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Admirável mundo velho

Matéria publicada em 19 de março de 2019, 23:00 horas

 


No início de fevereiro o ministro da economia da Alemanha, Peter Altmaier, apresentou a versão preliminar da nova política industrial alemã, a ser debatida e, possivelmente adotada, por toda a União Européia. O documento, intitulado “Estratégia nacional para a indústria 2030” objetiva defender a indústria alemã e reforçar sua liderança em diversos setores. Resumidamente, permite ao governo alemão participar do capital em empresas consideradas estratégicas, para blindá-las do risco de eventuais aquisições por empresas estrangeiras, além de incentivar o fortalecimento de grandes empresas alemãs e europeias, capazes de competir em pé de igualdade com chineses e americanos. Além da participação no capital, isto será feito através da flexibilização das regras antitrustes para estimular fusões e aquisições que reforcem a competitividade destas empresas, incluindo o aumento do apoio público à inovação.
A iniciativa, que estranhamente teve pouca repercussão na mídia brasileira, merece, entretanto, uma reflexão mais acurada, tanto das entidades representativas da indústria brasileira quanto de Brasília, para entender as razões desta ruptura histórica no posicionamento alemão que, desde o pós guerra, sempre defendeu a globalização e a primazia do mercado numa postura claramente liberal em termos econômicos. Sem dúvidas, a adoção de uma política protecionista nos EUA, traduzida no “America First” de Trump, o lançamento do plano chinês “Made in China 2025” que advoga a liderança chinesa em áreas estratégicas e a guerra comercial entre estes dois países, junto com a ameaça de Trump de estendê-la aos países europeus, tiveram forte peso na decisão alemã.
Porém, além do cenário econômico, onde, claramente, a guerra comercial mascara uma luta pela hegemonia tecnológica e econômica entre China e EUA, há que considerar também o quadro político mundial com o crescente declínio da globalização, que está perdendo espaço para políticas claramente protecionistas no mundo todo. Estas mudanças, em última instância, decorrem do descontentamento crescente dos trabalhadores de muitos países que estão vendo suas rendas estagnar, ou pior, estão perdendo seus empregos em consequência da pressão competitiva que a globalização trouxe, o que explica em boa parte movimentos como o Brexit, a eleição do Trump e a ascensão ao poder de governos populistas, no mundo todo.
Nada mais velho, portanto, dos países desenvolvidos retomarem as antigas politicas protecionistas, que permitiram, a cada um deles, se transformar em países ricos ao longo dos séculos XIX e XX. É bom lembrar que os Estados Unidos assumiram o papel de paladinos do livre comércio somente após a segunda guerra mundial, quando não tinha sobrado, no mundo todo, ninguém capaz de enfrentar a indústria americana. É neste mesmo período, iniciado após a segunda guerra mundial que surgiram, incentivados pelos EUA, os diversos organismos internacionais como Banco Mundial, FMI, OCDE, GATT/OMC que passaram naturalmente a defender, quando não a impor, a abertura comercial e financeira para todos os países e, em especial aos emergentes, junto como o resto do ideário liberal.
Agora os principais atores estão reposicionando suas peças no tabuleiro internacional para proteger seus mercados, suas empresas e, principalmente, sua capacidade tecnológica, de forma a capacita-las a competir com sucesso num mundo onde a concentração industrial é a regra. Nestas circunstâncias é imperativo o Brasil rever sua intenção de fazer uma abertura unilateral e outras mudanças que são válidas desde que o país tenha condições isonômicas de competição com seus concorrentes, algo que está claramente no campo dos desejos. Como diz claramente o ministro alemão “mercados livres e abertos requerem condições estruturais assemelhadas para todos os atores econômicos que estão competindo”.
– Salvo pouquíssimas exceções, nós não temos multinacionais brasileiras capazes de competir em pé de igualdade com os gigantes americanos, chineses ou europeus. Nestas condições nossa prioridade deveria ser a adoção de uma agenda de competitividade que cuidasse especificamente de eliminar ou, ao menos, reduzir fortemente os componentes do “Custo Brasil” para a indústria brasileira ter as mínimas condições de competir. Enquanto isto não ocorrer o Estado tem que tomar providências e encetar ações que minimizem ou excluam as ameaças decorrente da falta de isonomia. Infelizmente, no mundo real o ideal olímpico de que “o importante é competir” não vige. No mundo real o importante é vencer.

João Carlos Marchesan é administrador, empresário e presidente do Conselho de Administração ABIMAQ/SINDIMAQ


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3 comentários

  1. Avatar

    Esse tal de guto deve ter perdido sua amada para algum petista, não tem outra explicação para uma fixação deste nível. O problema é que ele é uma rosca sem fim da baboseira, não consegue escrever nada diferente; ele e um senhorzinho advogado gagá que tem a mesma idiossincrasia. Triste fim destes caras.

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    Temos que deixar os capitalistas brasileiros trabalharem e se desenvolverem! O que nós vimos nos últimos 20 anos no Brasil foi o governo petista ter criado “campeões nacionais”, ou seja, se elegiam alguns empresários para receberem todo o dinheiro do BNDES, e esse empresários seriam os responsáveis por criar multinacionais que atuariam em toda a América Latina, até nos Estados Unidos, onde vimos que Joesley Batista comprou vários frigoríficos e ajudou o tio Sam a criar milhares de empregos para os americanos!
    Contudo, como esses empresários escolhidos eram petistas, ou seja, não eram capitalistas de verdade, mas oportunistas que usavam do dinheiro público para se enriquecerem e fingir de que eram grandes empresários que estavam ajudando o Brasil! No entanto, como o enriquecimento deles não foi porque eram grandes empesários, como Steve Jobs; Bill Gates; etc…, mas porque participaram de esquemas de corrupção criados pelo PT, eles perderam tudo e o Brasil perdeu junto!
    Espero que no novo governo do Bolsonaro sejam emprestados dinheiro do BNDES para pequenos e médios empresários, e não para “grandes empresários” como Emílio Odebretch, Joesley Batista, Eike Batista, etc…, que não eram empreendedores, mas cúmplices do governo corrupto petista, por isso perderam tudo e com eles se foram também milhares de empregos dos brasileiros, que até hoje estão desempregados e desesperados!!!
    O que dizer do Brasil, que foi injusto, e votou quatro vezes no PT para o governo federal?!
    Como diria o pensador Samuel Johnson: “Vingança é um ato passional, uma represália da justiça”…

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      Mirian Leitão do DV, você além do preconceito na ponta dos dedos, tem dificuldade de interpretação. O texto mostra claramente que a globalização idealizada pelas politicas liberais inclusive pelo posto ipiranga desse despreparado ocupante do cargo, tem resultados catastróficos para os países que o adotam. Abertura de capital, privatização e abertura de mercado geram desemprego, perda de mercado e tecnologia e forte queda na arrecadação federal. O PT errou em achar que o empresariado brasileiro pensa no país. Processos de reestatização dos serviços públicos como água, esgoto, telecomunicações estão acontecendo em larga escala nos principais países europeus. Já é sabido que os serviços privatizados são caros e ruins. Agora ler seus textos é dose para mamute, pois ter que aceitar que Joesley, Jereissati , Daniel Dantas respectivos donos da JBS e OI são petistas , chega é ser hilário. Todos eles atuaram fortemente na campanha do Aécio em 2014 e fizeram doações pesadas em caixa 2. Sua fixação pelo PT chega a ser doentia. Vá se tratar meu camarada.

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