terça-feira, 17 de setembro de 2019

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Fale ou se mate!

Matéria publicada em 6 de setembro de 2019, 20:59 horas

 


José Maurício de Barcellos

 

Em 24 de agosto de 1954, o último grande líder popular que realmente o Brasil conheceu se matou com um tiro no peito em seu quarto de dormir no Palácio do Catete, sede do governo da União e desde, então, portanto há 65 anos, seu corpo manchado de sangue vem sendo arrastado em um tal de mar de lama de que na época se falava muito e que ele próprio consentiu ser singrado por sua gente que o traiu. Ainda hoje não restou esquecida essa nódoa na sua trajetória. Getúlio era um homem bom e eu, desde menino, admirava sua figura. Gostava que o chamassem de “pai dos pobres” e eu pensava que era mesmo. Getúlio foi um político de enormes qualidades e extrema habilidade. Por conta disso tudo não conheci outro que a ele tenha se igualado. Getúlio foi tolerante, fraco, permissivo e leniente com a coisa pública e por isso não chorei sua morte.

Com a devida licença dos especialistas e historiadores, quero dizer quanto à história política do País que Getúlio Vargas foi o marco mais forte. A meu juízo penso que a vida política nacional se divide em dois momentos: antes e depois de Vargas. Considero que Getúlio representou o ápice de uma proposta política que preservava os mais arraigados sentimentos do nacionalismo patriótico que antes nos havia levado à República, bem como também a defesa incondicional da família, da cultura judaico-cristã, da propriedade, do trabalho e do capital.  Diferentemente de outras sociedades, depois dele passamos a experimentar uma descida vertiginosa e constante, em virtude da qual, com exceção do período militar de 1964 a 1985, fomos dominados por governantes vagabundos e ordinários, até se chegar ao atual descalabro dos últimos 30 anos, com as quadrilhas de Sarney a Temer no poder. Com isenção e seriedade, conteste isto quem for capaz!

Com exceção dos generais presidentes, todos os que vieram depois de Getúlio Vargas foram piores do que ele. Foram mais ignorantes ou menos letrados. Eram menos patriotas e mais vendidos aos subalternos interesses de uma ação política desprezível. Ao contrário de Getúlio, todos tiveram poucos princípios e menos ainda valores, porém igual vontade de se manter no cargo. Diverso do “Gaúcho de São Borja” que não roubava, mas fechava os olhos para a roubalheira dos seus correligionários e parentes, todos os presidentes civis que o sucederam roubaram e deixaram roubar, quer para se locupletar pessoalmente quer para ter mais poder, acobertando tantos quantos roubavam o erário durante o seu governo. O cumulo da roubalheira se deu com as quadrilhas de FHC a Temer. A marca que diferencia Getúlio Dornelles Vargas destes últimos é justamente isto: “o velho não roubava pessoalmente ao invés desses malditos vermelhos que lesaram os cofres públicos o quanto puderam, para si e para suas famílias”. Com a magnífica “Operação Lava Jato” isto tudo hoje é inquestionável. Dentre os que já mencionei, sempre peço que apontem um só nome que não tenha se locupletado do dinheiro público.

Não tenho a menor pretensão de desenvolver aqui um estudo profundo em relação ao caráter e à personalidade daqueles governantes, que passaram pela presidência desde Juscelino Kubistchek para esta parte. Generalizo para não abordar o assunto de forma enfadonha e porque, a rigor, aqui não se faz adequado. Neste diapasão identifico uma tônica do procedimento daqueles derradeiros presidentes civis que muito se assemelha à tônica do velho ditador dos anos 1940, qual seja: “todos transigiram com os maus; dialogaram com os traidores da Pátria; fizeram aliança com o lado mais podre dos demais poderes da República e costumeiramente se curvaram diante do establishement, objetivando manter o povão cativo e sem chance de contestar seus respectivos projetos de poder.

Agora os tempos são outros. O Brasil carece de ser salvo definitivamente das mãos dos vermelhos ou vai virar uma Venezuela. Não precisamos de um Presidente bonzinho e permissivo como foi Getúlio. Para começar digo que o líder tem que estar liberto e ser firme como uma rocha. A liberdade e a fraqueza são incompatíveis.

Vou dar um pequenino exemplo de um lugar comum da velha política ou de um desses sinais típicos dos procedimentos condenáveis aos quais me refiro. Aí nos anos 1980 estive na posse de um velho político de Resende-RJ, eleito Deputado Federal. Quis prestigiar meu saudoso compadre, um dos raros homens públicos que conheci e que foi absolutamente probo. Apesar de ter sido tudo na política viveu e morreu pobre. Depois da cerimônia, na sala da liderança do velho PMDB ouvi estupefato o abjeto Moreira Franco contar às gargalhadas que acabava de vir de um encontro com o presidente recém-eleito, FHC (PSDB-SP), com quem manteve o seguinte diálogo: FHC: “O Moreira pode pedir”. “o Gato Angorá (no dizer de Brizola): “Olha que eu peço”. FHC: “Pede; pode pedir, é para pedir mesmo, a máquina é nossa agora”. Todo Brasil sabe o quanto aquele patife egresso dos movimentos esquerdistas (Ação Popular-AP) pediu e levou ao longo de tantos governos. Quando vi o “Moreirão” no xilindró finalmente me senti vingado. O velho pulha definitivamente foi apeado do poder e hoje não tem a menor chance de pedir nada e se agora ousasse é certo que o Capitão o faria rolar pela rampa do Planalto abaixo. Cada vez que me recordo desse fato e constato que as quadrilhas de Sarney a Temer, assim como as de Haddad, as de Boulos, as de Alkimim, as de Ciro e de Marina ou eles próprios e outros do mesmo quilate, não podem mais nem chegar perto de Bolsonaro, de Mourão, do Alvorada e do Jaburu e muito menos pedir algo aos Ministros atuais, tal como qualquer homem honrado neste País, vou dormir um pouco mais em paz.

