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Tom Cruise e sua mais nova Missão Impossível

Matéria publicada em 17 de agosto de 2015, 07:00 horas

 


Ator tenta superar as proezas dos filmes anteriores; roteiros seguem uma fórmula bem estabelecida

Tradição: ‘Missão Impossível – Nação Secreta’ é o quinto longa-metragem em que Cruise faz o papel do agente Ethan Hunt (Foto: Divulgação)

Tom Cruise, o baixinho invocado, chega aos cinemas no quinto filme da série “Missão Impossível”, que já foi um seriado de TV, bem diferente dessas versões modernas. Era sobre uma equipe de espiões que usava uma série de disfarces. No cinema os filmes são sobre o Tom Cruise fazendo tudo quase sozinho e realizando proezas cada vez mais fantásticas. Agora ele voa agarrado a porta de um avião Airbus A-400M, como na foto do cartaz aí ao lado. E garante que fez a cena toda sem dublês. É ver e conferir.
“Missão Impossível – Nação Secreta” é o quinto longa-metragem em que Cruise faz o papel do agente Ethan Hunt. Os roteiros seguem uma fórmula bem estabelecida. Começa com uma missão que fracassa, deixando o nosso herói em uma situação ruim diante de seus superiores. Decidido a limpar sua imagem ele vai para a clandestinidade e enfrenta sozinho alguma organização terrorista. Os inimigos são derrotados e Ethan Hunt se reconcilia com seus superiores.
Todo filme da “Missão Impossível” envolve alguma cena de ação espetacular. No primeiro, em 2001, Cruise ficou agarrado no teto do trem bala que faz a ligação França-Inglaterra através do túnel sob o canal da Mancha. No quarto filme ele escalou o prédio mais alto do mundo, o Burj Khalifa, nos Emirados Árabes. A obrigação de realizar uma façanha mais fantástica em cada novo filme levou o nosso herói a fuselagem de um avião de carga em plena decolagem.
O problema com esses filmes é que as cenas de ação são realmente espetaculares, mas os diretores se esquecem de desenvolver a personagem. Ethan Hunt é basicamente o Tom Cruise e não tem características definidas. É diferente, por exemplo, do Jason Bourne, aquele espião pós moderno interpretado pelo Matt Damon. Bourne tem uma personalidade própria que foi sendo explorada a cada novo filme.
Mesmo o James Bond, cujos filmes também enfatizaram a ação, tem uma persona característica e definida. Já o Ethan Hunt é um vazio. Não sabemos do que ele gosta, do que tem medo, se tem família, ou quais são seus sonhos e objetivos. Ele é só um veículo para o Tom Cruise continuar ganhando dinheiro e frequentando as páginas de cinema da internet. Alguém pode argumentar que as pessoas que entram no cinema, para assistir uma nova Missão Impossível, não estão nem aí para o personagem. Elas querem é ver o Tom Cruise se agarrar em cima do avião ou do trem bala.
Mas este personagem vazio prejudica a empatia de plateia. Em uma obra de arte, e o cinema é uma forma de arte, o público precisa se identificar com o personagem. Torcer por ele, roer as unhas quando ele está em perigo. Na Missão Impossível ninguém liga. Todo mundo sabe que o Ethan Hunt vai escapar sem um arranhão de todas as ciladas, salvar a mocinha e se redimir no final.
O elenco de apoio está lá só para isso mesmo. Para apoiar o estrelismo do protagonista. Cruise queria que Jessica Chastain, a nova queridinha de Hollywood, fosse a sua parceira neste filme. Envolvida em projetos espaciais como “Interestelar” e “Perdido em Marte”, Chastain recusou a oferta. E o papel da heroína ficou com a morena Rebecca Ferguson. Alec Baldwin, totalmente fora de forma, faz o chefe da Divisão Missão Impossível que tem a tarefa simples de advertir o herói no início e no fim da trama.
Como todo filme de agente secreto que se preza, “Missão Impossível – Nação Secreta” é um show de tecnologia avançada. Tanto na frente quanto atrás das câmaras. Para rodar a longa cena subaquática do filme a equipe usou a nova câmara Arri Alexa 65 que ainda não tinha sido usada em nenhuma outra produção. E o avião Airbus A400M ainda se encontra em fase de testes e um deles caiu na Espanha, matando todos os ocupantes.


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