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A retomada do crescimento no Estado e no Sul Fluminense

Matéria publicada em 12 de agosto de 2020, 19:31 horas

 


Por que o Estado do Rio de Janeiro, embora com potencial bastante competitivo, ainda não ocupou o seu lugar?

Possui uma economia com diversos pontos fortes. Reúne 50% do PIB nacional em um raio de 500 km e está em primeiro lugar do ranking nacional da produção de petróleo e gás. Sua força de trabalho é a segunda com maior nível de escolaridade. Ostenta o segundo lugar como mercado consumidor e é o primeiro destino turístico de lazer.

Mas isto não impediu que, antes da pandemia, em nenhuma outra unidade da federação um industrial estivesse enfrentando anos de um ambiente tão adverso, com uma combinação de problemas políticos e sociais de toda natureza, incluindo um contexto de corrupção sistêmica.

A maior crise de saúde pública dos últimos 100 anos apenas agravou a conjuntura. Antes da pandemia as projeções da Firjan indicavam que o PIB fluminense teria um crescimento de apenas 1,9% em 2020, o que já era abaixo do esperado para o Brasil. Mas com o impacto do Covid-19 sobre a atividade econômica, a expectativa passou a ser de uma retração de 6,4%.

É imprescindível superar a insegurança dos investidores, contribuintes e consumidores, decorrente de conflitos políticos e da corrupção sistêmica, para vencer a tempestade perfeita que se abateu sobre o território fluminense. Não existe saída que não passe pela garantia de um ambiente que ofereça oportunidades concretas de negócios e de investimentos. E este deve ser construído por todos os atores em conjunto, como sociedade civil, executivo, legislativo e até o judiciário em todos os seus níveis.

A Firjan, recentemente, iniciou um processo em busca desta retomada da competividade econômica e do crescimento do nosso estado. Apresentamos para a Assembleia Legislativa um conjunto de propostas reunidas no Programa de retomada do crescimento em bases competitivas do Estado do Rio de Janeiro, e que teve como premissas medidas com elevado efeito multiplicador; impacto neutro ou positivo para a arrecadação tributária; o enfrentamento do Custo Rio; e pró-investimento.

Fruto de inúmeras reuniões envolvendo dezenas de empresários e técnicos da Federação, as iniciativas que propusemos tiveram análises que contemplaram todas as regiões do Estado. Possuem pilares como a competitividade tributária, imprescindível para estimular a atividade econômica. As propostas podem ser resumidas em quatro eixos principais, todos eles com um grande potencial de geração de negócios e, portanto, de empregos e de renda.

Em concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs) foram mapeadas 142 oportunidades, que somariam investimentos de R$ 54,8 bilhões.  Além de novos projetos, a Firjan também propôs avaliar a eventual expansão das concessões rodoviárias atuais. O investimento em PPPs tem um grande efeito multiplicador. Para se ter uma ideia, cada R$ 1 bilhão investido na construção civil representa um potencial de geração de mais de 14 mil empregos, estimulando diversos outros setores industriais.

Temos também o processo de concessão federal da rodovia Presidente Dutra em 2021, com a futura duplicação da Serra das Araras e diversas obras de ampliação no Sul Fluminense, o que representa um potencial de investimentos importante. Estão previstos cerca de R$ 17 bilhões no projeto, com foco na região.

Outro foco está no destaque para as condições adequadas trazidas pelo novo marco legal do saneamento básico, que podem viabilizar empreendimentos, até 2033, de R$ 23 bilhões para a universalização do serviço de água e esgoto em todo o território fluminense.  Representa ainda uma geração de 325 mil empregos, estimulando setores industriais como plástico, cimento, siderurgia, químico e máquinas e equipamentos.

No caso do Sul Fluminense, tais investimentos em saneamento básico são estimados em R$ 193 milhões para a cobertura de abastecimento d’água e em R$ 1,127 bilhão para coleta e tratamento de esgoto, totalizando R$ 1,320 bilhão.

Medidas para destravar investimentos em gás natural no estado do Rio, com potencial de R$ 45 bilhões, formam o terceiro eixo de nossas propostas. Estão contempladas iniciativas relacionadas ao futuro marco legal do gás natural, cujo projeto é uma das prioridades do Governo Federal e agora passou a tramitar em regime de urgência na Câmara dos Deputados. No caso do Rio, as medidas incluem o detalhamento de regras para um mercado livre estadual e a implementação de um Plano Estratégico Estadual. Cada R$ 1 bilhão investido na cadeia do gás tem um impacto potencial de mais de 14 mil empregos.

