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Will Smith e o mito da duplicata

Matéria publicada em 17 de outubro de 2019, 08:05 horas

 


Temporada cinematográfica esquece os heróis e exalta os antigos vilões

Will Smith está nos cinemas com o filme de ação “Projeto Gemini”. No filme ele é uma espécie de agente secreto que luta conta um clone criado pelo governo para matá-lo. Projeto Gemini é dirigido pelo chinês Ang Lee, que tenta se recuperar de alguns projetos fracassados. O personagem do Will Smith não é exatamente um herói. Ele é um assassino profissional que trabalhava para o governo que agora quer sumir com ele. Vilões como protagonistas são uma característica da atual temporada cinematográfica. Que tem o filme solo do Coringa, com o Joaquin Phoenix, e o novo filme da Malévola com a Angelina Jolie, que estreia hoje na região.
Mas, voltemos ao Projeto Gemini do Will Smith. A ideia de um personagem que luta contra uma cópia se si mesmo não é novidade nenhuma. Uma versão muito mais interessante da luta de um homem contra si mesmo é o filme “O confronto” (The One) onde o Jet Li luta contra uma série de cópias dele mesmo vindas de um multiverso quântico. “O Confronto” foi dirigido por outro cineasta sino-americano, o James Wong, e exibido nos cinemas no ano 2001. O roteiro de “Projeto Gemini” apela para a ideia mais convencional de um clone, que já foi usada em um filme do Arnold Schwarzenegger, “O Sexto Dia”, exibido nos cinemas no ano 2000, um ano antes de “O Confronto” do Jet Li.
Mas, o tema do duplo é bem mais antigo e vem da mitologia europeia. Onde uma duplicata de uma pessoa que não é seu irmão gêmeo é conhecida pelo termo alemão Doppelgänger, que significa caminhante duplo. Geralmente essa duplicata aparece com um gêmeo malvado, que quer matar o seu duplo e tomar o seu lugar. Na mitologia egípcia esses irmãos ou irmãs gêmeas sem parentesco eram chamados de ka. Eram espíritos malignos que possuíam as mesmas memórias e sentimentos de uma pessoa.
Stephen King, o famoso escritor de histórias de terror, como “It – A Coisa”, já explorou a ideia em um de seus romances, The Outsider. Onde o vilão tem a capacidade de absorver o DNA de outras pessoas e virar uma cópia idêntica delas. Até na série “Friends” já teve um episódio sobre o tema onde a heroína Rachel Green, interpretada pela Jennifer Aniston, descobre uma cópia de seu namorado vivendo na mesma cidade. E chega a ter um encontro com ele. Felizmente esse Doppelgänger não é malvado como a maioria, ou teria sido o fim da Rachel.

Conceito

A ficção científica já levou esse conceito ao extremo através da ideia dos mundos paralelos. Onde tudo o que existe no nosso mundo tem uma duplicata idêntica. No episódio “O Espelho” da série clássica de Jornada nas Estrelas, um defeito no teletransporte manda o capitão Kirk e seus amigos para uma duplicata do nosso mundo, em um universo paralelo, onde todo mundo tem um alter ego malvado. A mesma coisa acontece com o professor John Robinson no episódio “O homem de antimatéria” da série “Perdidos no Espaço”. Ele é substituído pela sua duplicata malvada que veio do anti-universo.
Outro produtor de séries de televisão, o britânico Gerry Anderson, criador dos famosos “Thunderbirds” levou a ideia da “terra paralela” para o cinema no filme “Doppelgänger – Viagem para além do Sol” de 1969. No filme a Agência Espacial Europeia descobre um planeta idêntico a Terra em uma órbita que o coloca sempre do outro lado do Sol. E manda dois astronautas para explorar essa Terra gêmea. Chegando lá eles encontram um mundo idêntico ao nosso onde tudo o que existe por aqui tem uma cópia por lá.
Com tantos antecessores interessantes o diretor Ang Lee podia ter inventado uma desculpa melhor para colocar o Will Smith contracenando com seu alter ego. Mas, para quem gosta de perseguições de carro e de moto, “Projeto Gemini” pode ser interessante.

 

Jorge Luiz Calife


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