o cinema russo se antecipa aos planos do ator americano Tom Cruise, que negocia um voo semelhante com a agência espacial Nasa. Depois de desembarcar na estação com seus colegas, Peresild disse que “tudo parece um sonho e tenho a impressão de que ainda estou dormindo”.

Mas os americanos, eternos rivais dos russos no cosmos, também vão disputar espaço nos noticiários. No dia 12 deste mês, na próxima terça feira,o ator William Shatner, conhecido por interpretar o capitão Kirk no seriado “Jornada nas Estrelas”, decola no foguete New Shepard, do empresário Jeff Bezos, para um voo suborbital.

Com 90 anos de idade, Shatner vai ser o homem mais velho a ir ao espaço. Ele deu vida ao capitão James T.Kirk, da nave estelar Enterprise em uma série de filmes para o cinema e num seriado de TV que se tornou um ícone da cultura norte-americana. Sobre seu voo real ele disse que quer ver “a imensidão do espaço sideral”. E acrescentou que, depois de passar a vida inteira ouvindo falar no espaço ele quer ver como é.

O foguete New Shepard deve alcançar uma altitude de 120 quilômetros, acima da linha de Karman, o que confere aos seus tripulantes o título de astronautas. Shatner voará acompanhado pela diretora da Blue Origin e mais dois convidados. Se tudo correr bem o voo vai durar apenas 15 minutos e a cápsula espacial descerá de paraquedas no deserto do Texas.

Já as filmagens da produção russa “O desafio” ocorrem a mais de 400 quilômetros de altura e devem durar duas semanas. A equipe só retorna a Terra no final de outubro. O filme conta a história de uma médica que vai ao espaço socorrer um cosmonauta ferido e que precisa de uma cirurgia de emergência. Além das cenas a bordo da estação espacial, num ambiente de gravidade zero real, a equipe de produção gravou cenas da decolagem do foguete Soyuz na base de Baikonur, no Cazaquistão.

Como convêm a um filme de suspense, a viagem da atriz e do diretor de cinema não aconteceu sem alguns pequenos problemas. A nave Soyuz MS-19 foi lançada em uma órbita mais curta, que permitiu que acoplasse com a estação espacial apenas duas horas depois da partida. Geralmente essas naves seguem uma órbita mais longa e levam um dia inteiro para chegar na ISS. No finalzinho do voo o sistema de acoplamento automático falhou devido a um problema de comunicação. E o cosmonauta Anton Sklaperov assumiu o comando e fez o acoplamento manual. A partir daí a nave foi fixada na comporta da estação e Yulia e o diretor Shipenko puderam dar sua primeira entrevista do espaço sideral.

Com a popularização dos voos espaciais comerciais e provável que outros filmes sejam rodados no espaço. Talvez até na Lua se prosseguirem os planos de montar uma base no nosso satélite natural. O que realizaria uma profecia do escritor Arthur C.Clarke. Em 1968, durante o lançamento do filme “2001: uma odisseia no espaço”, Clarke disse que o próximo filme de ficção espacial seria rodado no espaço. Levou cinquenta e três anos para que este sonho se realizasse.

 

Jorge Luiz Calife

 


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