O quarto eixo está representado em uma proposta para a união da indústria de defesa com fornecedores da cadeia produtiva, com o objetivo de viabilizar um cluster naval de ponta, de elevado padrão tecnológico. Seria um resgate do papel estratégico que a indústria de navipeças e os estaleiros tiveram, historicamente, na economia fluminense, e que pode ocorrer dentro da estratégia de retomada de crescimento no Estado.

A Alerj demonstrou excelente acolhida para as proposições da Federação e já começou a aprová-las, com um projeto que amplia a competitividade do setor metalmecânico, tão esperado pelo nosso polo aqui do Sul Fluminense.

As iniciativas estimulam diversos setores industriais espalhados por todo o Estado do Rio. São prioridades alicerçadas na credibilidade e união que marcam a atuação da Firjan.

Nossa regional do Sul Fluminense tem trabalhado em conjunto com as áreas técnicas da Federação, participando ativamente da construção das bases necessárias para um estado realmente competitivo e com alto grau de desenvolvimento social.

O Rio precisa ocupar o seu lugar!

 

Antônio Carlos Vilela é presidente da Firjan Sul Fluminense


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3 comentários

  1. Avatar
    celso sant anna camargo

    Bom dia, O nosso amigo Emir que comentou acima está coberto de razão, o nosso Rio de Janeiro passou de todas as situações piores possiveis, tivemos o boom do Petroleo nossos politicos bandidos roubaram até nao conseguir mais, com o aval da justiça e dos governos esquerdistas e ladrões, agora confiamos o estado ao um ex juiz federal, e novamente fomos enganados, a capital o seu alcaide não tem condiçoes minimas de dissernimento para governar-la, então somos um estado falido com riquezas imensas,a dutra continua sendo
    a melhor rodovia do rio de janeiro, ela ja esta com 70 anos, e com certeza ja teriamos que ter uma rodovia alternativa até pelo menos Volta Redonda, o ideal seria até Resende, mas infelizmente não temos e o estado fica refém da rodovia dutra que é federal, a serra da araras é um capitulo a parte, na primeira concessão já devia constar a sua alternativa, pois se acontece um desastre na sua descida o transito fica parado.
    Podiamos com a eleição do Bolsonaro que apesar de paulista é um cara que mora e sempre foi reeleito pelo estado do Rio, com filhos um vereador e outro senador, o Rio poderia estar bem na politica federal mas o nosso governador foi contra ele e super faturou os hospitais de campanha e fez muita bobagem com o dinheiro advindo do brasilia, foi na onda do Doria e se ferrou todo, agora pode ser até impedido de governar, e assim o tempo vai passando e nós Fluminenses e cariocas ficando cada vez mais pobre e sendo gozados em todo país, carioca aquele que come mortadela e rota caviar, pobre meu RIO, esses politicos bandidos estão acabando com o estado, inclusive a dona rede globo que se achou a pica das galaxias agora está agora pré falimentar e continua dando soco em ponta de faca, todo dia ataca com mentiras deslavadas o governo federal, a rede Record que tem como dono um carioca, mas sua força esta em SP, será em breve a melhor tv aberta do brasil, inclusive seu jornal já está muito melhor que funeral nacional o antigo jornal nacional. Os filhos do sr. Roberto Marinho conseguiram acabar com a rede globo, o Rio precisa de um bom gestor, mas com os psolistas,ptistas e pcbistas é simplesmente impossivel eles são a favor do crime organizado.

  2. Avatar

    Pura verdade! O estado do Rio tem imenso potencial, mas sofre com a carência de infraestrutura viária para escoamento da produção. De Taubaté a SP existem duas opções de rodovia, quais sejam: Dutra e Ayrton Senna/Carvalho Pinto. Daqui para o Rio só há a Dutra, e mesmo assim existe o gargalo da Serra do Mar, que São Paulo venceu há muitos anos na ligação da capital com seu litoral, tanto com a via Anchieta quanto com a monumental Rodovia dos Imigrantes… Viajando pelo interior de SP, há centenas de quilômetros de rodovias duplicadas, algumas melhores que a Dutra. Aqui, duplicadas são apenas as rodovias federais, e mesmo assim as que partem da capital. Não há como competir se não tiver um atrativo extra…

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      celso sant anna camargo

      Realmente voce colocou o dedo na ferida, o Rio é muito mal gerenciado, talvez o estado com a pior carga politica da federação, dentre os 27 estados, nossos polticos conseguem ser os piores dos piores.

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