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Estrela da campanha, a segurança precisa ser discutida a fundo

Matéria publicada em 15 de outubro de 2018, 22:24 horas

 


Chegamos ao segundo turno das eleições com um foco muito grande na área de segurança. Aqueles que endureceram o discurso propondo policiamento mais severo, mais estrutura, porte de arma e mais prisões tiveram votações bem expressivas, demonstrando um claro anseio da população que não aguenta mais mortes e clama por paz. Entretanto, de um lado ou do outro da polarização política atual ainda faltam propostas a longo prazo. Tudo ainda é superficial.

Simplesmente armar a todos e matar bandido não resolve. É muito mais complexo e a simplificação da situação serve apenas para ganhar votos. Se fosse assim, o problema já estaria solucionado.

Em 2017, o governo federal aumentou em 6,9% os gastos em segurança pública, chegando a R$ 9,7 bilhões, segundo dados do 12º Anuário de Segurança Pública, que reúne informações sobre segurança e violência em todo o Brasil. O mesmo documento aponta que 5.144 pessoas foram mortas por policiais no país, um crescimento de 20% em relação ao ano anterior. Ou seja, já aumentamos o investimento e a letalidade da polícia.

Também prendemos mais suspeitos como mostra o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen). A população carcerária do Brasil passou de 720 mil pessoas, com crescimento de mais de 180% entre 2006 e 2016.

As propostas debatidas e usadas pelos dois lados já foram colocadas em prática e falharam. Mas então o que é preciso fazer para salvar vidas?

Matar mais, aumentar efetivo ou número de presidiários abafam, mas não resolvem. É preciso agilizar a justiça, investir no social e integrar as informações por todo o Brasil.

Por exemplo, dos presos mais de 40% deste número aguarda por julgamento. Nosso judiciário não dá conta e os suspeitos ficam em cadeias superlotadas, juntamente com criminosos julgados, muitos de alta periculosidade e envolvidos com o tráfico. Seguindo o atual sistema, aumentar presídios é como criar universidades para o crime.  Antes disso, é necessária uma reforma no sistema prisional brasileiro.

Outro ponto muito importante é o investimento social em educação, saúde, transporte, moradia, saneamento básico. Dar infraestrutura para que todos possam ter alternativas pessoais e profissionais. Isso influi, e muito, na segurança. O seu candidato faz a conexão da segurança com estes setores? É na nesta lacuna deixada pelo Estado que o crime organizado aparece como opção.

A questão de integrar as informações e polícias é importante, mas é preciso deixar as propostas rasas e pensar em uma integração em todos os níveis da justiça. O sistema judiciário, por exemplo, também precisa de integração. Isso ajuda a desburocratizar e agilizar julgamentos.

Para começarmos a melhorar a segurança no Brasil – é importante que se entenda que é um processo longo – é preciso mexer no vespeiro. Mudar os complexos, arcaicos e aparelhados sistemas judiciário e policial. Será que nossos candidatos querem isso mesmo? Cabe a nós cobrar e analisar atentamente as propostas de cada lado. Matar ou prender sem pensar ou planejar não é a solução.

 

Marco Antônio Barbosa é especialista em segurança e diretor da CAME do Brasil. Possui mestrado em administração de empresas, MBA em finanças e diversas pós-graduações nas áreas de marketing e negócios.


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2 comentários

  1. NãovoteinoBolsonarovoteinaMarina.

    A ideia que grande ´parte do gado eleitoral do candidato das redes sociais é que logo após ser eleito, o arregão dos debates, amigo do “engenheiro” Wintzel ( aquele juizinho de merda que faz “engenharia” para aumentar os seus altos salários), irá pegar uma metralhadora tipo a do mocinho Django e vai sair matando todos os bandidos do país, acabando com a bandidagem. Vão ficar decepcionados.Se não mexer também no Código Penal, na Polícia e no Poder judiciário, altamente corruptos, se não investir em outras estratégias, principalmente no social, a insegurança vai continuar e o que vai ser pior, aliada a um aumento da miséria, que certamente irá recrudescer nos próximos anos.

  2. É imperativo que, pelo menos, quem esteja no governo central do país não faça parte de uma organização criminosa como se tornou o PT, segundo vimos nos esquemas do mensalão, petrolão e dos assassinatos de prefeitos petistas em Santo Andre e Campinas!
    Como diria o ex-Senador Mão Santa: “A gente faz apenas uma vez na vida: nascer, morrer e votar no PT!”…

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