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Sesc Paraty comemora centenário do cinema de animação brasileiro

Matéria publicada em 20 de setembro de 2017, 08:00 horas

 


1° Encontro de Cinema de Animação do Sesc Paraty acontece de 26 de setembro a 1º de outubro; programação inclui duas mostras

Paraty – O cinema de animação brasileiro tem crescido e ganhado espaço no Brasil. E quem curte o assunto já pode se programar e ir rumo a Paraty. A cidade será palco do 1° Encontro de Cinema de Animação do Sesc Paraty. O evento, que acontece de 26 de setembro a 1º de outubro, será uma oportunidade de aproveitar o aconchego da cidade histórica para debater as tendências e o panorama atual com artistas brasileiros, fazedores/criadores de cinema de animação do país.

O cinema de animação brasileiro vem ganhando espaço e respeito pela qualidade de suas produções. Idealizado pelo Sesc Paraty, quinze profissionais estarão presentes nessa primeira edição participando de uma programação voltada para proporcionar os encontros e as trocas de experiências.

A programação

No ano em que se comemora os 100 anos desta técnica, a programação inclui duas mostras. O diretor do longa metragem “Até que a Sbórnia Nos Separe” (2014), o gaúcho Otto Guerra, organizou uma programação para homenagear os animadores que fizeram, e fazem o cinema de animação nacional ser uma referência mundial. A outra curadoria, também criada especialmente para o evento pelo diretor mineiro Sávio Leite, é a Mostra Udigrudi Mundial de Animação (MUMIA). Completando 15 anos de vida, o MUMIA é um festival internacional focado na promoção de curtas-metragens de animação que conta com critérios abertos de participação dos animadores.

Além das tradicionais sessões de filmes, o 1° Encontro de Cinema de Animação do Sesc Paraty tem em sua programação, rodas de conversa e oficinas para troca de conhecimentos e bate papos sobre a produção de filmes de animação no país. Em uma cidade de 40 mil habitantes, reconhecida como palco de eventos internacionais, o 1° Encontro de Cinema de Animação do Sesc Paraty, longe de ser um evento grandioso e impessoal, pretende ser um espaço acolhedor e polo de referência para debates sobre a criação, a produção de animações brasileiras, e gerador de conhecimentos sobre essa linguagem.

História

Há 100 anos, no dia 22 de janeiro de 1917, acontecia a exibição do filme “O Kaiser”, no Cine Pathé, na então capital federal, Rio de Janeiro. Criado pelo cartunista Seth, pseudônimo de Álvaro Marins, do primeiro filme brasileiro de animação sobrou apenas um quadro. Durante anos, vários curtas-metragens foram produzidos de forma heroica pelos animadores brasileiros. Somente em 1951 foi lançado o primeiro longa de animação nacional.  “Sinfonia Amazônica”, de Anélio Latini Filho, levou cinco anos para ser feito. Foram cerca de 500 mil desenhos, todos criados por Anélio, onde o personagem Curumi conta sete histórias do folclore brasileiro.

Com o passar dos anos, os profissionais brasileiros foram ganhando espaço em diversos estúdios conhecidos. Hoje participam de produções de animações famosas como o diretor das franquias “Rio” e “A Era do Gelo”, da Blue Sky, Carlos Saldanha; o artista de storyboard da Dreamworks em “Madagascar”, “Kung Fu Panda” e “Megamente”, Ennio Torresan; e a animadora em “Mulan”, da Disney, vencedora do importante Festival de Annecy, Rosana Urbes. Rosana estará ministrando a oficina Animação de Figura Humana no 1° Encontro de Cinema de Animação do Sesc Paraty.

Para se ter uma dimensão da competência dos animadores, o Festival de Annecy, França, um dos mais importantes do mundo, premiou três títulos brasileiros nos últimos anos: “Uma História de Amor e Fúria”, de Luiz Bolognesi (Melhor Longa – 2013); “O Menino e o Mundo”, de Alê Abreu (Melhor Longa – 2014) e “Guida”, Rosana Urbes (Melhor Primeiro Curta – 2015). Vale incluir nessa lista o longa-metragem “O Menino e o Mundo”, de Alê Abreu, que concorreu com outros quatro finalistas ao Oscar de Melhor Longa de Animação, em 2016.

 

Serviço

As inscrições para as oficinas podem ser feitas até dia 22 de setembro, pelo e-mail (inscricoes.ccsp@sesc.com.br) ou presencialmente na Unidade Sesc Santa Rita, Rua D. Geralda, 15 – Largo de Santa Rita, Paraty. A programação do 1° Encontro de Cinema de Animação do Sesc Paraty acontecerá de 26 de setembro a 1º de outubro na  Unidade Sesc Santa Rita. Todas as atividades são gratuitas. Mais informações pelo telefone: (24) 3371-4516.