Cada vez que vejo este governo derrubar os feudos e os castelos da esquerda delinquente e destruir as armadilhas da vermelhada indecente ao mesmo passo que, todo santo dia tomo conhecimento de corretas e competentes medidas adotadas em todas as áreas ministeriais, aí minha satisfação e segurança aumentam. Mais me regozijo ainda com o estilo áspero e direto do Capitão que vai espanando os vendilhões da Pátria; que vai avisando aos porcarias que nem se aproximem porque vão levar “bordunadas” a torto e a direito e sempre ao vivo e em cores, nas grades da frente do palácio do governo. Cada vez que vejo o Capitão solapar a “jornadalha” calhorda, revelando em público seus espúrios interesses e as tetas fartas do erário que os cevavam, penso comigo mesmo: “nada se viu assim até mesmo antes da morte da Vargas”. Levou mais de meio século, mas o Brasil tem agora um verdadeiro líder na presidência.

Bolas, então, para quem acha que o Capitão devia apanhar sem retrucar os vendilhões e os canalhas da vida pública; que Bolsonaro deveria rir para quem quer lhe apunhalar pelas costas; ou ainda que se deve exigir do Capitão um tratamento urbano e caridoso para com os “deformadores de opinião” bem como para com os vendidos da extrema imprensa e algozes de sua família, esperando que um dia falem bem de sua pessoa. Às favas com quem pretende que o presidente eleito engula todos os sapos, todas as crueldades que lhe fazem e as mentiras contra ele assacadas para, destarte, deixar de sofrer a retaliação nojenta, covarde e insidiosa de seus “perseguintes”. A despeito das tramas, das meias notícias, das manchetes distorcidas, das pesquisas compradas, das intrigas disseminadas e das arapucas que tem que desarmar diariamente, espero – espero muito – que o Capitão siga batendo firme na petralhada, falando o que sente e o que vem na cabeça, sem peias, sem retoques, sem script e só com seu coração de patriota. Espero que não esqueça que foi por conta deste modo de ser que foi eleito, mas contra tudo e contra todos.

Por mais de 30 anos tivemos que conviver calados com as “ordinarices” de Sarney; com as “calhordices” de FHC; com as burrices e baixarias de Lula que, de passagem, digo que nunca as ouvi diretamente porque jamais me permiti escutar um só pronunciamento e muito menos qualquer manifestação do “Ogro Encarcerado”. Há pelo menos duas décadas temos suportado os debiloides comentários da “Anta Guerrilheira” e sofrer em face da vergonheira imposta à nossa Nação Verde e Amarela. Foram trinta anos amargando esta situação com uma sensação de impotência e o incontido desespero de ver o País afundar.

Agora que finalmente surge um líder com autoridade e disposição para chamar a todos que fazem jus de ladrões e vendidos ou para bater naquela horda desprezível, aí vêm muita gente dizer que, em sendo o Presidente de todos os brasileiros, o Capitão deve acariciar principalmente os contras ou fazer o que os perdedores mais pretendem. O Presidente não pode falar nada além de amenidades e muito menos revelar os malfeitos; deve ser paciente; fazer cara de paisagem; sofrer calado, se violentar e ficar zen que nem os monges do Tibet para não perder popularidade ou desagradar à classe política abjeta ou os poderosos, pois estes podem vir a derrubar seu governo. O Brasil não precisa de um novo Getúlio. Bolsonaro há que ser puro, bom e tolerante, porém permissivo e leniente jamais porque como um dia pontificou o filosofo conservador irlandês e crítico da ideologia da Revolução Francesa, Edmund Burke: “Há, sempre, um limite além do qual deixa de ser virtude a tolerância” e passa a ser patifaria, digo eu.

 

José Maurício de Barcellos, ex Consultor Jurídico da CPRM-MME, é advogado. (Email: bppconsultores@uol.com.br).


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Um comentário

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    Quando Moreira Franco era governador do Rio na década de 80 o PT o rotulava de bandido, ladrão, etc… Quando Lula assumiu o poder Moreira Franco virou amigo e no governo Dilma virou Ministro de Estado!
    O que dizer do Lula que chamava Paulo Maluf de demônio, fascista etc… , mas depois foi abraça-lo em São Paulo para ajudar a eleger o poste para a prefeitura da cidade de São Paulo?!
    Como diria o jornalista Boris Casoy: “Isso é uma vergonha!”…

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