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Não é preciso esperar dezembro para despertar a compaixão pelo próximo

Matéria publicada em 5 de dezembro de 2018, 21:42 horas

 


Dezembro chegou e, com esse mês tão especial, vem também a necessidade de “se fazer o bem”, “ser caridoso”, “ajudar os necessitados”. É no último mês do ano que as campanhas de arrecadação de donativos – roupas, brinquedos, alimentos – se multiplicam e que as pessoas sentem-se mais propensas a dar um pouco do que têm àqueles que nada têm. São atitudes bonitas, de compaixão com o próximo e bastante valorizadas socialmente, que nos fazem ter aquele sentimento de dever cumprido, para podermos começar um novo ano mais leves e motivados.
Será necessário, entretanto, esperar o mês de dezembro chegar para praticar a caridade? Os muçulmanos brasileiros são muito unidos para realizar obras sociais. Somos cerca de 1,5 milhão de pessoas na comunidade. Em 2008, surgiu a iniciativa de realizarmos uma ação chamada Islam Solidário, com o objetivo de oferecer à população que vive em regiões mais carentes de São Paulo, e também da zona metropolitana, independentemente de religião, um dia para cuidar da saúde, realizando exames importantes; da autoestima, por meio de procedimentos estéticos; e da mente também, pois o visitante usufrui do prazer que proporcionam atividades culturais e de entretenimento
Oferecemos, gratuitamente, exames de hipertensão, diabetes, colesterol, hepatite C e exame oftalmológico, com doação de óculos. Há, ainda, orientação nutricional, odontológica, além de ensinar às mulheres como se faz o autoexame de mamas, a fim de prevenir o câncer.
Mais de 200 profissionais de saúde – entre médicos, dentistas, fisioterapeutas, técnicos e auxiliares de enfermagem, enfermeiros e nutricionistas – participam do evento para atender a população. Casos mais graves são encaminhados para tratamentos ambulatoriais na região da ação realizada.
Além de cuidar da saúde, oferecemos serviços estéticos – como higienização de pele e cortes de cabelos – massagem relaxante e atividades culturais como apresentação de corais, de grafiteiros e rodas de capoeira, entre outras atrações. Enquanto os adultos se cuidam, as crianças se divertem em brinquedos infláveis, pintando o rosto ou fazendo escultura de balões, além de comer muita pipoca e algodão doce.
De lá para cá, foram realizados mais de 850 mil exames e 170 mil serviços em prol da cidadania, tudo de maneira voluntária. Fazemos quatro ações sociais deste porte por ano e a última será realizada na zona Sul da capital no dia 9 de dezembro – ainda que não comemoremos o Natal e que o ‘espírito natalino’ não seja nossa motivação natural.
Nós não nos consideramos melhores do que os demais cidadãos, longe disso. Somos brasileiros comuns: professores, donas de casa, médicos, motoristas, advogados, jornalistas, estudantes, recepcionistas, servidores públicos, aposentados, mas, todos interessados em doar tempo, conhecimento e recursos em prol de quem precisa. Também faz parte do nosso grupo muitos refugiados, que encontraram no Brasil um lar para viver e reconstruir suas vidas dignamente – e que, agora, retribuem com amor tudo o que receberam do povo brasileiro.
Nossas ações sociais são patrocinadas por recursos da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil e de entidades beneméritas internacionais, a exemplo da Mohammad bin Rashid Al Maktoum Global Iniciative, dos Emirados Árabes Unidos, que tem nos apoiado grandemente. É uma referência em assistência social em todo o mundo, além de ser nossa grande parceira nas ações solidárias que realizamos anualmente em regiões carentes de São Paulo. Também somos incentivados pela Prefeitura de São Paulo, o Governo do Estado e o Governo Federal, que nos ajudam cedendo os locais para a realização dos nossos eventos e nos apoiando em todos eles.
Nós esperamos realizar muitas ações solidárias durante todo o ano. E gostaríamos de ter cristãos, judeus, representantes das religiões afros, espíritas, budistas e todos aqueles que desejam o bem-estar do próximo ao nosso lado. Por isso, convidamos a todos os brasileiros de bem a se juntarem conosco em mais uma grande ação, que busca ajudar quem, no momento de precisão, não tem raça, credo, gênero, idade ou classe social: simplesmente é um ser humano e, por isso, merece todo o amor que podemos oferecer.

 

Ali Zoghbi é jornalista, vice-presidente da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil – FAMBRAS.


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3 comentários

  1. Cuidado com falsos profetas!!!

    E o João de ” Deus” que está mais para João do Diabo, se aproveitava de pessoas com enfermidades para abusar…
    Bem no estilo Roger Abdelmassih …
    Devemos ajudar , mas tomem cuidado com os falsos profetas de Deus!!!

  2. Realmente, devemos ajudar os pobres, pois um dia seremos cobrados pela Verdade se fomos caridosos ou não, e isso selará nosso destino final: aqueles que ajudaram vão para o céu, os que não ajudaram vão para o inferno!

  3. Realmente, esperar pelo mês de dezembro para fazer algum tipo de caridade é um forte sinal de pouca inteligência. O ciclo se repete todo ano, sem que as pessoas percebam que seu comportamento não se diferencia do “maria vai com as outras” ou instinto de rebanho, pois agem como verdadeiros robôs. São guiados pela mídia. Depois vêm dizer que existe o livre-arbítrio. Fala sério!!!

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