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O que os jovens querem

Matéria publicada em 20 de novembro de 2019, 00:21 horas

 


Dani Monteiro

 

A gente quer trabalho, segurança, educação, mobilidade e o direito de fazer – e consumir – arte e cultura. Essas são as respostas que tenho escutado dos jovens com quem tenho debatido perspectivas e alternativas à crise econômica que massacra o Rio e desola principalmente sua parcela da população que deveria ser a mais pulsante. A juventude, especialmente a negra, agoniza por falta de políticas públicas eficientes que lhe garantam acesso ao que é mais básico e segue comendo pelas beiradas nas favelas e periferias.

Os índices divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a cada trimestre confirmam a realidade crua: um em cada quatro jovens entre 18 e 24 anos está desempregado. Quando o recorte se dá por estados, o Rio de Janeiro aparece atrás apenas do Amapá e do Acre em número de desempregados. Não estamos desalentados à toa. Não há propostas de políticas públicas à vista que nos desviem dessa realidade nefasta que é a falta de ocupação, apesar de ser essa uma das responsabilidades do poder público constituído. Garantir a dignidade da pessoa humana é um princípio formador do estado democrático de direito.

A juventude tem desejos, os listados acima são apenas os mais urgentes deles. Dado o estágio em que estamos, é urgente que os governos criem condições, por exemplo, para que os jovens toquem seus próprios projetos, sejam as rodas de rima, sejam os bailes funk, sejam os grafismos, sejam as performances em ruas, praças e parques. A expressão artística nos alimenta a alma. No caso dos jovens artistas de rua, é também uma forma de gerar renda, de voltar com algum dinheiro para casa. Existência material importa, por isso temos de considerar e proteger o trabalho daqueles que estão por metrôs, trens, barcas e ônibus, além dos produtores culturais que também ocupam – ou tentam ocupar – espaços públicos.

É preciso, portanto, enxergar a juventude e todas as suas nuances, sejam elas de gênero, raça, orientação sexual, território ou classe social. Respeitar todas elas é crucial. Proteger quem sofre arbitrariedades é igualmente necessário. Não esqueçamos que desemprego e precariedade caminham quase sempre juntos quando os alvos, como os agora estigmatizados nem nem – jovens que não trabalham nem estudam -, já são marginalizados por sua origem. Daí a necessidade de criar mecanismos que fortaleçam essas redes de ocupação informal, dando a elas um caráter legal. Em vez de proibir ou reprimir, que se deixem correr soltas vozes e expressões culturais. Se a juventude vive e pulsa e produz, ganhamos todos.

 

Dani Monteiro é deputada estadual (Psol), tem 28 anos e é presidenta da Comissão Especial da Juventude na Alerj


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