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De grão em grão, o campo enche o PIB e preserva o ambiente

Matéria publicada em 12 de abril de 2019, 22:19 horas

 


É uma boa notícia para a economia nacional o anúncio que acaba de ser feito pelo IBGE, de que, em 2019, a safra de grãos, abrangendo cereais, leguminosas e oleaginosas, será 3,1% maior do que a de 2018. Serão 233,4 milhões de toneladas de soja, milho, feijão, arroz e outros produtos para abastecer o mercado interno, aumentar nossas exportações, fornecer matéria-prima para a agroindústria e incrementar a já substantiva participação da agropecuária na composição do PIB.
Os números, além de indicarem bem-vinda retomada do crescimento da safra de grãos, depois da queda de 5,9% no ano passado em relação a 2017, reforçam o significado do agronegócio para o País e a importância de que, no novo governo, a atividade seja objeto de políticas públicas eficazes. Nesse sentido, são animadoras as primeiras sinalizações da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, quanto às metas de conquistar mais mercados, implementar o crédito, melhorar as estradas para escoamento da produção e modernizar a infraestrutura. De fato, precisamos muito desses avanços!
Também responde à expectativa dos produtores — e à proatividade da maioria deles em cumprir a legislação referente à vegetação e aos mananciais —, a declaração da ministra de que o Brasil é um país com legislação ambiental avançada, que soube preservar suas florestas nativas e matas ciliares. Trata-se de referência à responsabilidade ambiental dos empresários do agronegócio, pois, obviamente, o País ainda precisa avançar muito no tocante ao combate ao desmatamento ilegal e nos projetos de redução da emissão de gases de efeito-estufa, conforme seus compromissos assumidos no âmbito do Acordo de Paris. Mas, esta é outra questão.
Sobre o fator ambiental nas propriedades rurais, cabe comentar não haver motivo de preocupação pela mudança promovida pelo Governo Bolsonaro, de transferir ao Ministério da Agricultura o gerenciamento do Serviço Florestal Brasileiro (SFB). A medida gerou alguns questionamentos, pois o organismo, antes vinculado à pasta do Meio Ambiente, é o responsável pelo Cadastro Ambiental Rural (CAR), que consiste no monitoramento dos imóveis do campo, coletando informações sobre suas condições, nascentes e vegetação nativa.
Independentemente do órgão encarregado do monitoramento ambiental das propriedades, os produtores e empresários do agronegócio, em sua grande maioria, são os primeiros interessados na preservação. Afinal, sabem que a terra não resiste à devastação e entendem com clareza o significado do equilíbrio ecológico para que biomas e ecossistemas sejam explorados de modo sustentável para a produção agrícola.
Se queremos um Estado menor e um governo menos intervencionista e mais indutor do desenvolvimento, precisamos valorizar e estimular cada vez mais a responsabilidade dos cidadãos e da sociedade sobre as suas próprias atividades, sua contribuição para o crescimento do PIB e sua consciência socioambiental. É com esse espírito que o agronegócio tem se posicionado como forte alicerce da economia brasileira!

João Guilherme Sabino Ometto, engenheiro (Escola de Engenharia de São Carlos – EESC/USP), é vice-presidente do Conselho de Administração da Usina São Martinho e membro da Academia Nacional de Agricultura (ANA).


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4 comentários

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    Não são notícias boas apenas no que se relaciona ao aumento da produção agrícola, mas também na área da segurança rural, pois enquanto no governo Lula havia incentivo e ou condescendência às invasões das propriedades rurais, no governo Bolsonaro as invasões de terra caem!
    Nos 100 primeiros dias desse ano o INCRA registrou apenas uma ocupação no país! No mesmo período de 2018 foram 43 invasões! Duas razões justificam os números: o discurso de Jair Bolsonaro de criminalizar os movimentos de lutas por terra e a queda dos recursos públicos entregues à “Ongs” e entidades!
    Parabéns Jair Bolsonaro…. Seremos o celeiro do mundo!

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    Vai lavar umas roupas

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    “Se queremos um Estado menor e um governo menos intervencionista…” Mas na hora da crise e dos prejuízos eles correm para o Estado socorrê-los. É quando buscam ajuda para o Estado intervir. Legal a dos empresários, não é mesmo? Nos EUA tbm foi assim com os prejuízos dos banqueiros com os subprimes em 2008.

    Esse Estado que o autor engenheiro se refere é a Administração Pública. Percebe-se que ele NÃO CONHECE a Administração Pública e NÃO ENTENDE de Gestão Pública. A visão dele é focado no agronegócio e não considera o que está ao redor, além dos negócios.

    Como administrador de empresas ele está corretíssimo por visar somente o lucro.

    Eles deviam considerar tbm a não intervenção da Administração Pública no escoamento da produção. Se eles não querem a intervenção, pq então querem que a Administração Pública construa as estradas ou melhore a infraestrutura para eles do portão para fora?

    Daqui uns dias eles vão querer até as máquinas para a produção, já que máquinas é parte da infraestrutura, se bem que isto já é feito através do BNDES com o financiamento baixíssimo e a perder de vista. Eles não querem que a Administração Pública seja intervencionista, mas os financiamentos da produção é bem vinda. Se a política pública financeira não for como eles querem, então não tem produção.

    Legal a dos empresários, não é mesmo?

    O Gestor Público profissional tem ferramentas para perceber o jogo deles e controla-los sem intervir em seus negócios, isto sem eles perceberem.

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