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Semana de moda de Paris mostra que roupas são o de menos

Matéria publicada em 18 de março de 2015, 06:55 horas

 


Por Folhapress –

Nem tudo se resume a roupas numa semana de moda como a de Paris. Para quem acompanhou o evento fora das salas de desfiles, a roupa, na verdade, era o de menos.

“É tudo sobre Kim e Kanye”, resumiu pesaroso, um colega ilustrador na semana passada. Ele citava o casal mais arroz de festa da moda, a socialite Kim Kardashian e o rapper Kanye West, que dominaram o noticiário e as rodas de conversas.

Exibindo o novo visual platinado, Kardashian ostentou seu guarda-roupa milionário em desfiles como o da Givenchy e o da Louis Vuitton, dois dos mais cobiçados da temporada e que dividiram os flashes com a estrela popozuda.

A farofa fashionista ficou ainda mais temperada no desfile da Valentino. Os atores americanos Owen Wilson e Ben Stiller encerraram a apresentação inspirada na musa do pintor austríaco Gustav Klimt (1862-1918), Emilie Flöge (1874-1952).

Apesar da bela coleção de mosaicos em preto e branco, foi a dupla de penetras que fez os convidados levantarem os iPads e aplaudirem o show.

Wilson e Stiller apenas divulgavam o início das filmagens de “Zoolander 2”, sequência do filme homônimo que satiriza o circo fashionista e o mundo das modelos.

Os estilistas mais experientes sabem que belas roupas não são o suficiente.

A italiana Miuccia Prada, em plena forma e tino de ironia, jogou hits do grupo Talking Heads no meio de sua coleção de estampas animais, vinil e tweeds da Miu Miu.

“Você se lembra de alguém aqui?/ Não, você não se lembra de nada / Eu estou dormindo.” A voz de David Byrne na música “Memories Can’t Wait” (1979), uma das primeiras do pós-punk, ecoava pelo Palais D’Iena lembrando que enquanto ali se falava de roupas, o mundo entra em colapso.

Prada sabe que suas clientes festeiras, menos intelectualizadas que as de sua grife homônima, vão gostar das peças de crocodilo fake e da silhueta dos anos 1950, um dos períodos mais românticos da moda, revisto na coleção com um perfume punk.

Suntuoso e atento ao clima de tensão social foi o desfile da Moncler Gamme Rouge.

Os sons de cavalaria encheram a sala, montada com um caminho de folhas secas que reproduzia uma floresta.

Casacos pesados de tweed e de pele compunham os looks arrematados com leggings e botas equestres.

O estilista Giambattista Valli revisitou as roupas tradicionais dos cavaleiros britânicos numa mistura de alfaiataria esportiva com alta-costura.

O rufar dos tambores e a marcha de militares sob a luz vermelho-sangue no final do desfile remetia a algum período sangrento da história, uma imagem não tão distante da realidade que a moda, em geral, prefere dar as costas. “Estão todos dormindo”, diria Miuccia Prada.


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