 

Conheça os convidados do 1° Encontro de Cinema de Animação do Sesc Paraty

– Um dos convidados é Alê Abreu. Ele é diretor de cinema brasileiro e dirigiu Garoto Cósmico e O Menino e o Mundo, entre outros. O animador paulistano foi o artista homenageado pelo Anima Mundi em 2017. Em 2010 lançou seu segundo livro como autor, o infantil “Mas Será que Nasceria a Macieira?”, em parceria com Priscilla Kellen. Em 2014 lançou “O Menino e o Mundo”, filme vencedor de 46 prêmios e indicado ao Oscar de animação.

– Analucia Godoi é sócia e diretora do estúdio de animação Giroscópio Filmes, desde 2008. Entre as suas produções estão séries de interprogramas premiadas para o Canal Futura, e vinhetas de abertura para o Anima Mundi.

– Ana Flávia Marcheti é autora do livro Trajetória do cinema de animação no Brasil. A coletânea inédita no país inclui material imagético e textual, entre entrevistas, fotogramas, fac-símiles e outros documentos. Graduada em Design pela Universidade Mackenzie (SP), descobriu a animação na metade do curso universitário e hoje atua como storyboarder em projetos como Planeta Palavra.

– Beatriz Lindenberg é a coordenadora do Instituto Marlin Azul, criado em 1999, que desenvolve projetos de formação, produção e difusão audiovisuais em benefício de comunidades em situação de exclusão social e cultural.

– Bruno Cabús é diretor de filmes, animador, fotógrafo e arte-educador. Formado em Biologia, trabalha no universo audiovisual desde 2004. Idealizador e instrutor do projeto Animeco – Cinema de Animação e Educação. Como diretor recebeu 2 prêmios em festivais com o seu filme “Visceral” – animação com algumas cenas em  live action (com atores): 2º lugar na categoria animação no 14ºFestcine – Pernambuco e como Prêmio Vocação no 11º MUMIA – Minas Gerais. Atualmente trabalha na produção de seu novo curta-metragem “CO44”, no qual lança mão novamente da união entre animação stopmotion e filmagem com atores.

– Diego Akel nasceu em 1983 em Manaus (AM), mas no mesmo ano se mudou com os pais para Fortaleza (CE). Desenha desde pequeno, e seus primeiros experimentos em animação datam de 1998, quando realizou seus primeiros curtas-metragens caseiros com a câmera emprestada de amigos. Recebeu diversos prêmios, entres eles duas vezes como Menção Honrosa no ANIMAGE – Festival Internacional de Animação de Pernambuco, e em 2014 o prêmio de Melhor Filme Brasileiro no IV Brasil Stop Motion Film Festival. Em 2016, seu curta “Fluxos” foi convidado a participar da exposição “Plot in Plastilin”, no Gewerbemuseum, em Winterthur, na Suíça, ao lado de trabalhos de referência mundial de animação em massa de modelar.

– Humberto Avelar é diretor de cinema de animação e TV. Formou-se em Comunicação Social com especialização em Cinema pela Universidade Federal Fluminense e iniciou sua carreira como animador de filmes publicitários. Atualmente trabalha como Diretor da série “Sítio do Picapau Amarelo” em desenho animado para Mixer/TV Globo e como diretor de animação na produtora Multirio, onde desenvolve e cria filmes de animação para cinema e TV, séries, aberturas e campanhas. Seus filmes de animação da série Juro que vi: “O Curupira”, “O Boto” e “Matinta Perera”, e da série Cantigas de roda: “Seu Lobo”, vem sendo premiados em festivais de cinema dentro e fora do Brasil, com destaque para o Prix Jeneusse Iberoamericano, o Japan Prize e para os Festivais de Recife, Maranhão, Bahia e Animamundi.

– Jonas Brandão é produtor, diretor, roteirista, animador e um dos proprietários do Split Studio, produtora de animação e games situada na cidade de São Paulo. Entre seus trabalhos mais importantes e recentes estão a renovação da série Turma da Mônica (Cartoon Network), do qual é roteirista e diretor; a criação, roteiro e direção da série Wee Boom (estreia em 2018, no Boomerang Latin America e Futura); a criação e direção da série Que corpo é esse (Futura); a produção da 3ª temporada da série animada do Sítio do Picapau Amarelo (Cartoon Network e Globo); além da direção de mais de 400 games e 20 comerciais publicitários em animação, incluindo a direção de animação do From love to Bingo, vencedor de 2 leões em Cannes.

