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Um clandestino a caminho de Marte

Matéria publicada em 5 de abril de 2021, 15:45 horas

 


Filme da Netflix contou com a colaboração do youtuber Scott Manley

Projeto: Youtuber ajudou a criar a espaçonave

Hollywood continua de olho no planeta Marte. Depois das aventuras do Matt Damon em Perdido em Marte (2015) um novo filme narra os problemas de uma missão ao planeta vermelho. Dirigido por Joe Penna, “Passageiro Clandestino” deveria chegar aos cinemas brasileiros no dia 22 de abril. Mas com o recrudescimento da pandemia ninguém sabe se isso vai realmente acontecer. Mas não tem problema. A Netflix já anunciou que vai disponibilizar o filme para seus assinantes no final do mês.

O trailer do filme já pode ser visto no Youtube. E o popular canal de vídeos teve uma participação na produção desta aventura espacial. Por ser um filme de ficção “hard”, isto é, realista, os produtores recorreram ao Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, em busca de  dicas para o desenho da nave espacial. E a Nasa sugeriu que eles consultassem o youtuber Scott Manley, que faz análises semanais de todos os lançamentos espaciais. Manley, um astrofísico escocês de sotaque carregado, é um profundo conhecedor da tecnologia espacial e seus comentários surpreendem até os especialistas no assunto.

Quando o foguete SN-9 da Space X explodiu em dezembro passado, Manley concluiu, pela cor das chamas dos motores, que tinha havido uma anomalia na mistura de combustível. E os engenheiros concordaram com ele. Para o filme “Passageiro clandestino” ele usou um programa de computador para projetar um sistema realista, de gravidade artificial, para a espaçonave que viaja para Marte. Como todo mundo que acompanha as missões espaciais esta cansado de saber, não existe gravidade a bordo de uma nave em queda livre. E tudo flutua.

O problema é que custa muito caro simular esta ausência de peso com efeitos especiais. E a maioria dos filmes apela para um tipo de gravidade artificial. O meio mais prático de fazer isso é fazer a nave girar, para que a força centrífuga da rotação crie uma gravidade simulada. No filme do Matt Damon, por exemplo, a nave tinha uma estrutura em forma de roda, que girava a uma rotação por minuto. Todavia, uma nave com carrossel giratório precisa ser grande e pesada, e o diretor Joe Penna queria uma espaçonave pequena e claustrofóbica.

Manley sugeriu um antigo projeto da Nasa, onde a nave gira no espaço presa por um cabo ao estágio de um foguete, que age como contrapeso. E lembrou que esse tipo de experiência já

tinha sido feito na vida real, durante a missão da Gemini 11 em 1966. E o resultado já pode ser visto no trailer do filme.

“Passageiro clandestino” conta a história de um engenheiro, (Shamier Anderson) que fica preso em uma nave que vai para Marte. Ele entrou na nave para fazer uma inspeção, antes da partida, bateu com a cabeça, perdeu a consciência, e acabou a caminho de Marte. É como na antiga serie “Perdidos no Espaço” onde o doutor Smith ficou preso por acidente a bordo da Júpiter 2. A diferença é que “Passageiro clandestino” é um filme realista que imagina os problemas que uma situação dessas provocaria. As reservas de oxigênio da nave foram calculadas para os três astronautas da missão. E um quarto passageiro vai esgotar essas reservas antes que a nave chegue ao seu destino.

Ameaçado de ser jogado no espaço pela comandante Levenson (Anna Kendrick), o engenheiro Michael Adams precisa bolar um jeito de modificar o sistema de suporte de vida para aguentar a sobrecarga. O filme foi rodado no Bavaria Studios na Alemanha e se opõe as fantasias tipo “Jornada, Guerra nas Estrelas” onde as naves tem uma gravidade mágica e um estoque ilimitado de suprimentos.

A julgar pelo trailer, vale a pena embarcar nessa viagem.

 

Jorge Luiz Calife

Espaço: Filme estará disponível na Netflix

 


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