– Juliano Enrico é um quadrinista, diretor de animação, ator e ex-VJ da extinta MTV Brasil. Irmão do Jorel é uma animação criada em 2014 por Juliano Enrico para o Cartoon Network. A animação surgiu primeiro na internet e hoje integra a programação do canal infantil.

– Maíra Norton é formada em Comunicação Social pela UFRJ. Mestre em Ciências das Artes pela UFF. Autora do livro Cinema Oficina: técnica e criatividade no ensino do audiovisual, Eduff: 2013. Desde 2007 oferece oficinas de cinema em escolas, comunidades e espaços culturais, tendo trabalhado com diversos projetos e organizações, dentre eles: Cinead/UFRJ, Imagens em Movimento, Inventar com a Diferença/UFF/SDH, Cineduc, Cinema Nosso, Casa da Cultura de Paraty e Sesc Paraty. Integrante do Coletivo Feminista M.A.R. onde organiza o Cine Mulher, cineclube de filmes dirigidos por mulheres com exibições mensais em Paraty.

– Marcelo Marão é desenhista e animador. Seu primeiro curta metragem, Cebolas São Azuis, feito em 1996, produziu o curta Chifre de Camaleão, que venceu a competição brasileira do Festival Anima Mundi de 2000, e conseguiu a segunda colocação na competição internacional. Com animação feita a lápis e em preto e branco, o curta de sete minutos de duração retrata fatos “bizarros” da vida dos camaleões. Hoje Marão tem dez curtas finalizados. Com estúdio de animação em Copacabana, no Rio, a Marão Filmes, o animador prepara o roteiro do primeiro longa, com o título provisório de Bizarros Peixes das Fossas Abissais.

– Moira Toledo é bacharel em Cinema – FAAP-SP/2002, mestre em Comunicação e Semiótica – PUC-SP/2004, doutora em Ciências da Comunicação – USP-SP/2010 e pós-doutora em Educação – UFRJ/2017. Dirigiu vários curtas-metragens ficcionais, programas documentais e médias-metragens para TV. Atua há 17 anos desenvolvendo, lecionando em e/ou coordenando projetos de educação audiovisual (Oficinas TelaBrasil, Escola Livre de Santo André, Oficinas Kinoforum, Instituto Criar, Sesc, Centro de Cultura Judaica, Escola Dante Alighieri, dentre outros); e de formação de professores para o uso do audiovisual na educação formal (Secretarias Municipais de Cultura e/ou Educação de Porto Alegre, Recife, João Pessoa, Palmas, Brasília e São Paulo).  Atuou como presidente do júri do Festival de Cinema Latino de Toronto, nas comissões de seleção do VAI 1 e 2, dos Festivais de Curtas de SP (Kinoforum), Claro Curtas e Entretodos. Seu primeiro longa-metragem (“Cecília em Duas Estações”), premiado pelo edital de desenvolvimento de roteiros PROAC, está em pré-produção.

– Otto Guerra estudou filosofia, direito e comunicação, sem se formar em nenhum destes cursos. Em 1977 trabalhou em uma agência publicitária de Porto Alegre, fazendo animação para comerciais. No ano seguinte, fundou seu próprio estúdio, Otto Desenhos Animados. Seu primeiro curta-metragem foi O Natal do burrinho, lançado em 1984. Em 1995, Guerra lançou o longa Rocky & Hudson- Os Caubóis Gays, baseado na tira de Adão Iturrusgarai. Em 2006, produziu Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll”, baseado nos personagens do cartunista Angeli. No ano de 2013, o diretor lançou “Até que a Sbórnia nos Separe”, baseado na dupla musical Tangos e Tragédias.

– Rosana Urbes durante alguns anos trabalhou fora do Brasil fazendo filmes de longa-metragem de animação e ilustrando estórias para livros infantis. Tem uma produtora em São Paulo para projetos de curta-metragem de animação. É instrutora de oficinas de ilustração, animação 2D e modelo vivo, tanto em seu  estúdio como em outros espaços pelo Brasil.

– Sávio Leite é jornalista, mestre em Artes Visuais pela UFMG. É diretor de curtas-metragens, professor de cinema de animação no Centro Universitário UNA e coordenador de workshops de vídeo e imagem, tendo colaborado ainda em vários projetos cinematográficos. Seus trabalhos foram apresentados e premiados em importantes festivais ao redor do mundo. Nominado três vezes ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. Foi júri em festivais na Finlândia, Chile, Colômbia, Equador, Peru e Armênia e em diversos outros no Brasil. É curador junto ao grupo de teatro Oficina Multimédia da mostra de Cinema: cultura, arte e poder realizada há oito anos e que integra a programação do Verão Arte Contemporânea de Belo Horizonte. Fundador e um dos diretores da Múmia – Mostra Udigrudi Mundial de Animação.


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